Pesquisas acertaram votação de Lula, mas subestimaram Flávio Bolsonaro em 4,3 pontos

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – As pesquisas divulgadas às vésperas do primeiro turno de 2026 se aproximaram mais do resultado obtido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que do desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), cuja votação foi subestimada de forma consistente pelos principais institutos analisados.

Segundo levantamento do BTG Pactual reproduzido pelo Brazil Stock Guide, a média simples das últimas pesquisas de dez institutos ficou apenas 0,28 ponto percentual abaixo da votação de Lula, enquanto subestimou Flávio Bolsonaro em 4,33 pontos percentuais.

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, uma vantagem de 1,87 ponto percentual.

Mais do que a diferença média, o estudo chama atenção para um padrão: todos os dez levantamentos considerados pelo BTG projetaram para Flávio Bolsonaro um percentual inferior ao efetivamente registrado nas urnas. No caso de Lula, por outro lado, os erros ocorreram nas duas direções, com pesquisas que o superestimaram e outras que o subestimaram.

A discrepância permanece mesmo quando são consideradas as margens de erro divulgadas pelos institutos.

Entre as pesquisas sobre Lula, seis de dez ficaram dentro das respectivas margens de erro: Gerp, Quaest, PoderData, Datafolha, Real Time Big Data e Nexus. AtlasIntel, Futura, CNT/MDA e Meio/Ideia ficaram além das margens declaradas.

Para Flávio Bolsonaro, o cenário foi significativamente diferente.

O Gerp foi o único instituto que ficou claramente dentro da margem de erro. A pesquisa apontava Flávio com 46%, apenas 1,03 ponto abaixo dos 47,03% registrados nas urnas, diante de uma margem de ±2 pontos percentuais.

Quaest e Futura ficaram praticamente no limite de suas margens. A Quaest projetou 45% para Flávio, diferença de 2,03 pontos em relação ao resultado final, com margem de ±2 pontos. A Futura registrou 44,8%, uma distância de 2,23 pontos, diante de uma margem de ±2,2 pontos.

Como os resultados divulgados pelos institutos são arredondados, diferenças de poucos centésimos tornam inadequado classificar esses dois casos como desvios claramente superiores às margens informadas.

Nos outros sete levantamentos, no entanto, a diferença entre a pesquisa e a votação de Flávio Bolsonaro superou de forma mais evidente a margem declarada.

O PoderData apontou 43%, resultado 4,03 pontos inferior ao das urnas, com margem de ±1,5 ponto. A AtlasIntel registrou 44,1%, diferença de 2,93 pontos, para uma margem de ±1 ponto.

O Datafolha atribuiu 42% a Flávio, ficando 5,03 pontos abaixo de sua votação, com margem de ±2 pontos. A Real Time Big Data indicou 41%, diferença de 6,03 pontos, também com margem de ±2 pontos.

A CNT/MDA projetou 42,1%, resultado 4,93 pontos inferior ao registrado nas urnas, diante de margem de ±2,2 pontos.

As maiores diferenças foram encontradas nos levantamentos da Nexus — contratada pelo próprio BTG — e da Meio/Ideia. Após conversão feita pelo banco para votos válidos, as pesquisas indicavam, respectivamente, 39,4% e 39,6% para Flávio Bolsonaro.

Os números ficaram 7,63 e 7,43 pontos abaixo dos 47,03% alcançados pelo candidato do PL.

Há, porém, uma ressalva metodológica nesses dois casos. Os percentuais utilizados pelo BTG foram recalculados para votos válidos, enquanto as margens de erro divulgadas originalmente se referiam aos números apresentados pelas pesquisas antes da conversão.

O levantamento também destaca que a subestimação de Flávio Bolsonaro não significa que oito das dez pesquisas tenham necessariamente apontado uma liderança estatisticamente significativa de Lula. Em vários levantamentos, a diferença entre os candidatos estava dentro da margem de erro, situação apresentada como empate técnico.

Por isso, a principal conclusão da comparação não é simplesmente que as pesquisas indicaram um candidato diferente na liderança, mas que praticamente todos os levantamentos detectaram uma parcela menor do eleitorado de Flávio Bolsonaro do que aquela que efetivamente compareceu às urnas.

Ao considerar a soma dos erros absolutos dos dois candidatos, o Gerp apresentou o desempenho mais próximo do resultado eleitoral. O instituto acumulou uma diferença combinada de 2,19 pontos percentuais ao projetar Flávio com 46% e Lula com 44%, ambos dentro da margem de ±2 pontos.

A Quaest apareceu na sequência, com erro agregado de 2,87 pontos percentuais.

A comparação com as urnas, entretanto, exige cautela. A margem de erro de uma pesquisa representa principalmente a incerteza associada à amostragem e não contempla necessariamente outros fatores capazes de provocar diferenças entre os levantamentos e o resultado eleitoral.

Entre eles estão mudanças de voto depois do encerramento do trabalho de campo, diferenças de comparecimento às urnas entre grupos do eleitorado, critérios de ponderação das amostras, dificuldade de alcançar determinados perfis de eleitores e particularidades do método de coleta.

Fonte: Brasil 247

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