Polícia apreende R$ 2 milhões de funcionários de empresa contratada pela Prefeitura de Maceió
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Dois funcionários da Ceilurb, empresa que presta serviços de iluminação pública à Prefeitura de Maceió, foram interceptados pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil de Alagoas (DRACCO) na noite de sexta-feira (18), durante uma operação que resultou na apreensão de R$ 2 milhões em dinheiro vivo em uma agência bancária da capital alagoana.
Segundo as informações apuradas pelo Brasil 247, os funcionários são Maurício Leite Tenório Costa, gerente da Ceilurb, e Leopoldo Del Rosário Toro Ramires Júnior, assistente da empresa. Eles alegaram que os recursos tinham origem lícita. O dinheiro, porém, permaneceu sob a tutela da DRACCO para o prosseguimento das investigações.
A apreensão integra a apuração de uma sequência de retiradas em espécie que, somadas, ultrapassa R$ 5 milhões. De acordo com a reportagem, as movimentações começaram em 4 de setembro, com um saque de R$ 84 mil de uma conta de pessoa física.
Quatro dias depois, em 8 de setembro, houve a retirada de R$ 1 milhão da conta da Ceilurb. Em 11 de setembro, outros R$ 2 milhões foram sacados da mesma conta.
Na sexta-feira (18), havia mais um saque de R$ 2 milhões provisionado. Desta vez, a operação foi interceptada pela polícia e o dinheiro foi apreendido antes de deixar a agência com os funcionários da companhia.
Empresa recebeu R$ 8,5 milhões antes da apreensão
Os saques ocorreram em um período de pagamentos elevados da Prefeitura de Maceió à Ceilurb. Nos nove dias anteriores à apreensão, a empresa recebeu R$ 8,5 milhões dos cofres municipais.
Desse total, R$ 5 milhões foram classificados como pagamentos por “obras realizadas” e financiados por um contrato de crédito com a Caixa Econômica Federal.
O restante correspondeu a parcelas do contrato mantido com a Prefeitura e a uma parcela de um Termo de Ajuste de Gestão.
Somente em 2026, a Ceilurb já recebeu R$ 52 milhões dos cofres públicos municipais. Nos últimos cinco anos e meio, segundo os dados apresentados, os pagamentos feitos por meio da autarquia municipal de iluminação pública somam R$ 320,5 milhões.
Contrato foi firmado por R$ 48 milhões
A Ceilurb, cujo nome de registro é Vasconcelos e Santos Ltda., opera o sistema de iluminação pública de Maceió desde 2022 por meio do Contrato nº 187/2022.
O contrato foi firmado durante a gestão do então prefeito João Henrique Caldas, JHC (PSDB), com valor inicial de R$ 48 milhões para um período de 12 meses.
Quatro anos depois, a empresa passou a integrar um Termo de Ajustamento de Gestão no qual a Prefeitura reconheceu uma dívida acumulada de R$ 212.244.144,94.
Segundo os registros citados na reportagem, esse montante não decorre de um único reajuste ou aditivo. O valor corresponde a uma dívida acumulada por reajustes contratuais atrasados ao longo dos anos e foi reconhecido de uma só vez pela gestão de JHC três dias antes de o então prefeito deixar o cargo, em abril deste ano, para disputar as eleições de 2026.
Os documentos mencionados na reportagem, no entanto, não permitem concluir isoladamente que os R$ 212,2 milhões estejam relacionados apenas ao Contrato nº 187/2022.
A Ceilurb também presta outros serviços à Prefeitura de Maceió, incluindo decoração natalina e manutenção do parque de iluminação.
Contrato é alvo de inquérito do Ministério Público
O Contrato nº 187/2022 também é objeto do Inquérito Civil Público nº 06.2026.00000296-3, aberto pela 14ª Promotoria de Justiça da Capital, Fazenda Pública Municipal, do Ministério Público de Alagoas.
O procedimento foi convertido em inquérito por portaria de 16 de julho de 2026 e apura supostas irregularidades na aplicação de recursos públicos pela autarquia municipal Ilumina.
Entre os pontos investigados estão possíveis pagamentos indenizatórios por serviços realizados durante um período de suspensão judicial do contrato.
Também são analisadas suspeitas de desvio de finalidade na utilização de recursos da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), que teriam sido destinados à iluminação e ornamentação natalina e à instalação de uma pista de patinação.
O inquérito ainda apura possíveis irregularidades na execução, medição e pagamento de serviços de ampliação, modernização e telegestão do parque de iluminação pública entre 2022 e 2025.
Empresa também teve contratos em outros estados
A Ceilurb é administrada por Ladjane Correia de Vasconcelos Torres Bandeira, que aparece como sócia-administradora em documentos oficiais e já foi indiciada por peculato em Sergipe, segundo as informações fornecidas.
A autarquia Ilumina, responsável pela fiscalização do contrato em Maceió, é presidida por Guto Bezerra.
A empresa também realizou contratações em outros dois estados.
Em Belém, no Pará, a Ceilurb obteve, por adesão a uma ata de registro de preços, um contrato de R$ 20,2 milhões para a decoração do Círio de Nazaré e do Natal de 2025. O contrato é investigado pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Pará.
Em Aracaju, Sergipe, a empresa recebeu R$ 10 milhões sem licitação da Empresa Municipal de Serviços Urbanos para o “Natal Iluminado” de 2024 e é alvo de uma CPI municipal ainda em andamento.
Fonte: Brasil 247