Plataforma mapeia áreas com potencial de virar votos para Lula no segundo turno
Por Dayane Santos — Brasil 247
247 – A disputa pelo segundo turno das eleições de 2026 ganhou uma ferramenta voltada à mobilização territorial e à conquista de votos para o presidente Lula (PT). Criada pelo cientista de dados Mateus Pestana, a plataforma “Onde Dá pra Conversar” identifica regiões com potencial para ampliar o apoio a Lula e orienta eleitores a organizar ações de diálogo presencial e digital.
De acordo com reportagem da CartaCapital, o projeto surgiu após o primeiro turno, realizado no domingo, 4 de outubro, quando o resultado eleitoral deixou Pestana preocupado com a vantagem obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula. Diante do cenário, o cientista decidiu utilizar seus conhecimentos para identificar oportunidades de mobilização e contribuir para uma eventual recuperação de votos na segunda etapa da disputa.
Um dos principais pontos de partida foi o elevado número de eleitores que não compareceram às urnas. Segundo os dados apresentados na reportagem, mais de 33,4 milhões de brasileiros aptos a votar, o equivalente a 21% do eleitorado, deixaram de participar do primeiro turno. O contingente superou o recorde anterior de abstenções, registrado em 2022, quando aproximadamente 32 milhões de eleitores não votaram.
Ao acrescentar os votos brancos e nulos a esse grupo, Pestana calculou que mais de 48 milhões de votos poderiam estar potencialmente em disputa no segundo turno. A partir desse diagnóstico, desenvolveu uma base nacional que reúne informações de mais de 26 mil localidades, permitindo identificar áreas nas quais a mobilização eleitoral pode alcançar um número significativo de pessoas.
Plataforma indica onde concentrar a mobilização
A ferramenta permite pesquisar bairros e regiões para estimar o potencial de conversão de votos nas proximidades dos locais de votação. O objetivo é ajudar os apoiadores de Lula a definir onde concentrar esforços, em vez de distribuir a mobilização de maneira aleatória.
No Grajaú, bairro mais populoso da cidade de São Paulo, por exemplo, a plataforma estima a possibilidade de conquistar 13.846 votos para Lula em um raio de um quilômetro dos locais de votação pesquisados. A estimativa serve como referência para orientar o trabalho territorial, e não como garantia de que esses votos serão efetivamente conquistados.
A proposta recupera uma modalidade tradicional de campanha política: o contato direto entre eleitores. Em vez de depender exclusivamente de publicações nas redes sociais e de materiais distribuídos em ambientes digitais, a iniciativa procura estimular conversas cotidianas em espaços públicos e estabelecimentos comerciais.
“É estimular que as pessoas tentem virar votos na rua, nos bares, restaurantes, em carros de aplicativo, retomar esse método de guerrilha original”, defendeu Pestana.
A estratégia também foi incorporada ao discurso da campanha de Lula para o segundo turno. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o presidente convocou apoiadores a ampliar a presença nas ruas e a conversar diretamente com a população.
“Bora gente, bora pra rua, vamos conversar com as pessoas”, afirmou Lula. Na mesma gravação, acrescentou: “Vamos ganhar essas eleições para não permitir que o retrocesso volte para esse país”.
Propostas de governo ajudam a orientar as conversas
Além de mapear os territórios, a plataforma reúne propostas do programa de governo de Lula em áreas consideradas relevantes para o debate eleitoral. Entre os temas estão saúde, emprego, salários, trabalho, segurança pública, aposentadoria, direitos das pessoas idosas e questões relacionadas às mulheres.
A organização dessas informações busca oferecer subsídios para que os apoiadores apresentem as propostas do candidato durante as conversas e respondam a dúvidas dos eleitores. A iniciativa procura, assim, vincular a mobilização eleitoral a temas concretos da vida cotidiana, em vez de limitar a abordagem à disputa entre candidatos.
A ferramenta também sugere a formação de grupos de WhatsApp para organizar as tarefas por território. Os participantes podem dividir responsabilidades e planejar abordagens em locais de circulação de pessoas, como pontos de ônibus e feiras livres.
O modelo permite distribuir o trabalho de base de acordo com as características de cada região, com a possibilidade de coordenar diferentes frentes de mobilização. A proposta é transformar o interesse individual em uma ação coletiva, organizada e direcionada para áreas identificadas pela plataforma.
Redes sociais também entram na disputa eleitoral
A mobilização presencial é apenas uma das frentes previstas pelo projeto. A plataforma recomenda que os apoiadores disputem espaço nas redes sociais, especialmente Instagram, TikTok e Facebook, ambientes nos quais, segundo a reportagem, a extrema direita ainda mantém vantagem em determinados segmentos.
A combinação entre ações nas ruas e comunicação digital acompanha uma mudança na estratégia da campanha petista para o segundo turno. A aproximação com lideranças jovens que possuem grande alcance nas redes é uma das iniciativas nesse sentido.
Entre os exemplos mencionados está a deputada federal Ana Elisa, eleita pelo PT de Minas Gerais aos 21 anos e com mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram. A presença de figuras com capacidade de alcançar públicos numerosos pode ajudar a ampliar a circulação de mensagens e a aproximar a campanha de eleitores que não necessariamente acompanham os canais tradicionais de comunicação política.
A articulação entre conversas presenciais, grupos de mensagens e redes sociais busca ampliar o alcance da mobilização e estabelecer diferentes pontos de contato com o eleitorado.
Iniciativa já alcançou quase 2 milhões de acessos
Lançada em 4 de outubro, a plataforma “Onde Dá pra Conversar” registrou quase 2 milhões de acessos desde sua criação, conforme os números informados na reportagem. O volume indica a repercussão da iniciativa em um momento de intensificação da disputa pelo segundo turno.
Pestana, porém, afirma que o projeto não está vinculado formalmente a um partido político. Ao explicar sua motivação, o cientista ressaltou que a iniciativa expressa suas convicções pessoais sobre o país e sua disposição de contribuir para o debate público.
“Eu não sou filiado a nenhum partido político, nunca fui. A plataforma apenas dialoga com com os moldes do País que eu quero e o que eu posso fazer para isso”, declarou.
A ferramenta procura transformar dados eleitorais em orientação prática para a militância e os apoiadores de Lula. Ao identificar áreas com potencial de mobilização e sugerir formas de abordagem, o projeto aposta na combinação entre planejamento territorial, diálogo direto e presença digital como caminhos para disputar eleitores no segundo turno.
Fonte: Brasil 247