Produtividade na pecuária avança no Brasil, e produção de leite bate recorde mesmo com menos vacas
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – A produtividade na pecuária brasileira avançou em 2025, permitindo que diferentes segmentos alcançassem recordes mesmo com redução no número de animais utilizados na produção. O exemplo mais expressivo veio da atividade leiteira: o Brasil produziu o volume recorde de 36,7 bilhões de litros de leite apesar da queda no número de vacas ordenhadas. Os dados fazem parte da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O valor total da produção pecuária chegou ao recorde de R$ 141,2 bilhões, crescimento de 6,2% em relação a 2024. Leite, ovos de galinha e mel estiveram entre os principais destaques em valor.
Os números indicam uma transformação importante no setor. Em algumas atividades, o crescimento da produção depende cada vez menos da simples expansão dos rebanhos e mais do aumento da produtividade, resultado de fatores como genética, alimentação, manejo, sanidade e incorporação de tecnologia.
Esse fenômeno é particularmente evidente na produção de leite, na qual o país conseguiu extrair mais produção de um número menor de animais.
Mais leite com menos vacas
A produção brasileira de leite cresceu e atingiu 36,7 bilhões de litros em 2025, o maior volume da série histórica do IBGE. Ao mesmo tempo, o número de vacas ordenhadas recuou.
Como resultado, a produtividade média aumentou 5,6% no período.
O movimento mostra uma mudança estrutural da atividade leiteira brasileira. A expansão da produção passa a depender cada vez mais da eficiência de cada animal, reduzindo a necessidade de ampliar o rebanho para elevar a oferta.
Esse ganho de produtividade também pode trazer consequências econômicas e ambientais importantes, uma vez que uma produção maior obtida a partir de um rebanho menor tende a permitir uso mais eficiente de terra, alimentação e infraestrutura.
Rebanho bovino diminui
O rebanho bovino brasileiro, por sua vez, recuou pelo segundo ano consecutivo.
Em 2025, o efetivo caiu 1,7%, chegando a 234,3 milhões de cabeças. Entre os fatores que explicam a redução está o aumento dos abates registrado no período, inclusive de fêmeas.
Mesmo com a queda, o Brasil continua detentor de um dos maiores rebanhos comerciais do planeta e uma potência mundial na produção e exportação de carne bovina.
O comportamento do rebanho também está relacionado ao chamado ciclo pecuário. Períodos de maior abate de fêmeas reduzem a capacidade de reposição do plantel e podem levar posteriormente a uma oferta menor de animais.
Ovos atingem novo recorde
A avicultura também apresentou crescimento.
O efetivo brasileiro de galináceos avançou 1,6% em 2025, enquanto a produção de ovos atingiu 5,7 bilhões de dúzias, novo recorde da série.
O valor dessa produção chegou a R$ 36,4 bilhões.
O resultado confirma a crescente importância dos ovos na alimentação brasileira e na economia agropecuária. Além de fonte relativamente acessível de proteína, o produto ganhou espaço diante das oscilações dos preços de outras proteínas animais.
Caprinos e ovinos nunca foram tantos
Outros rebanhos também alcançaram máximos históricos.
O Brasil encerrou 2025 com 13,5 milhões de caprinos e 22,3 milhões de ovinos, ambos em níveis recordes.
A criação desses animais possui importância particularmente relevante no Nordeste, onde caprinos e ovinos apresentam maior adaptação às condições climáticas do semiárido e constituem importante fonte de renda para pequenos e médios produtores.
O rebanho suíno, por sua vez, permaneceu praticamente estável, em aproximadamente 44 milhões de animais.
Produção de mel cresce 4,5%
A apicultura manteve uma sequência de resultados históricos.
A produção brasileira de mel chegou a 71,3 mil toneladas, avanço de 4,5% sobre o ano anterior e novo recorde.
As regiões Sul e Nordeste aparecem entre os principais polos dessa atividade.
Além do valor econômico direto do mel, a expansão da apicultura tem importância ambiental por sua relação com a polinização e a preservação de ecossistemas.
Aquicultura ganha força
Outro destaque dos dados do IBGE é o avanço da produção aquícola.
A produção de camarão cresceu 18,2%, apresentando uma das maiores expansões entre as atividades pesquisadas.
A piscicultura avançou 7,1%, enquanto a produção de ostras, vieiras e mexilhões aumentou 3,3%.
Os resultados mostram a diversificação da produção de proteína animal no país. Além das cadeias tradicionais de bovinos, aves e suínos, a aquicultura amplia gradualmente sua participação no agronegócio brasileiro.
Eficiência ganha importância no campo
O conjunto dos resultados da Pesquisa da Pecuária Municipal revela uma pecuária brasileira cada vez mais diversificada.
De um lado, o país continua reunindo enormes rebanhos e uma produção animal de grande escala. De outro, indicadores como o da produção leiteira mostram que a produtividade na pecuária passa a desempenhar papel cada vez mais importante no crescimento do setor.
Produzir mais leite com menos vacas é o exemplo mais evidente dessa transformação.
Com valor de produção recorde de R$ 141,2 bilhões, crescimento da aquicultura e máximos históricos na produção de leite, ovos e mel, os números de 2025 indicam que uma parcela relevante da expansão da pecuária brasileira já ocorre não apenas pelo aumento quantitativo dos rebanhos, mas também pela melhoria da eficiência produtiva.
Fonte: Brasil 247