Alckmin diz a empresários que governo fará superávit e defende fim de privilégios do Judiciário

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) buscou aproximar a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de empresários e setores do PIB ao prometer, em caso de reeleição do presidente, a entrega de superávit nas contas públicas e a defesa de cortes em privilégios no Judiciário e no Legislativo.

As declarações foram feitas na noite de quarta-feira (9), durante jantar em Brasília, segundo relatos publicados pela Folha de São Paulo. O encontro reuniu cerca de 100 pessoas na casa do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, aliado de Lula, e teve como pano de fundo a tentativa do campo governista de reconstruir a ponte com setores empresariais que apoiaram o petista em 2022 para impedir a reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Agora, o principal adversário de Lula é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente.

Aos empresários, Alckmin afirmou que o governo Lula zerou o déficit primário e prometeu que, no próximo mandato, o presidente fará superávit de ao menos 0,5%. O vice-presidente também defendeu que o país avance no ajuste fiscal como forma de contribuir para a redução dos juros, alvo de críticas entre participantes do encontro.

Ao responder às reclamações sobre a taxa de juros, Alckmin comparou o atual governo à gestão Bolsonaro. Segundo relatos, ele disse que, em 2020, o governo anterior gastou 10% do PIB a mais do que arrecadou e não pagou “um centavo da dívida”. Em seguida, apresentou a melhora das contas públicas como um trunfo político e econômico de Lula.

Outro eixo do discurso foi a crítica aos altos salários e benefícios pagos a integrantes de Poderes. Alckmin afirmou, segundo relatos, que o brasileiro está revoltado com privilégios e defendeu que a campanha deixe claro que Lula é quem teria condições de enfrentá-los. A fala buscou associar o combate ao desperdício de recursos públicos à agenda fiscal defendida diante do empresariado.

O jantar foi organizado pelo coordenador do grupo Direitos Já!, Fernando Guimarães, que afirmou que a iniciativa pretende reativar o pacto político e econômico que ajudou Lula a vencer a eleição de 2022. A estratégia é atrair novamente empresários, economistas e apoiadores históricos do PSDB, além de dialogar com eleitores de centro que rejeitam a polarização entre PT e bolsonarismo.

Segundo relatos, Alckmin também ressaltou no discurso a importância do eleitorado de centro para a definição da disputa presidencial. A avaliação no entorno de Lula é que esse segmento pode ser decisivo em uma eleição marcada pela tentativa do bolsonarismo de se reorganizar em torno de Flávio Bolsonaro.

A crise no Supremo Tribunal Federal também esteve entre os principais temas do jantar. O ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), criticou o ministro André Mendonça, embora não tenha citado seu nome diretamente. Segundo relatos, ele afirmou que um magistrado não pode atuar em favor de uma campanha.

Guimarães também classificou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, como abuso e intromissão descabida. Na avaliação do ministro, a medida teria como objetivo blindar Flávio Bolsonaro. Ele lembrou ainda ter levado essas críticas às redes sociais e defendeu a derrubada do sigilo do caso Master.

Além de Alckmin, Fernando Guimarães e José Guimarães, participaram do encontro os ministros Márcio Elias Rosa, da Indústria, Luciana Santos, da Ciência e Tecnologia, e Vinícius Carvalho, da Controladoria-Geral da União. Também esteve presente o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha de Lula.

Entre os convidados estavam ainda os economistas Felipe Salto e André Perfeito, a pecuarista Teresa Vendramini e o dirigente empresarial Rafael Lucchesi. Após a abertura de Fernando Guimarães, os participantes discutiram o cenário econômico e seus impactos sobre diferentes setores produtivos.

O jantar em Brasília não foi um movimento isolado. No fim de agosto, Lula já havia recebido grandes empresários no Palácio da Alvorada para tratar da economia. Na ocasião, o presidente prometeu fazer todo o possível para reduzir os juros, tema que continua no centro da aproximação do governo com o setor produtivo.

Fonte: Brasil 247

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