PT avalia que crise do STF “bagunçou” 1º turno e afetou desempenho de Lula
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceram surpresa com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente do petista. Apesar de levantamentos internos terem detectado um crescimento da direita nos últimos dias de campanha, o entorno de Lula projetava uma vantagem, ainda que pequena, para o atual presidente.
Segundo a CNN Brasil, integrantes da campanha relataram, sob reserva, que o desempenho nas urnas foi recebido como um revés maior do que o previsto. Um aliado de Lula definiu o resultado como uma “pancada”.
Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos, enquanto Lula registrou 45,16%. A diferença colocou o senador na liderança da primeira etapa da disputa e obrigou a campanha governista a rever sua estratégia para o segundo turno.
A avaliação preliminar no comando da campanha de Lula é de que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), além de vazamentos de informações sobre investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), interferiu diretamente na reta final da eleição.
Na leitura de integrantes do QG petista, esses episódios dominaram o debate político e dificultaram a estratégia planejada pela campanha, baseada na comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro, especialmente em relação às trajetórias políticas dos dois candidatos.
O diagnóstico é de que as crises “bagunçaram” a corrida eleitoral e impediram que esse confronto direto se consolidasse com a intensidade esperada antes da votação. Para o segundo turno, a aposta da campanha é justamente inverter essa dinâmica e concentrar a disputa na comparação entre Lula e Flávio.
Após a confirmação do resultado, Lula admitiu frustração, mas procurou mobilizar seus apoiadores para a etapa decisiva. O presidente demonstrou confiança no embate direto contra o senador e voltou a defender uma ofensiva para reduzir a abstenção.
“Povo gosta que eu dispute 2º turno, sou muito bom no mata-mata”, afirmou Lula após a apuração.
A campanha considera a mobilização de eleitores que não compareceram às urnas um dos pontos centrais para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro. O desempenho abaixo do esperado também deverá provocar ajustes na comunicação e na articulação política do presidente nas próximas semanas.
Lula deve se reunir nesta segunda-feira (5), em Brasília, com aliados para discutir a estratégia do segundo turno. O encontro já estava previsto, como parte das reuniões realizadas regularmente pela campanha no início de cada semana, mas ganhou importância diante do resultado do domingo.
Fonte: Brasil 247