PT vê indícios de ataques coordenados contra mulheres candidatas

0

Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A direção do PT afirma ter identificado um padrão de violência política de gênero contra mulheres candidatas da legenda nas eleições de 2026, com relatos de ameaças de morte, violência sexual, racismo, exposição de dados pessoais e ataques a familiares. As informações foram publicadas pelo Metrópoles.

Segundo a coordenação do partido, os ataques não seriam casos isolados, mas ações com características semelhantes, atribuídas pela sigla a grupos masculinistas ligados à extrema direita. A avaliação interna é que o objetivo seria intimidar candidatas e tentar afastá-las da disputa eleitoral.

Até a última terça-feira (22), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia registrado 177 processos relacionados à violência política de gênero em 2026. O número já supera em mais de duas vezes o total contabilizado em todo o ano eleitoral de 2024, quando houve 78 processos — alta de 126,9%.

De acordo com dados do TSE, mulheres representam 34,85% das candidaturas neste ano. Do total de 20,5 mil postulantes, cerca de 7,1 mil são mulheres, em disputas para a Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.

Secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais afirmou ao Metrópoles que o partido tem recebido relatos quase diariamente. Segundo ela, candidatas do Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Piauí estão entre as vítimas.

“O que nós estamos vivendo nesta eleição é extremamente grave. As ameaças recebidas por candidatas apresentam muita semelhança e, em alguns casos, foram enviadas pelo mesmo remetente”, declarou Mazé.

A dirigente disse ainda que os ataques são impulsionados por grupos que se apresentam como defensores de interesses masculinos e usam as redes sociais para disseminar misoginia, racismo e violência política. Na avaliação dela, a estratégia é expor a vida privada das candidatas, ameaçá-las e criar um ambiente de medo.

“É uma tentativa de dizer que política não é lugar para mulher. E nós não vamos aceitar isso de jeito nenhum. A violência política contra as mulheres atinge a democracia”, afirmou.

Diante do aumento dos casos, a Secretaria de Mulheres do PT passou a oferecer acompanhamento jurídico às candidatas da legenda, além de atuar no ambiente digital e manter diálogo com órgãos responsáveis por investigar ameaças e solicitar medidas protetivas. As mulheres ameaçadas também são incluídas em grupos de WhatsApp para acompanhamento.

Um dos casos citados ocorreu em Minas Gerais. No início de setembro, Ana Elisa Santos Silva (PT), candidata a deputada federal de 21 anos, recebeu por e-mail mensagens racistas com ameaças de morte e estupro. Segundo a reportagem, o autor afirmou integrar um grupo supremacista branco, mencionou dados pessoais da candidata e também ameaçou familiares.

As mensagens tinham conteúdo de ódio racial, ameaças explícitas de violência sexual e morte, além de referências a grupos extremistas. Por segurança, a campanha de Ana Elisa decidiu não divulgar a íntegra dos textos nem identificar publicamente o grupo citado pelo autor.

A violência política de gênero é crime eleitoral desde 2021. A pena prevista é de reclusão de um a quatro anos, além de multa. Dos 177 processos registrados pelo TSE em 2026, 63 são da Região Sudeste, 37 da Região Sul, 36 da Região Nordeste, 21 da Região Norte e 20 da Região Centro-Oeste. O Ministério Público Federal (MPF) registrou outros 34 casos neste ano.

Na terça-feira, a Justiça Eleitoral apresentou novas ferramentas para combater ataques digitais e manipulações com inteligência artificial durante a campanha. Uma delas é a Likeness ID, desenvolvida pelo YouTube, que ajuda candidatas e candidatos a identificar vídeos que usem suas imagens indevidamente, especialmente conteúdos manipulados ou produzidos com IA. A tecnologia permite pedir a remoção de materiais identificados por semelhança facial.

Outra ferramenta, criada em parceria com a ElevenLabs, busca proteger candidatos contra clonagem de voz. O sistema pretende combater o uso fraudulento de áudios sintéticos nas eleições, com bloqueio preventivo da clonagem não autorizada de vozes de candidatas, candidatos e autoridades, além do rastreamento de conteúdos manipulados produzidos na plataforma.

Também foi lançada a campanha “Política é Substantivo Feminino”, iniciativa conjunta do MPF e da Justiça Eleitoral para informar e conscientizar a sociedade sobre as diferentes formas de violência política praticadas contra mulheres no contexto eleitoral.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *