PF abre nova investigação sobre o generoso empréstimo do BRB para Flávio comprar mansão
Por Hora do Povo — Hora do Povo

Empréstimo de R$ 3,1 milhões, concedido na gestão Ibaneis Rocha (GDF) e de Paulo Henrique Costa (BRB), hoje preso na Papuda, foi concedido a taxas bem abaixo das praticadas pelo banco à época
Além dos enroscos do candidato Flávio Bolsonaro em torno das relações tenebrosas com o presidiário Daniel Vorcaro, agora, a Polícia Federal resolveu abrir uma nova frente de investigação em torno de um negócio que envolveu um empréstimo de R$ 3,1 milhões, através do BRB – o mesmo banco que pretendia comprar a arapuca do Master, gerando prejuízos bilionários ao Distrito Federal.
O empréstimo serviu para o hoje candidato da extrema-direita adquirir uma mansão em Brasília, situada em uma área nobre da capital e avaliada em torno de R$ 6 milhões.
O problema é que o negócio parece ter sido uma negociata, pois o financiamento firmado por Flávio Bolsonaro foi baseado em uma taxa de juros de 3,71% ao ano, portanto, bem abaixo da média praticada pelo próprio BRB no ano de 2021, quando a operação foi concretizada, em parcelas a serem pagas em 30 anos.
Sabe-se, no entanto, que o beneficiado, muito conhecido pelas “rachadinhas” quando exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro e pela lavanderia operada através de uma loja de chocolates, em apenas 3 anos, quitou o valor do empréstimo, algo que os brasileiros comuns, inclusive os de renda alta, dificilmente conseguem fazer.
Mas, em matéria de operações suspeitas, em torno de valores milionários, o candidato bolsonarista é bem conhecido na praça, principalmente depois da revelação de ter recebido a bagatela de R$ 134 milhões para financiar a cinebiografia do pai, Dark Horse, cuja exibição, para alívio de quem gosta de um bom cinema, não chegou nem mesmo às telonas do Brasil.
Vale lembrar, também, que, à época em que o financiamento foi firmado, exercia a presidência do BRB Paulo Henrique Costa, preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde 16 de abril deste ano, outro amigo íntimo de Vorcaro, tendo recebido do ex-banqueiro presentes milionários, entre os quais alguns apartamentos.
Costa, detido na Operação Compliance Zero – a mesma que prendeu Vorcaro, foi indicado para presidir o BRB pelo ex-governador Ibaneis Rocha, outro adepto do bolsonarismo, cujo projeto era candidatar-se ao Senado Federal por Brasília nas eleições deste ano, mas teve que recolher os flaps diante do escândalo do BRB, que ainda está sob investigação da Polícia Federal para identificação das responsabilidades pelos rombos bilionários.
Outro motivo que gerou o recuo de Ibaneis foi o abandono dos aliados bolsonaristas locais, que lançaram outra candidatura ao Senado.
Costa é acusado de não seguir práticas de governança e permitir negócios do BRB com o Banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentem seu valor, auxiliando no esquema de fraudes de Vorcaro.
As irregularidades no empréstimo a Flávio já haviam sido apontadas pela auditoria independente que o BRB contratou depois da mudança na diretoria. A PF recebeu o relatório da auditoria em fevereiro.
Quando a compra da mansão de R$ 6 milhões foi revelada, Flávio Bolsonaro alegou que a operação foi legal e que a antecipação do pagamento era resultado da venda do imóvel onde morava e da participação em uma loja de chocolates da qual ele era sócio.
Essa loja é a mesma que é alvo de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro, que apontou que a franquia da Kopenhagen no Shopping Via Park, na Barra da Tijuca, teria sido utilizada para lavagem de dinheiro do esquema de “rachadinhas” do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Mais uma confusão, entre as tantas de sua folha corrida, para o candidato que pretende eleger-se presidente da República no pleito deste ano.
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Fonte: Hora do Povo