PF deflagra Operação Magen contra grupo que vendeu fuzis e lavou mais de R$ 100 milhões para o TCP no Rio

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (7), a Operação Magen contra uma organização criminosa suspeita de vender armas de uso restrito, vazar dados sigilosos da segurança pública e lavar mais de R$ 100 milhões para o Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa que atua no Complexo de Israel, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, informa a CNN Brasil.

A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão em diversos endereços, incluindo bairros da capital fluminense como Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha, além de municípios da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana, como Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Mesquita, Nilópolis e Seropédica. A Justiça também determinou medidas cautelares contra investigados ligados à estrutura financeira do grupo, incluindo a instalação de tornozeleiras eletrônicas.

Até o momento, cinco pessoas foram presas e duas permanecem foragidas. Entre os alvos que ainda não foram localizados pelas autoridades está o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido pelo apelido de “Peixão”, apontado como a principal liderança da facção que domina o Complexo de Israel.

As investigações são conduzidas pelo Grupo de Investigações Sensíveis (GISE) da Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF) do MPRJ. Segundo a apuração, o grupo mantinha uma estrutura bem definida para compra, transporte e venda clandestina de armamentos. O catálogo do comércio ilegal incluía fuzis de uso restrito, pistolas, revólveres, carregadores e munições. Em uma das negociações identificadas pelos investigadores, os suspeitos forneceram dez fuzis AR-15 diretamente a “Peixão”. Além disso, armas e equipamentos policiais eram eventualmente empregados como forma de pagamento ou comissão pelas transações efetuadas.

O esquema contava com a participação direta de agentes da segurança pública, incluindo um policial civil e um policial militar da ativa, além de ex-policiais. De acordo com a Polícia Federal, esses agentes faziam uso de seus acessos funcionais a sistemas restritos para obter e vazar informações sigilosas sobre mandados de prisão, endereços, veículos e operações policiais planejadas. Essas informações eram repassadas para alertar os integrantes da organização criminosa sobre ações iminentes das forças de segurança, além de viabilizarem investigações clandestinas, extorsões e outras atividades ilícitas.

Na frente financeira, o dinheiro oriundo das práticas criminosas era lavado e incorporado ao sistema econômico formal por meio do uso de empresas de fachada e de contas bancárias em nome de pessoas físicas e jurídicas. No período de quatro anos, a movimentação do grupo ultrapassou R$ 100 milhões, montante considerado totalmente incompatível com os rendimentos declarados pelos investigados.

Os envolvidos na estrutura foram denunciados pelo MPRJ e responderão pelos crimes de organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outros possíveis integrantes e aprofundar o mapeamento da atuação financeira e logística da organização.

Fonte: Brasil 247

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