Produtora de Dark Horse, Karina Gama relata suposta ameaça e diz não ter nada a delatar
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Alvo de uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, a produtora Karina Gama afirmou que se sente ameaçada, nega ter captado dinheiro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro e diz que, caso seja presa, “não tem nada para delatar”.
As declarações foram dadas à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, em telefonema realizado um dia antes de Karina ser alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (10). A produtora, dona da Go Up, afirmou estar “apavorada” e relatou que se sentia ameaçada e chantageada.
Segundo Karina, pessoas que se apresentaram como oficiais de Justiça, mas não exibiram documentos, tocaram a campainha de sua casa às 21h e fizeram perguntas. Ela também disse que fornecedores de empresas ligadas a ela e familiares teriam sido abordados.
“Estou apavorada”, afirmou a produtora à coluna.
Karina sustenta que vem colaborando com as investigações e afirma não entender o motivo das pressões que diz estar sofrendo. “Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, declarou.
A produtora também relatou ter sido procurada por um pastor evangélico de Brasília, que, segundo ela, seria ligado à esquerda. De acordo com Karina, ele teria oferecido ajuda e sugerido que ela fizesse um acordo de delação premiada para evitar punições mais duras.
Ela nega, porém, ter informações sobre a origem do dinheiro usado no filme. “Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’ e fui remunerada”, afirmou.
Além da suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares, a Polícia Federal também apura, em outra frente, o financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a coluna, os recursos teriam sido solicitados pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em novembro do ano passado.
Em mensagem enviada ao então dono do Banco Master, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Dois meses antes, o senador havia pedido dinheiro a Vorcaro para “Dark Horse”, produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Os valores ligados a Vorcaro foram enviados ao fundo Heven Gate.
Karina afirma que recebeu recursos do fundo para realizar a produção, mas nega conhecer os financiadores. “Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores”, disse.
A operação da PF também mira o deputado federal Mário Frias, que destinou uma emenda de R$ 1 milhão a um projeto desenvolvido pelo Instituto Conhecer Brasil. De acordo com a apuração, o projeto não teria sido realizado.
Karina Gama afirma que os valores ainda não utilizados permanecem “em caixa”. Segundo ela, o projeto, voltado ao letramento financeiro de jovens empreendedores, recebeu os recursos no fim de 2025, quando o ano letivo já estava se encerrando, razão pela qual só teria avançado neste ano.
Fonte: Brasil 247