PF registra 1.292 inquéritos por crimes eleitorais em 2026, mas vê votação dentro da normalidade
Por Raunner Vinícius Soares — Jornal Opção

A Polícia Federal (PF) afirmou, neste domingo, 4, que as Eleições de 2026 transcorrem dentro da normalidade em todo o país, apesar do registro de ocorrências relacionadas a crimes eleitorais. Em coletiva de imprensa, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, destacou que a atuação da instituição está voltada à proteção de candidatos, à segurança do processo eleitoral e ao enfrentamento da atuação de organizações criminosas.
“É um dia onde nós temos um planejamento e uma operação voltados à segurança das eleições. Seja na questão da segurança dos candidatos à Presidência da República, seja na garantia da segurança propriamente do processo eleitoral, e também na prevenção para que o crime organizado e as milícias não se infiltrem no processo eleitoral de alguma maneira”, afirmou.
Segundo Andrei, a atuação da Polícia Federal é resultado de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. “Esse é um esforço que temos feito já ao longo de, não só deste ano, mas também nos anos anteriores, e com os resultados que são importantes e que também nos trazem a tranquilidade do acerto nas medidas”, declarou.
O diretor-geral avaliou que os registros feitos até o momento não interferem na votação. “Tanto que hoje temos um processo em curso com algumas ocorrências, mas é nada que esteja perturbando o processo eleitoral e a votação”, disse.
Ao apresentar os números da atuação da corporação em 2026, Rodrigues informou que a PF instaurou 1.292 inquéritos policiais relacionados a crimes eleitorais. “Nós, só para título de ilustração, só este ano, a Polícia Federal instaurou 1.292 inquéritos policiais. E temos mais de 2.200 inquéritos policiais que versam sobre crimes eleitorais que estão vinculados a essa temática”, disse.
Ele também destacou as operações realizadas ao longo do ano. “Também neste ano, fizemos mais de 60 operações, foram 62 operações policiais que envolvem também, aqui falo só dos números que dizem respeito à questão de crimes eleitorais”, afirmou.
Andrei citou uma ocorrência registrada neste domingo em Roraima. “Só no dia de hoje, por exemplo, fizemos uma operação em Roraima com apreensão de mais de R$ 300 mil em dinheiro”, apontou.
Segundo ele, o volume apreendido pela corporação apenas neste domingo já ultrapassava R$ 357 mil. “Aquilo tudo nos indica, a apuração que dirá, a vinculação com o processo eleitoral”, disse.
O diretor-geral ressaltou ainda o volume de recursos apreendidos ao longo do ano em investigações relacionadas a crimes eleitorais. “Também a título de ilustração, um recorde de apreensão de dinheiro. Este ano foram mais de R$ 30 milhões que nós apreendemos em dinheiro vivo e mais de R$ 45 milhões se contarmos outros bens apreendidos, repito, relacionados a crimes eleitorais”, afirmou.
A PF também acompanha casos de violência política de gênero. “Um outro dado importante. Nós temos 97 inquéritos policiais que versam sobre violência política de gênero, onde a Polícia Federal também tem feito a sua atuação coordenada”, afirmou.
Na coletiva, o diretor-geral chamou atenção para as ferramentas de transparência disponibilizadas pela corporação. “Os números vocês têm no painel, um painel público inclusive, dentro de um processo de transparência ativa da Polícia Federal para que todos vocês, não só da imprensa, mas eleitores, possam acompanhar a dinâmica do trabalho que a Polícia Federal tem feito durante o dia de hoje e durante todo o período”, apontou.
Andrei afirmou que a instituição segue comprometida com a garantia do processo democrático. “Eu reafirmo aqui o nosso compromisso com a democracia, com o processo eleitoral e o papel que a polícia judiciária da União, a polícia judiciária eleitoral, está cumprindo junto com os nossos parceiros”, disse.
Ao destacar a atuação integrada das forças de segurança, ele afirmou que os resultados obtidos são fruto da cooperação entre diferentes órgãos. “Ninguém faz nada sozinho e aqui acho que é um belo exemplo dessa integração, onde nós estamos sob a coordenação do Ministério da Justiça, atuando com as nossas coirmãs federais, Polícia Rodoviária, Polícia Penal Federal, mas também com todas as polícias estaduais que estão aqui inclusive representadas e que permitem que a gente trabalhe de maneira harmoniosa e com bons resultados”, apontou.
A participação de observadores internacionais também foi mencionada pelo diretor-geral. “Acrescentaria, por fim, também, vocês podem observar aqui, tem policiais estrangeiros, tem policiais aqui de Angola, que também é fruto de um acordo de cooperação que a Polícia Federal estabeleceu”, comentou.
Segundo Andrei, os agentes acompanham o pleito brasileiro para conhecer a experiência nacional na área eleitoral. “Estão aqui como observadores do processo eleitoral para levar essa experiência brasileira para o seu país e também qualificar o seu processo eleitoral”, disse.
Em nota divulgada neste domingo, 4, a Polícia Federal informou que atua em todo o território nacional na prevenção e repressão a crimes eleitorais e na apuração de fatos de competência da Justiça Eleitoral durante as Eleições Gerais de 2026.
Até as 9h, haviam sido instaurados três inquéritos policiais e lavrados seis termos circunstanciados de ocorrência para investigar possíveis crimes eleitorais. As ocorrências foram registradas na Bahia, Minas Gerais, Roraima, Acre, Distrito Federal, Rondônia, Amapá e Paraíba.
De acordo com o balanço preliminar, 28 pessoas foram conduzidas e foram apreendidos R$ 57.379 em bens e valores, dos quais R$ 34.228 em dinheiro em espécie. A corporação informou que os principais crimes investigados até o momento são propaganda eleitoral irregular e corrupção eleitoral, especialmente casos relacionados à compra de votos.
A nota destaca ainda que os valores apresentados são preliminares e ainda passarão por validação. Segundo os dados consolidados de 2026, a Polícia Federal já instaurou 1.292 inquéritos ligados a crimes eleitorais e contabiliza mais de R$ 45,6 milhões em bens apreendidos, incluindo cerca de R$ 30,2 milhões em dinheiro vivo. A corporação ressaltou que os números são dinâmicos e podem sofrer alterações em razão de novas ocorrências, investigações e atualizações dos sistemas institucionais.
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