Lula na Globo: “Não vou cortar dinheiro dos pobres”

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Por Redação TVT — TVT News

Empreender no Brasil precisa ser cada vez mais uma oportunidade de prosperar, e não uma luta permanente contra as dívidas. Esse foi um dos temas centrais da entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à TV Globo, na quinta-feira (15/10), marcada por propostas de apoio aos microempreendedores individuais (MEIs), combate ao endividamento das famílias e defesa dos programas sociais.

Na conversa com a jornalista Renata Lo Prete, o candidato à reeleição referoçou que o equilíbrio das contas públicas não pode ser alcançado às custas dos mais pobres.

Confira os principais trechos da entrevista de Lula na Globo

PROSPERA MEI – Entre as iniciativas de apoio aos pequenos negócios, Lula ressaltou a proposta de perdão de aproximadamente R$ 12,7 bilhões em dívidas de mais de 3 milhões de MEIs com a União, medida aprovada pelo Senado nesta quinta (15/10), com 78 votos favoráveis a zero, e que agora segue para sanção presidencial. O projeto também eleva o teto de faturamento anual dos microempreendedores para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois empregados.

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Lula na Globo defende o reajuste do salário-mínimo acima da inflação – Foto: Ricardo Stuckert

Durante a entrevista, o presidente destacou ainda a previsão de um aval de R$ 5 mil para estimular a retomada das atividades. “Eu sugeri que a gente estudasse a possibilidade de anistiar essa dívida das pessoas para as pessoas começarem uma vida nova”, explicou.

Lula também ressaltou a importância do microcrédito para a geração de renda e de oportunidades. “É por isso que eu aposto muito na microeconomia, no microcrédito, no MEI, no pequeno empreendedor”, afirmou.

SEM TESOURAÇO – Questionado sobre a necessidade de reduzir despesas públicas para controlar a dívida, Lula rejeitou a possibilidade de transferir aos mais pobres e aos programas sociais o custo do ajuste fiscal. “Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga a conta. Toda vez o povo pobre. E eu não quero que o povo pobre pague”, declarou.

Embora tenha reconhecido a importância do controle das contas públicas, o presidente ressaltou que a responsabilidade fiscal não pode comprometer direitos sociais. Também defendeu investimentos produtivos, como ferrovias, portos e hidrelétricas, capazes de ampliar a infraestrutura e gerar resultados para o país. Lula lembrou que em seus primeiros mandatos, o Brasil passou da 12ª para a 7ª maior economia mundial, acumulou reservas internacionais e quitou a dívida de US$ 30 bilhões com o próprio Fundo. A nova projeção aponta para a recuperação de posições no ranking internacional.

DÍVIDAS – Outro tema da sabatina foi a situação dos 84 milhões de brasileiros negativados. Lula detalhou a nova etapa do Desenrola, que prevê a negociação de débitos antigos por meio de leilões em que a União, o próprio governo, compra a dívida, com expectativa de descontos superiores a 90%.

A proposta em tramitação no Congresso poderá alcançar um estoque de aproximadamente R$ 150 bilhões em dívidas, permitindo que famílias regularizem suas pendências e voltem a ter acesso ao crédito. O presidente lembrou que as etapas anteriores do programa já atenderam milhões de pessoas, mas reconheceu a necessidade de ampliar as soluções para o endividamento.

PROTEÇÃO SOCIAL – O presidente também citou a importância da recomposição das perdas inflacionárias do Bolsa Família. Recordou que, no início do mandato, foi necessária a aprovação da PEC da Transição para garantir recursos ao programa, à saúde e à educação. Também citou a redução do déficit primário em relação ao cenário herdado e a apresentação de uma proposta orçamentária com previsão de superávit.

Ao encerrar a entrevista, Lula reconheceu que sempre haverá desafios, especialmente na saúde e na recuperação dos serviços públicos, mas enfatizou que o Brasil está no caminho certo. Para o presidente o país pode avançar com responsabilidade fiscal sem deixar ninguém para trás, garantindo que o desenvolvimento se traduza em mais oportunidades, direitos e uma vida melhor para o povo brasileiro

Lula na Globo destaca investimentos para reduzir filas do SUS

Durante entrevista à TV Globo, nesta quinta-feira (15/10), conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, Lula reconheceu que as filas ainda representam um dos maiores desafios da saúde pública brasileira, mas destacou os investimentos realizados pelo governo para ampliar o atendimento e garantir que a população tenha acesso mais rápido a médicos, diagnósticos e tratamentos.

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista nos Estúdios Globo – Foto: Ricardo Stuckert

Questionado sobre a demora para consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas, o presidente afirmou que o governo já colocou em prática medidas para enfrentar o problema, com reforço das equipes médicas, ampliação da rede de atendimento e parcerias com hospitais privados e filantrópicos.

“Nós não só temos plano, como estamos colocando em prática”, afirmou Lula, ao lembrar que encontrou a estrutura de saúde desmantelada pela gestão de Jair Bolsonaro quando reassumiu a Presidência, em 2023.

Entre os avanços apresentados, o presidente destacou a contratação de 16 mil médicos, elevando para cerca de 28 mil o número de profissionais no Mais Médicos. Lula também ressaltou a ampliação da formação e da oferta de especialistas, para que pacientes atendidos na atenção básica possam ter acesso às consultas e aos procedimentos de que necessitam.

EXAMES – Uma das principais iniciativas anunciadas por Lula é a expansão do atendimento itinerante. Segundo o presidente, até o fim deste ano, 150 carretas estarão percorrendo o país para oferecer exames e ampliar o diagnóstico precoce de doenças, especialmente entre as mulheres. A estrutura móvel deverá reforçar a prevenção e a identificação de câncer de mama e do colo do útero, além de disponibilizar outros procedimentos, incluindo exames de imagem.

Lula também destacou os investimentos no tratamento do câncer e a necessidade de fortalecer a capacidade de diagnóstico e atendimento da rede pública. Para ele, os resultados dessas mudanças exigem continuidade, planejamento e investimentos permanentes. “É uma revolução que está acontecendo”, afirmou o presidente, ao destacar a dimensão das medidas em andamento.

CIRURGIAS – Outro ponto da entrevista foi a ampliação das cirurgias eletivas. Lula destacou os acordos firmados com hospitais particulares, que podem compensar dívidas com a União por meio da prestação de serviços ao SUS, além das parcerias com santas casas. Segundo os números apresentados pelo presidente, foram realizadas 15 milhões de cirurgias eletivas em 2025, com expectativa de alcançar 16 milhões em 2026.

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O hospital do SUS terá ainda R$ 610 milhões anuais para custeio de serviços. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Apesar dos avanços, Lula reconheceu que o tempo de espera ainda precisa diminuir. Ainda falta muito, porque a fila é muito tempo, a pessoa esperava dois anos, três anos. Agora, o que eu posso te dizer é que nós estamos andando”, afirmou.

RECONSTRUÇÃO – Ao avaliar os desafios encontrados no início do mandato, Lula citou a necessidade de recuperar políticas públicas como o Brasil Sorridente e o Farmácia Popular (passou a ter os 41 itens oferecidos de forma 100% gratuita), além de retomar obras paralisadas na área da saúde.

Nas considerações finais, o presidente lembrou que o governo encontrou cerca de 6 mil obras paradas em diferentes áreas, incluindo creches, escolas, hospitais e unidades de atendimento médico, o que exigiu tempo e investimentos para reconstruir a capacidade de prestação de serviços públicos. “Não é fácil você fazer as coisas acontecerem em um país que estava destruído como o nosso. E eu acho que nós fizemos milagre nesse país, na área da educação, na área da saúde”, reconheceu.

Para Lula, o desafio agora é acelerar os resultados das políticas já iniciadas, ampliar a estrutura do SUS e fazer com que os investimentos cheguem à vida cotidiana dos brasileiros. O objetivo é que o acesso à saúde não dependa de uma longa espera e que consultas, exames e tratamentos estejam disponíveis quando a população mais precisa.

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Fonte: TVT News

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