Polícia de Milei reprime marcha universitária na Argentina

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – As forças federais da Argentina usaram gás lacrimogêneo e canhões de água contra participantes da quinta Marcha Universitária Federal, nesta quinta-feira (15), diante do Congresso Nacional, em Buenos Aires. Pelo menos 34 pessoas foram presas e uma mulher ficou ferida na cabeça durante a operação, segundo a teleSUR. O protesto cobrava a implementação da Lei de Financiamento Universitário, enquanto uma sessão da Câmara dos Deputados para discutir o Decreto 70/23 fracassava por falta de quórum.

A mobilização reuniu estudantes, professores, funcionários universitários, sindicatos e organizações sociais em defesa das instituições públicas de ensino superior. De acordo com a teleSUR, que citou informações dos veículos argentinos El Destape e Página 12, os participantes denunciavam os cortes orçamentários e a resistência do governo do presidente Javier Milei ao cumprimento de decisões judiciais que determinavam o repasse de recursos às universidades.

A ação policial ocorreu perto do encerramento da manifestação. Segundo relatos da imprensa local reproduzidos pela emissora, cerca de oito pessoas com os rostos cobertos começaram a danificar equipamentos urbanos e a lançar objetos contra a cerca instalada ao redor do Parlamento. Na sequência, as forças de segurança avançaram, e os gases atingiram também manifestantes que protestavam pacificamente, incluindo famílias.

Uma das pessoas feridas foi identificada como Andrea. Imagens registraram o momento em que um artefato de gás atingiu sua cabeça. Ela afirmou que participava do ato para defender a educação pública dos filhos.

“O negócio do gás caiu na minha cabeça, não sei como estou, preciso ir ao hospital”, relatou aos jornalistas.

Mesmo sob o efeito dos gases, um dos oradores manteve o discurso de encerramento e dirigiu uma mensagem ao presidente argentino: “Vamos encerrar este evento com gás lacrimogêneo, com esta repressão, mas diremos ao presidente da nação que ele terminará seu mandato e deixará a Casa Rosada, mas a universidade pública continuará a existir”.

Testemunhas levantam suspeita de infiltrados

Participantes questionaram a presença do grupo que protagonizou os incidentes nas proximidades do Congresso. “Não são dos nossos”, disseram testemunhas citadas na reportagem, ao apontarem a possibilidade de haver infiltrados entre os manifestantes.

As informações apresentadas não comprovam a identidade dessas pessoas nem eventual ligação com agentes públicos. A emissora argentina C5N registrou um homem com o rosto coberto mexendo em uma mochila no centro da praça. Quando um repórter se aproximou, ele reagiu com violência e agrediu o cinegrafista.

A ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva, atribuiu os episódios a pessoas que buscavam confrontar a polícia. “Os mesmos violentos de sempre. Querem impor o caos, desafiar as forças de segurança e transformar as ruas em uma zona sem controle”, escreveu nas redes sociais.

O deputado Esteban Paulon contestou a ministra e exigiu que ela comparecesse ao Congresso para explicar a operação. Em outra publicação, o parlamentar associou os acontecimentos ao uso de gases, à suspeita de infiltrados e a uma agressão ao Legislativo.

O deputado Germán Martínez também criticou a atuação policial. “A marcha transcorria normalmente. Foi uma provocação. Isso tem que parar. Não pode ser que toda manifestação das pessoas termine com repressão policial”, declarou.

A chuva fina que caía durante o ato se intensificou após o avanço das forças federais. Apesar da tempestade e da dispersão de parte do público, organizações sociais permaneceram na região por pelo menos mais meia hora, conforme a reportagem.

Universidades cobram cumprimento da lei

A marcha teve manifestações em dezenas de cidades argentinas. A principal reivindicação era o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário e das determinações judiciais para a transferência de verbas às instituições.

Segundo a teleSUR, os manifestantes também repudiaram o nono recurso consecutivo apresentado pelo governo Milei contra as decisões que ordenavam os repasses. A pauta reuniu ainda pedidos de recomposição salarial, ampliação de recursos para instituições públicas e auxílio a famílias endividadas.

A defesa da Lei de Terras e a rejeição ao Decreto 70/23 também integraram os protestos. Ao deixar a região pela Avenida de Mayo, um participante relacionou sua presença às dificuldades financeiras enfrentadas no cotidiano: “Tenho três empregos e não é suficiente, somos milhões de argentinos assim”.

Oposição não consegue abrir sessão na Câmara

Dentro do Congresso, a oposição não reuniu o número mínimo de deputados para iniciar a sessão convocada para discutir o Decreto 70/23. Compareceram 121 parlamentares, oito a menos que os 129 necessários. Outros 136 estavam ausentes.

A falta de quórum impediu o debate sobre o decreto, que estabeleceu mudanças em diferentes setores da economia argentina. Entre as medidas mencionadas na reportagem estão a revogação da legislação de aluguéis, a desregulamentação da saúde privada, a flexibilização de condições de financiamento e juros e a revogação da Lei de Terras Rurais.

Entre os ausentes estavam Gisela Scaglia e José Núñez, de Santa Fé, ligados ao governador Maximiliano Pullaro. A reportagem também citou Yolanda Vega, de Salta, próxima ao governador Gustavo Sáenz, e os três representantes do bloco Independencia, alinhados ao governador de Tucumán, Osvaldo Jaldo.

A sessão frustrada provocou críticas entre os manifestantes. “É uma traição. Mas já não confiamos no Congresso. Estamos nas ruas porque acreditamos que é lá que vamos mudar as coisas”, disse uma jovem ouvida na Praça do Congresso.

Após o fracasso da sessão, deputados do bloco União pela Pátria relataram dificuldades para sair do Palácio Legislativo e chegar à praça para tentar intervir na ação policial. Segundo os parlamentares, os resíduos de gás lacrimogêneo formavam uma cortina na saída do edifício.

Fonte: Brasil 247

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