Primeiro-ministro da Etiópia nomeia novo governo em Tigré para estabilizar a região
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
(Reuters) – O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, nomeou um governo provisório para estabilizar a região de Tigré, no norte do país, e preparar a realização de eleições dentro de seis meses, após a eclosão de confrontos entre uma aliança rebelde e tropas federais.
A Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF) liderou uma ofensiva contra o governo de Abiy no mês passado, reacendendo uma guerra que matou centenas de milhares de pessoas entre 2020 e 2022.
A retomada do conflito provocou o rompimento das relações entre a Etiópia e a Eritreia. Adis Abeba acusa Asmara de apoiar os rebeldes, acusação negada pelo governo eritreu.
A TPLF, partido governante de Tigré, dominou a política etíope durante décadas, até Abiy assumir o poder em 2018. Desde o início dos novos confrontos, o Exército da Etiópia e uma milícia favorável ao governo registraram avanços significativos e assumiram o controle de grandes áreas de Tigré, incluindo a capital regional, Mekelle.
Segundo o gabinete de Abiy, a administração temporária permanecerá no poder durante seis meses, com a missão de criar um ambiente político estável que permita a realização de eleições livres e transparentes nesse período.
“Para alcançar a paz que há tanto tempo lhes escapa, garantir seu direito à autoadministração e finalmente desfrutar dos frutos do desenvolvimento — que permaneceram fora de seu alcance por muitos anos —, o povo de Tigré precisa se libertar desse ciclo de conflitos”, afirmou Abiy em uma declaração publicada na rede social X.
O primeiro-ministro acrescentou que a administração também trabalhará na recuperação da infraestrutura danificada e ajudará as pessoas deslocadas pelo conflito a retornar às suas casas.
Um porta-voz da TPLF não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Tigré ainda não se recuperou das consequências humanitárias da guerra anterior, que levou centenas de milhares de pessoas a enfrentar a fome. Segundo a agência da ONU para refugiados, cerca de 750 mil habitantes de Tigré continuavam deslocados dentro do próprio país em fevereiro. A região também enfrenta uma seca associada ao fenômeno El Niño.
Há receios de que a instabilidade ultrapasse as fronteiras da Etiópia e se espalhe pelo Chifre da África, uma região politicamente frágil onde diferentes potências disputam influência.
Além da Eritreia, o governo etíope acusou o Egito e o Sudão de apoiar a aliança rebelde.
Os dois países negaram as acusações.
Fonte: Brasil 247