PF deve levar a Fachin relatório sobre ministros citados no caso Master
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A Polícia Federal deve encaminhar ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, um relatório com sua avaliação sobre as referências a ministros da Corte que surgiram nas investigações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (1º) pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no G1.
Segundo fontes da PF, a intenção é apresentar formalmente o material a Fachin e deixar sob responsabilidade do presidente do Supremo a definição dos próximos passos.
Dentro da corporação, a avaliação é de que a exposição pública das informações envolvendo integrantes do STF chegou a um ponto em que seria necessário um posicionamento institucional da própria Corte. Uma fonte resumiu o entendimento dos investigadores com a frase: “Chegou no limite.”
Nos últimos meses, vieram a público referências a ministros do Supremo e informações sobre relações mantidas por integrantes da Corte com Vorcaro ou pessoas vinculadas ao grupo Master. Paralelamente, cresceu a pressão para que a Polícia Federal indique qual tratamento pretende dar a esse material.
Entre os ministros mencionados, em diferentes circunstâncias, no material relacionado ao caso Master estão Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. As citações, isoladamente, não representam indício ou comprovação de participação em irregularidades.
O entendimento dos investigadores, segundo o g1, é de que qualquer avanço envolvendo diretamente ministros do STF exige uma definição da cúpula da própria Corte. Por isso, a PF pretende entregar o relatório a Fachin, apresentar sua interpretação sobre os elementos reunidos e solicitar que o presidente do Supremo indique o procedimento a ser adotado.
PF tenta evitar nova disputa institucional
O movimento também busca evitar uma repetição da controvérsia registrada no início do ano, quando surgiram questionamentos sobre a atuação da Polícia Federal no episódio envolvendo o ministro Dias Toffoli.
Na ocasião, integrantes do Supremo acusaram a corporação de avançar por iniciativa própria sobre informações relacionadas a um membro da Corte. A Polícia Federal rejeitou essa interpretação.
A discussão evidenciou uma disputa institucional sobre os limites para investigações que alcançam ministros do STF e sobre quem deve autorizar eventuais aprofundamentos das apurações.
A PF pretende adotar um procedimento mais formal: submeter diretamente a Fachin as informações e pedir que ele determine o encaminhamento.
A expectativa agora é pela confirmação de uma agenda entre representantes da corporação e o presidente do Supremo. A Polícia Federal considera que, diante da quantidade de informações já tornadas públicas e da cobrança por respostas, não seria possível simplesmente deixar o material sem qualquer definição.
Ao mesmo tempo, a estratégia é evitar que a própria PF tome unilateralmente uma decisão sobre eventuais medidas relacionadas aos ministros mencionados, transferindo a Fachin a responsabilidade institucional sobre os próximos passos.
Fonte: Brasil 247