PF aponta desvio de emendas para Dark Horse e desmonta discurso de Flávio Bolsonaro
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – Operação realizada pela Polícia Federal na quinta-feira (10) desmontou a narrativa defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. A ação policial cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do deputado federal e ex-secretário Especial da Cultura, Mario Frias (PL-SP), apreendendo sete armas de fogo em seu endereço — incluindo uma carabina de origem eslovaca e uma espingarda de cano duplo em estilo Velho Oeste —, destaca o jornalista Bernardo Mello Franco em análise publicada no jornal O Globo.
A investigação da Polícia Federal apura se o parlamentar cometeu desvio de recursos públicos federais para financiar a produção cinematográfica, na qual atuou como roteirista e produtor executivo. Segundo os dados levantados pelos investigadores, Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, entidade dirigida por Karina Gama, que também figura como produtora do filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
O avanço das apurações desmente a versão frequentemente reiterada por Flávio Bolsonaro, que negava categoricamente a utilização de verbas públicas no financiamento da obra. A tese do senador já omitia o fato de que a fortuna do empresário Daniel Vorcaro — a quem o parlamentar solicitou um aporte no valor de R$ 134 milhões — havia sido ampliada por meio de operações associadas à previdência de servidores públicos. Em reação à investida da PF, o filho de Bolsonaro classificou a operação como uma “terceira facada”.
O caso também ajuda a compreender a postura adotada por Mario Frias durante o período em que esteve no comando da Secretaria Especial da Cultura. Ao assumir o cargo, o ex-ator de “Malhação” e “Bela, a feia” alinhou-se à extrema-direita e passou a atacar artistas consagrados que criticavam a gestão de Jair Bolsonaro, dirigindo ofensas a nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Anitta, Taís Araújo e Ivete Sangalo.
Além dos ataques aos artistas, Mario Frias promoveu uma ofensiva contínua contra a Lei Rouanet sob o pretexto de que “a mamata acabou”, defendendo medidas que estrangularam o principal instrumento oficial de incentivo à cultura do país. O quadro revelado pela Polícia Federal indica que o objetivo da demonização do mecanismo tradicional — caracterizado por regras rígidas de fiscalização e prestação de contas — era substituí-lo pelo uso descontrolado de emendas parlamentares.
O deputado Mario Frias nega a prática de qualquer irregularidade e alega ser vítima de perseguição promovida pela Justiça e pelos veículos de imprensa.
Fonte: Brasil 247