Pé-de-Meia ajuda famílias e aproxima jovens da faculdade em Goiânia
Por Tiago Vechi — Jornal Opção

Durante visita ao Instituto Federal de Goiás (IFG), o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou o retorno econômico projetado para o programa Pé-de-Meia. “O investimento realizado no Pé-de-Meia retorna em mais de 15 vezes o gasto anual”, afirmou.
Um estudo elaborado por pesquisadores do Núcleo de Estudos Raciais do Insper (Neri), intitulado Quanto vale um Pé-de-Meia? Uma estimativa dos retornos potenciais do programa, estima em R$ 184,6 bilhões o benefício bruto, em valor presente, gerado pela política pública. A pesquisa também projeta que o programa contribua para 372 mil conclusões adicionais do ensino médio por ano.
Para compreender como esse impacto aparece na vida de quem recebe o benefício, o Jornal Opção conversou com estudantes do ensino médio de Goiânia. Os relatos mostram que o dinheiro é usado de diferentes maneiras, mas tem em comum a função de aliviar despesas das famílias, ajudar na permanência na escola e criar condições para que os jovens projetem a continuidade dos estudos.
Dinheiro que ajuda dentro de casa
Laura das Neves, estudante do terceiro ano do CEPI Professor Pedro Gomes, participa do Pé-de-Meia desde o início. Ela recebe R$ 200 mensais e costuma dividir o valor com a mãe.
“Como eu recebia R$ 200, eu pegava R$ 100, dava para minha mãe para ajudar e o resto ficava para mim”, relata.
A mãe de Laura trabalha como babá e é a principal responsável pelas despesas da família, formada ainda pelos filhos e pela avó. A estudante afirma que o dinheiro recebido por ela e pela irmã ajuda a distribuir os gastos da casa.
“Eu e minha irmã conseguimos pegar ali mais ou menos duas contas. Aí já facilita para minha mãe”, afirma.

O recurso também é utilizado por Laura para despesas do cotidiano, como alimentação e produtos para o cabelo. Ela cita, por exemplo, a compra de uma caneta com maior valor agregado. Para a estudante, a possibilidade de dividir o dinheiro entre as necessidades da família e as próprias despesas faz diferença no orçamento.
A experiência de Letícia Ferreira, aluna do segundo ano do CEPI Professor Pedro Gomes, também está ligada às despesas domésticas. Ela começou a receber o benefício no ano passado e afirma que percebeu o efeito imediatamente. “Muito, muito grande, porque ele ajuda bastante a gente em casa, em questão de gastos”, conta.
Segundo Letícia, o dinheiro também é utilizado para despesas relacionadas à escola e ao deslocamento. Ela diz que a ajuda financeira tornou mais fácil conciliar os estudos com a realidade econômica da família.
Um dinheiro que também prepara para o futuro
Além do valor recebido mensalmente, o programa prevê depósitos anuais que ficam acumulados até a conclusão do ensino médio. Ao fim dos três anos, o estudante pode chegar a R$ 3 mil guardados, além do incentivo adicional relacionado à participação no Enem.
Para Letícia, esse dinheiro já tem destino planejado. Ela pretende utilizar o recurso para investir na própria formação quando chegar à faculdade. “Eu quero investir, dependendo da minha faculdade, em coisas justamente para não ter muito gasto”, afirma.
A estudante pretende cursar Educação Física e considera utilizar o dinheiro em capacitações e para ajudar nas despesas durante a graduação. Laura também pretende continuar estudando. No terceiro ano do ensino médio, ela planeja cursar Direito e tem como prioridade ingressar em uma universidade pública.
Para ela, o benefício representa uma possibilidade de chegar à próxima etapa com algum recurso guardado. A estudante afirma que, se houver organização, parte do dinheiro recebido pode ser poupada.
Entre os colegas, diferentes destinos para o benefício
Embora as duas estudantes utilizem o dinheiro para ajudar nas despesas familiares e escolares, elas relatam que os colegas têm diferentes prioridades.
Letícia afirma que parte dos estudantes utiliza o recurso principalmente para ajudar em casa, enquanto outros destinam o dinheiro a gastos relacionados aos estudos e ao transporte.
“Os relatos que eu já escutei justamente pelo mesmo intuito: ajudar em casa”, afirma. Ela também cita despesas para se locomover entre a residência e a escola e outros custos da vida escolar.
Laura percebe a mesma diferença. Segundo ela, há estudantes que conseguem utilizar o dinheiro para despesas pessoais, enquanto outros precisam contribuir diretamente com as contas da família.
Na casa dela, o benefício recebido por duas irmãs acaba funcionando como uma divisão adicional das despesas. A estudante também conta que a família recebe outros auxílios, entre eles o Bolsa Estudo, do governo de Goiás.
Letícia também recebe um benefício estadual, mas por outra razão. Ela é atleta de handebol e recebe Bolsa Atleta por integrar uma equipe escolar que disputa competições.

Benefício como caminho para a faculdade
Para as duas estudantes, o dinheiro não representa apenas uma ajuda durante o ensino médio. Ele também influencia a maneira como enxergam os próximos anos.
Letícia afirma que o Pé-de-Meia aproxima o objetivo de chegar ao ensino superior. Questionada se o benefício tornou a faculdade uma possibilidade mais próxima, responde: “Aproxima sim, com certeza.”
Ela pretende cursar Educação Física e vê os recursos acumulados como uma forma de reduzir os custos da graduação.
Laura, por sua vez, quer estudar Direito. A estudante pretende disputar uma vaga em uma universidade pública, mas considera também a possibilidade de uma bolsa em uma instituição particular.
Nos dois casos, o recurso recebido durante o ensino médio aparece como um apoio para atravessar o período entre a escola e a faculdade. Para as famílias, representa dinheiro disponível no presente; para as estudantes, também pode significar uma reserva para o futuro.
O impacto projetado pelo estudo
A estimativa de retorno econômico do Pé-de-Meia considera justamente os efeitos que podem surgir quando mais jovens permanecem na escola e concluem o ensino médio.
Segundo o estudo do Insper, entre os jovens de 15 a 19 anos, o programa produziria um aumento de 2,07 pontos percentuais na taxa de permanência e conclusão, o equivalente a cerca de 145,6 mil formandos adicionais por ano.
Entre os estudantes de 20 a 24 anos, faixa que inclui a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o impacto estimado é de 6,37 pontos percentuais, com aproximadamente 226,1 mil conclusões adicionais anuais.
A lógica é que o efeito da política não termina quando o estudante recebe o último pagamento. A conclusão do ensino médio amplia as possibilidades de ingresso no ensino superior e no mercado de trabalho e, consequentemente, pode elevar a renda ao longo da vida.
É nesse intervalo entre a necessidade imediata e o planejamento do futuro que o programa aparece nas histórias de Laura e Letícia. Enquanto uma parte do dinheiro ajuda a pagar despesas da casa, outra pode ser guardada para a faculdade, material ou capacitação.
Para as estudantes, portanto, permanecer na escola deixa de ser apenas uma obrigação e passa a estar associada também a um recurso que ajuda a família no presente e pode abrir caminho para novos planos depois da formatura.
Leia mais: Veja quando inicia os pagamentos da primeira parcela do programa Pé-de-Meia
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Fonte: Jornal Opção