PF aponta ACM Neto, aliado de Flávio, como líder de organização criminosa

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Por Hora do Povo — Hora do Povo

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Operação Overclean aponta candidato ao governo da Bahia papel de liderança em esquema investigado pela PF

Relatório da Polícia Federal aponta o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, como líder de organização criminosa investigada por desvio de recursos públicos por meio de contratos superfaturados. Informações são da CNN Brasil.

Segundo a investigação, o candidato teria ligação com o grupo do empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, envolvido em suspeitas de fraudes em contratações públicas em Minas Gerais.

Segundo relatório sigiloso produzido pela PF em novembro do ano passado, registros extraídos do celular de Marcos Moura mostram que ele e ACM Neto mantiveram 232 conversas entre agosto e dezembro de 2024, volume que, na avaliação dos investigadores, reforçaria a relação entre ambos.

“Ao analisarmos todo o conjunto probatório reunido nas oito fases da Operação Overclean, conclui-se que ACM Neto exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”, consta do relatório da PF, segundo a CNN.

EMENDAS PARLAMENTARES

Marcos Moura e outras 24 pessoas foram indiciados no âmbito da investigação sobre suspeitas de desvios de recursos públicos relacionados à destinação de emendas parlamentares.

A PF estima que o esquema investigado tenha movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos considerados fraudulentos.

CONTRATOS DA EDUCAÇÃO DE BH

De acordo com os investigadores, o grupo teria buscado obter vantagens econômicas a partir de contratos fraudulentos e superfaturados celebrados pela Prefeitura de Belo Horizonte.

O relatório cita ainda “movimentações atípicas de dinheiro em espécie transportado em malas de viagens em aeronaves fretadas”.

A suspeita é de que o esquema tenha atuado em processos de contratação realizados pela Secretaria Municipal de Educação da capital mineira entre abril de 2024 e abril de 2025.

Segundo a PF, integrantes do grupo teriam sido inseridos em pontos da administração municipal para direcionar licitações e contratações a pelo menos seis empresas fornecedoras de produtos e serviços.

DE SALVADOR PARA BH

“Com o fim do mandato de ACM Neto na prefeitura de Salvador, e a partir de 2024, a organização criminosa ampliou sua área de atuação para a capital mineira mediante a ocupação dos seus integrantes em pontos chave da administração municipal”, está escrito em outro trecho do relatório divulgado pela CNN.

ACM Neto comandou a Prefeitura de Salvador entre 2013 e 2020.

MEDIDAS SOLICITADAS PELA PF TEM APOIO DE GONET

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente às medidas solicitadas pela PF durante a investigação.

Em parecer encaminhado no início de fevereiro ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), Gonet afirmou, segundo a reportagem, que os elementos reunidos pelos investigadores seriam consistentes em relação à materialidade dos fatos e à possível participação dos investigados na organização criminosa.

A PGR também sustentou que nova operação poderia permitir a obtenção de documentos, registros, aparelhos eletrônicos, mídias e outros materiais considerados relevantes para o aprofundamento da apuração.

Para Gonet, os elementos apresentados pela PF indicavam ainda que o grupo investigado teria permanecido em atividade mesmo depois das primeiras etapas da Operação Overclean.

BUSCA E BLOQUEIO DE R$ 77,8 MILHÕES

A PF solicitou ao STF autorização para realizar busca e apreensão contra ACM Neto. A corporação sustentou que o candidato teria participado da inserção de integrantes do grupo investigado na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.

Os investigadores também pediram o bloqueio de até R$ 77,8 milhões em bens e valores de ACM Neto. Segundo a PF, o montante corresponde aos pagamentos realizados em três contratos analisados no curso da investigação.

O ministro Nunes Marques, porém, rejeitou as medidas contra o candidato.

Embora tenha autorizado outras providências na operação, o ministro considerou que os elementos apresentados não eram suficientes para justificar busca e apreensão ou bloqueio patrimonial contra ACM Neto naquele momento.

Nunes Marques permitiu medidas consideradas mais invasivas contra auxiliares e assessores investigados, com o objetivo de buscar provas que pudessem confirmar ou afastar as suspeitas apresentadas pela Polícia Federal.

A decisão judicial, portanto, não confirmou a conclusão da PF sobre ACM Neto e entendeu que as provas reunidas até então não sustentavam as medidas solicitadas diretamente contra ele.

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Fonte: Hora do Povo

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