Presidente do Irã defende negociação para reabrir o Estreito de Ormuz
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que uma negociação com os Estados Unidos pode restabelecer o comércio pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. Em entrevista à Al Jazeera, ele rejeitou uma solução militar e atribuiu a Washington a responsabilidade pelo bloqueio que, segundo sua avaliação, levou Teerã a restringir a passagem de navios.
“Resolver a crise do Estreito de Ormuz é possível por meio de negociações, não pelo uso da força”, disse Pezeshkian à Al Jazeera. O presidente acrescentou que a rota “permanecerá aberta ao comércio se as negociações levarem à resolução da disputa”. As declarações foram fornecidas em inglês e estão traduzidas nesta matéria.
Ao explicar a posição iraniana, Pezeshkian afirmou que “foi a América que bloqueou nossos caminhos”. Para ele, “fechar o Estreito de Ormuz é uma resposta natural quando os caminhos do Irã são bloqueados”. A fala apresenta a restrição ao tráfego marítimo como reação à pressão dos EUA, embora a interrupção da navegação também afete países que dependem da rota para exportar energia.
A manifestação ocorre enquanto os dois governos examinam propostas para encerrar o impasse. Segundo a Reuters, negociadores americanos e iranianos em Nova York discutem uma saída em etapas: Teerã permitiria a retomada da navegação por Ormuz, e Washington suspenderia seu bloqueio econômico ao Irã. Fontes ouvidas pela agência afirmam que nenhum dos lados quer abrir mão primeiro de seu principal instrumento de pressão.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, apresentou uma proposta com prazo de sete dias, transmitida aos EUA por meio do Catar. De acordo com o plano descrito por ele, Washington adotaria medidas iniciais, o estreito seria reaberto no sexto dia e as conversas sobre um acordo mais amplo começariam no sétimo. Entre as exigências iranianas estão o fim do bloqueio naval de seus portos, a liberação de recursos congelados e medidas relativas às sanções sobre suas vendas de petróleo. Até a apresentação da proposta, não havia anúncio de aceitação americana.
A sequência dessas medidas é um dos pontos de divergência. O Irã quer aliviar o bloqueio antes de avançar para uma negociação mais ampla sobre seu programa nuclear. Os Estados Unidos defendem que o tema nuclear seja tratado desde o início. A proposta iraniana retoma elementos de um entendimento firmado em junho, que abriu espaço para conversas de paz, mas se desfez após novas disputas sobre as regras de navegação em Hormuz.
Washington também contesta o uso do estreito como instrumento de negociação. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente americano, Donald Trump, cobrou sua reabertura completa e a volta do Irã à mesa de negociações, ao mesmo tempo que voltou a ameaçar o país. Lideranças do Golfo, segundo a Reuters, defendem a liberdade de navegação e pressionam por uma solução política que evite uma nova escalada regional.
Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e gás comercializados mundialmente passava pelo Estreito de Ormuz. Por isso, a possibilidade de reabrir a rota é central nas tratativas entre Teerã e Washington. A declaração de Pezeshkian sinaliza disposição para negociar, mas a circulação regular de navios ainda depende de um entendimento sobre o bloqueio americano, as condições iranianas e as regras de passagem pelo estreito.
Fonte: Brasil 247