PT rebate acusação de favorecimento no TSE e critica demora em direito de resposta
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, Edinho Silva, rejeitou nesta sexta-feira (2) as acusações de que a ministra Estella Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estaria favorecendo o partido e afirmou que a própria campanha petista ficou insatisfeita com decisões recentes da magistrada.
Em conversa com jornalistas na capital paulista, Edinho defendeu a determinação que impediu a TV Globo de manter um púlpito vazio identificado com o nome de Lula no debate presidencial posteriormente cancelado pela emissora.
Segundo o dirigente petista, permitir que a emissora mantivesse o espaço reservado ao presidente mesmo após a campanha comunicar previamente sua ausência transformaria o debate em uma forma de constrangimento.
“Se Lula avisou há muito tempo que não iria, ao colocar uma cadeira e fazer perguntas para ele ausente, o debate deixa de ser um instrumento de confronto de ideias e passa a ser para constranger um candidato”, afirmou Edinho. Para ele, caso a ministra não tivesse impedido a medida, haveria um “escárnio”.
A decisão de Estella Aranha passou a ser alvo de críticas de opositores de Lula, que também mencionaram o fato de a ministra já ter exercido cargo no governo do presidente. Edinho, porém, rejeitou a interpretação de que essa trajetória representaria favorecimento ao PT.
Ao mesmo tempo, o presidente da legenda afirmou que a campanha ficou irritada com a atuação da magistrada em outro processo. O PT havia solicitado direito de resposta contra publicações de adversários que, segundo a campanha, distorceram uma fala de Lula sobre exames ginecológicos.
“Vocês sabem que a fala foi deturpada […] Essa mesma ministra não julgou algo fundamental para nossa campanha, este nosso pedido, que era restabelecer a verdade. E se ela julgar hoje não não dará tempo de ter direito de resposta. Nossa irritação ontem era grande. E ela não analisou o nosso pedido sequer”, declarou Edinho.
A crítica foi usada pelo dirigente petista para contestar a tese de que Estella Aranha estaria adotando decisões sistematicamente favoráveis à campanha de Lula. Na avaliação apresentada por Edinho, o episódio envolvendo o pedido de direito de resposta demonstraria justamente o contrário: uma decisão considerada importante pela campanha não havia sido analisada a tempo de produzir efeitos durante a reta final eleitoral.
A controvérsia em torno do púlpito vazio ocorreu após a Globo planejar a realização de um debate presidencial sem a presença de Lula. A ministra proibiu a emissora de exibir o espaço identificado com o nome do presidente durante o programa. Posteriormente, a própria emissora anunciou o cancelamento do debate.
Fonte: Brasil 247