Paulo Teixeira pede que STF investigue Tarcísio por possível obstrução no caso Dark Horse
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – Uma petição enviada ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pede a ampliação das investigações relacionadas ao caso Dark Horse para apurar a eventual participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, na deflagração e na condução de uma operação anterior da Polícia Civil paulista. A informação foi revelada pela coluna de Bela Megale, no jornal O Globo.
O pedido foi protocolado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) e mira a Operação Wi-Fi, realizada em 1º de junho, antes da Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas à produção do filme “Dark Horse”, inspirado na biografia de Jair Bolsonaro.
Segundo a petição, a Operação Wi-Fi atingiu alvos que já estavam no radar da investigação federal sobre o caso. O deputado sustenta que o intervalo entre as duas ações policiais pode ter aberto espaço para eventual manipulação do material apreendido.
Um dos pontos centrais do pedido é a cadeia de custódia das provas. De acordo com o documento, o Instituto de Criminalística de São Paulo recusou, em junho, o recebimento de ao menos 17 aparelhos apreendidos por falhas nos lacres.
A petição afirma que, em pelo menos 13 desses equipamentos, havia espaço suficiente para a passagem de cabos de alimentação e de transferência de dados. Na avaliação apresentada ao STF, isso poderia permitir acesso ao conteúdo dos aparelhos sem rompimento aparente dos lacres.
Ainda segundo o pedido, os equipamentos só teriam sido relacrados cerca de sete dias depois. Para o deputado, esse intervalo precisa ser investigado para esclarecer se houve irregularidade na preservação das provas ou se os problemas decorreram de falhas na atuação policial.
O documento cita nominalmente Tarcísio de Freitas, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, e o delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian.
No caso do governador, a petição pede que seja apurada sua eventual participação na decisão de deflagrar a operação na data escolhida e na condução posterior do caso. O pedido menciona ainda possível interesse político, já que o episódio envolveria parlamentares ligados a Tarcísio em ano eleitoral.
Entre as diligências solicitadas estão a análise das comunicações entre o Palácio dos Bandeirantes, a Secretaria de Segurança Pública e a Delegacia-Geral da Polícia Civil no período entre maio e setembro. A petição também pede investigação sobre a cadeia de custódia dos aparelhos apreendidos e uma perícia comparativa entre o material recolhido em junho e aquele obtido posteriormente na Operação Make Up.
Apesar de citar o governador, o pedido não solicita a abertura de inquérito contra Tarcísio no STF. Como ele tem foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a petição requer que, caso surjam elementos de responsabilidade pessoal, as informações sejam encaminhadas à Procuradoria-Geral da República para adoção das medidas cabíveis no tribunal competente.
O documento ressalta que as suspeitas apresentadas são “hipóteses de trabalho”. Caberá à investigação, segundo a própria petição, verificar se houve alguma irregularidade na operação da Polícia Civil paulista ou se os problemas apontados decorreram de falhas operacionais.
Fonte: Brasil 247