Pausas para atividades físicas curtas podem melhorar funções cognitivas, aponta estudo

0

Por Tiago SouzaCarta Capital

Menu

Revisão de ensaios clínicos indica que interromper o sedentarismo com exercícios rápidos pode melhorar o funcionamento cerebral

Uma revisão de 25 ensaios clínicos randomizados, publicada na plataforma Preprints, aponta que pequenas sessões de atividade física, de até dez minutos, realizadas ao longo do dia, produzem efeitos sobre funções cognitivas como flexibilidade mental e controle inibitório. A pesquisa foi conduzida por Yongming Li, da Universidade de Esporte de Xangai, na China, e reuniu dados de 1.115 pessoas com idades entre 8 e 78 anos.

Os 25 estudos analisados investigaram os chamados “exercise snacks”, sessões de atividade física que não ultrapassam dez minutos e são realizadas ao menos duas vezes por dia. Nos testes, participantes que passavam horas sentados interrompiam o período sedentário com sessões curtas de exercício, realizadas em diferentes intervalos, incluindo 30 minutos ou uma hora.

As atividades incluíram ioga, alongamento em cadeiras, subida de dois lances de escada, caminhada em esteira, exercícios de resistência, corrida parada, bicicleta ergométrica e modalidades de alta intensidade, como elevação de pernas e polichinelos.

Os resultados foram medidos pela escala estatística conhecida como Hedges’ g, na qual 0,2 indica efeito pequeno, 0,5 efeito médio e 0,8 ou acima, efeito grande. O índice geral da revisão ficou em 0,24. Quando o hábito se manteve por várias semanas, o efeito subiu para 0,51. Em ambientes escolares ou de trabalho, alcançou 0,61.

Segundo os pesquisadores, os ganhos cognitivos foram mais consistentes quando as pausas ativas ocorreram em contextos de estudo ou trabalho. Mark Hamer, do University College London, afirmou que os achados são plausíveis, embora a interpretação do tamanho do efeito seja dificultada pela diferença de estágio de desenvolvimento cognitivo entre os participantes mais jovens e os mais velhos.

“É interessante sobretudo com as crianças e essa ideia de tentar fracionar as aulas, o que poderia envolver um professor pedindo que os alunos se levantem ou pulem no lugar”, disse Hamer.

Mike Trott, da Universidade de Queensland, na Austrália, que não participou do estudo, destacou que o diferencial da pesquisa é apontar efeitos imediatos. “O exercício melhora praticamente todos os domínios que se possa imaginar, incluindo a cognição no longo prazo. O interessante aqui é que esse efeito é imediato”, afirmou.

A revisão também identificou uma associação entre intervalos mais longos e efeitos cognitivos maiores, com pausas de uma hora apresentando efeito ligeiramente superior às de 30 minutos. Trott explicou que a hipótese principal para o efeito do exercício sobre o cérebro envolve a liberação de dopamina e noradrenalina, que aumentam o fluxo sanguíneo.

Esse processo melhora temporariamente o funcionamento cerebral e, em períodos mais longos, pode aumentar o volume do hipocampo, ligado à memória, e o desempenho do córtex pré-frontal, associado à concentração e à tomada de decisão.

“Os efeitos imediatos da dopamina e da noradrenalina duram mais de uma hora, então, se os lanches de exercício forem mais frequentes do que isso, qualquer efeito extra será muito pequeno, porque você ainda estará surfando a onda do primeiro”, disse Trott.

Hamer acrescentou que as orientações atuais sobre pausas durante o dia se baseiam sobretudo em evidências de efeitos cardiovasculares e metabólicos, e que o trabalho sobre lanches de exercício reforça os benefícios de fracionar a rotina com frequência. “Mesmo que seja apenas levantando ou subindo e descendo escadas”, completou.

A Organização Mundial da Saúde recomenda no mínimo 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa. Cerca de 31% dos adultos não atingem essas metas, o que tem ampliado o interesse por sessões curtas de movimento ao longo do dia.

*Conteúdo produzido com auxílio de IA sob a supervisão de um profissional do CartaLab.


CartaLab

Agenda cultural, novidades científicas e utilidade pública. Informação com a velocidade da IA, sob zelosa supervisão e curadoria humana

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.


Desenvolvido por OKN Technology Agency

Fonte: Carta Capital

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *