Projeto japonês testa energia geotérmica no Tajiquistão

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Por Tiago SouzaCarta Capital

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Iniciativa da Universidade de Akita aposta em sistema de bomba de calor para reduzir consumo de carvão e emissões no país da Ásia Central

Pesquisadores da Universidade de Akita, no Japão, conduzem desde 2021 um projeto no Tajiquistão para desenvolver sistemas de aproveitamento de calor subterrâneo, conhecidos como energia geotérmica de baixa profundidade. A informação é da plataforma ScienceJapan, ligada ao portal Science Portal. A iniciativa busca oferecer alternativa ao uso de carvão para aquecimento residencial em um país que enfrenta escassez energética severa no inverno.

A poucos metros abaixo da superfície, a temperatura do solo permanece estável ao longo do ano, em torno de 15 graus Celsius. Essa característica permite o uso do chamado sistema de bomba de calor geotérmica, ou Ground Source Heat Pump (GSHP). O equipamento circula fluido anticongelante ou água subterrânea por tubos enterrados, liberando ou absorvendo calor para ajustar a temperatura interna de edificações.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a redução no consumo de energia elétrica pode chegar a 30% ou 50% em comparação com sistemas convencionais de ar-condicionado e aquecimento. Aparelhos tradicionais trocam calor com o ar externo, o que reduz a eficiência em períodos de calor ou frio intensos. No Japão, o sistema já foi instalado na prefeitura de Akita e no aeroporto de Haneda, além de ser usado em sistemas de derretimento de neve em estradas de regiões frias.

O Tajiquistão é cercado por montanhas e abriga geleiras. Cerca de 96% de sua geração de energia vem de hidrelétricas. No inverno, porém, o frio intenso eleva a demanda por aquecimento enquanto o derretimento de neve diminui e os rios congelam, derrubando a produção de eletricidade. O uso de carvão para aquecimento é comum, e não é raro que residências consumam 5 toneladas do combustível em uma única estação. Apagões são frequentes, agravados por infraestrutura herdada da era soviética.

O líder do projeto, Fumiaki Inagaki, decano da Escola de Pós-Graduação em Ciências de Recursos Internacionais da Universidade de Akita, visita o país da Ásia Central quase todos os anos desde 2007. Especialista em política e energia da região, ele identificou no calor subterrâneo uma fonte estável para aquecimento e uma forma de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e as emissões de dióxido de carbono.

A iniciativa, lançada em 2021 sob o programa Parceria de Pesquisa em Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável (SATREPS), articula três áreas principais: testes de longo prazo de aquecimento e resfriamento com plantas demonstrativas, construção de mapas de potencial geotérmico com uso de inteligência artificial e desenho de sistemas que incluam captação de recursos.

Em regiões áridas da Ásia Central, o nível do lençol freático é profundo e a umidade do solo é baixa, o que tornava o uso de calor geotérmico considerado inviável até então. A investigação da distribuição de águas subterrâneas em Duchambe, capital do país, revelou condições adequadas para o sistema. Por ser uma bacia cercada por montanhas com geleiras, a região dispõe de água subterrânea abundante e temperaturas estáveis no subsolo.

Dados de experimentos demonstrativos mostraram economia de 41% no consumo de energia para resfriamento, acima da previsão inicial de 30%, segundo Inagaki. A equipe também analisou águas subterrâneas em cerca de 130 pontos ao redor da capital. O responsável pelo grupo de análise química de águas subterrâneas, Daizo Ishiyama, afirmou que as investigações iniciadas para o aproveitamento geotérmico também geraram dados úteis para a gestão de recursos hídricos, como teores de cálcio, componentes carbonáticos e concentrações de urânio.

O projeto enfrentou dificuldades desde o início, como restrições de viagem durante a pandemia de Covid-19 e a estagnação logística decorrente da invasão russa à Ucrânia. O acesso a dados geológicos também foi dificultado pela complexidade do sistema administrativo tajique. A equipe superou os obstáculos com negociação local e diálogo contínuo.

Ao longo de cerca de seis anos, os pesquisadores identificaram a necessidade de formação científica e desenvolvimento de recursos humanos entre as gerações mais jovens do país. Segundo Ishiyama, estudantes demonstram motivação para aprender, mas o ambiente educacional básico para a pesquisa não foi desenvolvido após a independência da União Soviética e a guerra civil que se seguiu. Em alguns casos, relata, alunos nunca haviam visto um termômetro. A equipe passou a oferecer orientação on-line sobre gestão de dados em planilhas e métodos de pesquisa, além de construir equipamentos experimentais com materiais disponíveis localmente.

O projeto será concluído na primavera de 2027. Inagaki e Ishiyama pretendem continuar trabalhando na disseminação do sistema geotérmico no Tajiquistão em cooperação com organizações internacionais mesmo após o encerramento. Para Ishiyama, países em desenvolvimento não demandam apenas tecnologia de ponta, mas também soluções de baixo custo e fácil manutenção.

A cooperação científica entre Japão e Tajiquistão ocorre em um momento de aproximação entre o país asiático e as nações da Ásia Central. No ano passado, Tóquio assinou um acordo de investimento com o governo tajique. As redes de contato e vínculos de confiança construídos ao longo do projeto, segundo os pesquisadores, devem servir de base para as relações bilaterais nos próximos anos.

*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.


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Fonte: Carta Capital

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