Principais emissoras de TV dos EUA boicotam cobertura de Trump após veto à CNN

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Por Ana Clara FerreiraICL Notícias

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As principais redes de televisão dos Estados Unidos decidiram suspender a cobertura conjunta da agenda do presidente Donald Trump na Casa Branca, em resposta à decisão de barrar a entrada de jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico na sede do governo em Washington, na última sexta-feira (18).

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (21) pela ABC, CBS, NBC e Fox News, que se revezavam com a CNN na produção e distribuição de imagens dos compromissos públicos do presidente. O sistema, conhecido como “pool”, permite que uma emissora escalada registre os eventos e compartilhe o material com os demais veículos.

Em comunicado conjunto, as emissoras afirmaram que o público tem interesse em receber informações independentes e precisas sobre o governo e que nenhuma administração deveria restringir uma organização jornalística por discordar de sua cobertura.

A Fox News é aliada do governo Trump. Em comunicado divulgado pela CNN Internacional e pelo jornal “The New York Times”, o chefe da emissora em Washington, Bryan Boughton, respaldou o boicote.

“Informamos que, a partir de hoje, o pool de emissoras de TV não fará a cobertura de eventos designados como cobertura em ‘pool’ do Presidente”, escreveu Boughton.

Na última sexta, o presidente acusou os três veículos de publicar o que chamou de “fake news” – sem nenhuma prova comprovada – e afirmou que outras empresas de comunicação poderiam ser alvo de medidas semelhantes.

No sábado (19), jornalistas dos três veículos tiveram as credenciais apreendidas ao tentar entrar na Casa Branca. As organizações afirmaram que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.

Ação na Justiça

Nesta segunda, CNN, MS NOW e Politico entraram com uma ação contra o governo Trump em um tribunal federal de Washington. Os veículos pedem uma ordem judicial temporária para recuperar o acesso à Casa Branca enquanto o processo é analisado.

Na ação, as empresas afirmam que o governo não pode determinar quais veículos podem ou não cobrir o presidente com base em suas reportagens. Os grupos também questionam a ausência de aviso prévio e de oportunidade para contestar a decisão.

Trump negou que mire a liberdade de imprensa e afirmou que sua intenção foi combater as “fake news”, que, segundo ele, são espalhadas pelos veículos de imprensa banidos da Casa Branca.

“A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. Elas são corruptas, intencionais, disseminadas, totalmente coordenadas e completamente fora de controle. São uma ameaça à nossa segurança nacional e precisam ser detidas, AGORA!”, afirmou Trump, em sua rede social Truth Social.

A CNN estava escalada para realizar, nesta segunda-feira, a cobertura televisiva conjunta da agenda de Trump. A emissora também acompanharia o presidente durante uma viagem a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Com o veto à CNN, a Casa Branca retirou a emissora do grupo responsável pelo compartilhamento das imagens. Sendo assim, as demais redes decidiram não assumir a função em substituição à CNN.

Ao longo do fim de semana, veículos de comunicação criticaram, em editoriais, a decisão de Trump, acusando o presidente dos EUA de cercear a liberdade de imprensa, prevista na Constituição dos Estados Unidos.

Histórico de censura

A decisão da última sexta-feira (18) não é inédita no governo Trump. Em 2025, a Casa Branca restringiu o acesso da Associated Press (AP) a eventos no Salão Oval e a voos no Air Force One, após a agência manter o uso do nome “Golfo do México”, em vez da denominação “Golfo da América” adotada por Trump.

A AP contestou a restrição na Justiça. O caso chegou a um tribunal federal de apelações, que decidiu a favor do governo Trump e manteve a possibilidade de a Casa Branca limitar o acesso da agência aos eventos presidenciais. Apesar da decisão ser questionada, o tribunal de apelações decidiu a favor de Trump.

Ainda no ano passado, o presidente chamou de ilegais e corruptos os meios de comunicação que o criticam e atacou também dois dos canais alvos da nova proibição.

“Acredito que a CNN e a MSNBC, que escrevem literalmente 97,6% de coisas ruins sobre mim, são braços políticos do Partido Democrata”, afirmou à época diante de promotores e agentes de segurança, quando ele também criticou o que chamou de perseguição.

Na ocasião, Trump classificou os veículos como “corruptos e ilegais” e afirmou que as práticas adotadas por eles seriam contrárias à lei. O presidente também acusou os veículos de exercer influência sobre juízes, alegando que essa atuação estaria interferindo na legislação.

Segundo o republicano, os meios de comunicação “estão mudando a lei, e simplesmente não pode ser legal. Não creio que seja legal. E o fazem em total coordenação entre si”, declarou.

Trump mantém um histórico de confrontos com a imprensa desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, o republicano atacou repetidamente jornalistas e veículos de comunicação, chegando a classificá-los como “inimigos do povo” e acusá-los de produzir “fake news”.

Após retornar à Casa Branca, em 2025, Trump passou a interferir diretamente na definição dos jornalistas que têm acesso ao presidente, rompendo com um modelo que, durante anos, ficou sob responsabilidade de uma associação independente de correspondentes. Tradicionalmente, a entidade organizava um sistema rotativo para garantir que diferentes veículos pudessem acompanhar a agenda presidencial. A nova administração modificou esse formato e reservou também um espaço na sala de coletivas para as chamadas “novas mídias”, como podcasts, newsletters e veículos digitais.

A mudança foi apresentada pela Casa Branca como uma forma de atualizar a cobertura presidencial diante das novas tecnologias. Críticos, porém, questionaram o novo modelo por considerar que ele poderia ampliar a influência do governo sobre a escolha dos veículos autorizados a participar dos eventos presidenciais, que naturalmente, são favoráveis ao seu governo.

 


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Fonte: ICL Notícias

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