PF mira deputado Cezinha de Madureira em operação sobre tráfico de influência em tribunais
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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Terceira fase da Operação Transparência cumpre quatro mandados em SP e no DF e investiga suspeitas de exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira 14 a terceira fase da Operação Transparência , que investiga suspeitas de tráfico de influência e outros crimes relacionados à tentativa de interferir no andamento ou no resultado de processos em tribunais superiores. Um dos principais alvos da ação é o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal Federal.
A operação cumpre quatro mandados de busca e apreensão em endereços no Distrito Federal e em São Paulo. Além de tráfico de influência, a investigação apura possíveis práticas de exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, integrantes do grupo investigado teriam negociado com terceiros o pagamento de “valores expressivos” condicionado ao resultado de processos em andamento. A suspeita é de que os pagamentos tenham sido negociados sob a justificativa de que poderiam influenciar decisões judiciais.
CartaCapital entrou em contato com Cezinha de Madureira e não recebeu retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
A terceira fase da Transparência é um desdobramento de uma investigação iniciada em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A partir dessa apuração os investigadores chegaram às suspeitas envolvendo negociações relacionadas a processos judiciais.
A PF não detalhou, na nota divulgada nesta segunda-feira, quais processos estariam no centro das tratativas nem quais valores teriam sido negociados. Também não informou quais seriam os terceiros envolvidos nas negociações.
Cezinha de Madureira mantém proximidade com o ministro André Mendonça , também do STF. O deputado foi responsável por intermediar um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro , então controlador do Banco Master , em março de 2025, em São Paulo.
Mendonça confirmou que recebeu Vorcaro no instituto Iter, na capital paulista, mas disse que “limitou-se a ouvi-lo”. A reunião foi intermediada por Cezinha a pedido de pessoas próximas à Igreja Batista da Lagoinha.
O encontro ganhou relevância nas últimas semanas por causa das investigações envolvendo o Banco Master . A operação desta segunda-feira, porém, não aponta qualquer participação do ministro ou de outro integrante do Judiciário na investigação.
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Fonte: Carta Capital