Presidente da ANJL diz que proibição de bets pode favorecer facções que os EUA classificam como terroristas

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – Uma eventual proibição ou interrupção abrupta do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil traz graves riscos para a segurança pública e pode beneficiar o crime organizado, alerta o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Augusto Lemos Jorge.

Com base em estimativas do Tribunal de Contas da União (TCU), o mercado ilegal de apostas já movimenta entre 41% e 51% do setor no país, o que representa um montante de até R$ 40 bilhões por ano. O órgão de controle aponta que a atuação clandestina amplia riscos de lavagem de dinheiro, evasão fiscal e manipulação de resultados. Sob essa perspectiva, a retirada das operadoras autorizadas sem a devida indicação de para onde migrará a demanda do consumidor tende a entregar uma fatia ainda maior desses recursos às estruturas econômicas do crime organizado.

A discussão ganha maior relevância no cenário internacional em razão da ampliação da ofensiva dos Estados Unidos contra organizações criminosas brasileiras. A avaliação da entidade é que insistir em uma medida que desloque dezenas de bilhões de reais do mercado fiscalizado para a ilegalidade fortalece os argumentos externos que defendem intervenções diretas e incisivas contra esses grupos. Diante desse quadro, a recomendação é de que o país amplie os mecanismos de controle sobre o dinheiro proveniente das apostas, em vez de criar condições que permitam a fuga de recursos da fiscalização estatal.

Além do impacto direto na segurança pública, a ANJL adverte para as consequências econômicas da medida, destacando a insegurança jurídica gerada para os investidores estrangeiros. Empresas que obtiveram autorizações oficiais, aportaram investimentos, contrataram trabalhadores e estruturaram suas operações com base no marco regulatório vigente ficariam vulneráveis a mudanças repentinas nas regras do jogo, sem um período de transição ou adequação.

Para o presidente da ANJL, a interrupção repentina das atividades envia um sinal preocupante ao mercado global. “Além de potencialmente fortalecer o mercado ilegal, uma ruptura dessa natureza transmitiria ao investidor internacional a mensagem de que o marco regulatório brasileiro pode ser alterado depois de realizados investimentos significativos — um sinal que ultrapassa o setor de apostas e afeta a própria percepção sobre segurança jurídica no Brasil”, declarou o executivo.

Fonte: Brasil 247

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