Pastor da Assembleia de Deus no DF é investigado pela PF em operação sobre Dark Horse
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O pastor evangélico e empresário Ademar de Sena Sampaio figurou entre os alvos da operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de irregularidades envolvendo os produtores de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), informa o Metrópoles.
Segundo consta nos autos do processo, Ademar de Sena Sampaio é identificado como um dos principais elos de ligação entre Karina da Gama — empresária ligada à produção do filme e sócia da produtora Go Up Entertainment — e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também foi alvo da ação policial. O investigado mantinha proximidade política com o parlamentar paulista.
Ademar figura como sócio-dirigente da Upcon Serviços Especializados, empresa constituída em 2016 com foco no ramo da construção de edifícios e capital social registrado em R$ 800 mil. A empresa passou a ser investigada por ter firmado contratos para a execução de obras no município de Camacan, no estado da Bahia, abrangendo a construção de um galpão industrial e de módulos sanitários. Parte das verbas para o custeio das obras municipais teve origem em emendas do chamado “Orçamento Secreto”, além de repasses originados por uma deputada do PCdoB.
Além da atuação empresarial, Ademar acumulava funções na administração pública e em entidades religiosas no Distrito Federal. O investigado ocupava cargo de assessor comissionado no gabinete do deputado distrital Iolando (MDB) desde outubro de 2019, além de exercer a função de primeiro-tesoureiro da igreja Assembleia de Deus de Brasília.
Conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a instituição religiosa foi identificada como uma das principais remetentes de valores para a conta bancária pessoal do pastor. O relatório detalha duas transferências distintas no período compreendido entre junho de 2025 e junho de 2026: a primeira no valor aproximado de R$ 31,5 mil e a segunda na quantia de cerca de R$ 22,3 mil, somando um total superior a R$ 53,8 mil repassados ao investigado.
Apesar de a decisão judicial detalhar os vínculos do pastor investigado pela PF, o texto não descreve uma conduta específica atribuída a Ademar diretamente relacionada ao suposto desvio das verbas dos termos de fomento. Ainda assim, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram impostas medidas cautelares ao investigado. Entre as restrições impostas estão a proibição de comunicação direta ou indireta com os demais investigados, a retenção de passaportes e a proibição de se ausentar do país sem autorização judicial prévia.
Entenda o caso
A operação, batizada pela Polícia Federal de Make Up, foi deflagrada na quinta-feira (10) e contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A ação teve como alvos centrais o deputado federal Mário Frias e a empresária Karina da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, envolvida na elaboração da obra cinematográfica sobre Jair Bolsonaro.
Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, a operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão expedidos pela Suprema Corte, distribuídos entre o Distrito Federal e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. As investigações buscam apurar o desvio de recursos públicos originados de emendas parlamentares repassadas para uma organização da sociedade civil por meio de termos de fomento, além de movimentações financeiras atípicas que somam centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema.
Fonte: Brasil 247