Dark Horse: investigação revela elo entre produtora do filme, ONG e integrante do PCC
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – As investigações sobre a utilização de emendas parlamentares por empresas vinculadas a Karina da Gama, proprietária da organização não governamental Instituto Conhecer Brasil (ICB) e da produtora Go Up Entertainment — responsável pelo projeto da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse —, revelaram uma conexão direta com Alex Leandro Bispo dos Santos. Apontado pelas autoridades como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Santos cumpre prisão preventiva e responde também pelo crime de feminicídio, informa reportagem da revista Exame.
O elo foi identificado no âmbito de um contrato firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a prestação de serviços de instalação e manutenção de pontos de conexão sem fio (wi-fi). Conforme o relatório elaborado pela Polícia Civil de São Paulo e encaminhado ao Ministério Público, a empresa mantida por Santos foi subcontratada para executar a infraestrutura de internet. Os investigadores destacaram uma “expressiva discrepância econômica entre os valores anteriormente praticados pelo município e aqueles pactuados com o Instituto Conhecer Brasil”.
Enquanto os contratos prévios mantidos pela administração municipal com a empresa pública Prodam estabeleciam o custo de R$ 230 para a implantação e R$ 306 mensais para a manutenção de cada ponto de acesso, o arranjo firmado com a ONG de Karina Gama estipulou o pagamento de R$ 1,8 mil por mês por ponto instalado. A gravidade dos fatos levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a retirar o sigilo dos documentos do processo. Em sua decisão, Dino destacou que a suposta organização sob investigação “alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC”.
Alex Leandro Bispo dos Santos figurava como sócio único da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia, contratada pelo ICB por um valor total de R$ 12 milhões dentro do programa municipal de internet gratuita. Santos controlava integralmente a entidade no momento da celebração do contrato e, até dezembro de 2025 — quando foi detido —, havia repassado ao seu patrimônio cerca de R$ 2 milhões. Com um histórico criminal de duas décadas, Santos acumula condenações por estelionato, roubo e receptação, encontrando-se atualmente custodiado sob a acusação de ter assassinado sua então companheira.
A Polícia Civil ressaltou ainda irregularidades formais no instrumento contratual original entre o ICB e a Favela Conectada, registrando a “ausência de dados essenciais de qualificação do representante da empresa, identificado apenas como ‘Alex’, posteriormente apontado como Alex Leandro Bispo dos Santos, preso preventivamente por feminicídio”.
Após a prisão de Santos em dezembro de 2025, a estrutura societária da empresa passou por alterações suspeitas. O controle foi formalmente transferido para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que registrava o mesmo endereço residencial do antigo proprietário. A movimentação ocorreu sem qualquer mudança prática na condução dos serviços, o que levantou fortes suspeitas dos investigadores quanto a uma estratégia de “blindagem patrimonial e ocultação de pessoas”. Posteriormente, a razão social do negócio foi alterada para Urban Connect, entidade classificada pela Polícia Civil como suspeita de atuar em “desvio de finalidade de verbas públicas e simulação contratual”.
Registros de prestação de contas entregues pelo ICB à Prefeitura de São Paulo indicam que a Favela Conectada declarou ter instalado mais de 900 pontos de internet, recebendo montantes que ultrapassam R$ 3,8 milhões até o final de 2025. Os documentos anexados aos autos confirmam que a contratação da Favela Conectada partiu do ICB para a execução do programa Wi-Fi Livre, não havendo evidências até o momento de que Alex Leandro tenha atuado diretamente na produção do filme Dark Horse ou mantido contato pessoal com a equipe do longa-metragem fora das obrigações do contrato de conectividade.
Fonte: Brasil 247