Participação de mulheres na criação de séries nos EUA cai ao menor nível em quase uma década
Por Cine NINJA — Mídia NINJA
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Relatório “Boxed In” aponta queda na presença feminina entre criadoras, diretoras e personagens na televisão americana em 2025–26
Por Helô Alves
A participação de mulheres na criação de séries de televisão nos Estados Unidos caiu para o menor patamar em quase uma década, segundo a mais recente edição do relatório anual “Boxed In”. O levantamento acompanhou mais de 2.500 personagens e cerca de 3.600 créditos de bastidores na temporada televisiva de 2025–26.
O “Boxed In” é conduzido desde 1997–98 pelo Center for the Study of Women in Television & Film, vinculado à San Diego State University, e tem como fundadora e responsável a pesquisadora Dra. Martha M. Lauzen.
Na edição anterior, o estudo havia registrado o que a imprensa especializada chamou de “ganhos históricos”. A Variety noticiou, em 2025, que a participação feminina na criação de séries de streaming havia saltado para 36%. O novo levantamento mostra que o avanço não se sustentou. O percentual de mulheres na criação de séries de streaming caiu para 24% em 2025–26, revertendo o salto do ano anterior. Na TV aberta, a proporção também recuou, de 20% para 19% no mesmo intervalo.
“Os números de mulheres criando programas nas duas plataformas estão hoje mais baixos do que estavam há quase uma década, em 2017–18”, afirmou Lauzen.
A queda se repete na direção. No streaming, o índice de mulheres diretoras caiu de 32% em 2024–25 para 22% em 2025–26, revertendo o crescimento pontual observado após a temporada 2023–24, quando o percentual era de 23%. Na TV aberta, o índice passou de 18% para 16%.
O novo relatório chega meses depois de uma reportagem da revista The Hollywood Reporter apontar a falta de avanço nas funções técnicas ocupadas por mulheres nos bastidores da produção televisiva. A discussão ganhou força em junho, após um vídeo de bastidores da atriz Sydney Sweeney no set da terceira temporada de “Euphoria” circular nas redes sociais, mostrando uma equipe majoritariamente masculina.
A retração também aparece diante das câmeras. A participação de mulheres entre os personagens principais caiu de 49% para 44% no streaming e de 47% para 46% na TV aberta, na comparação entre as duas últimas temporadas.
O relatório aponta ainda uma diferença no envelhecimento das personagens conforme o gênero. Nas duas plataformas, a maioria das mulheres com falas está na casa dos 20 e 30 anos, enquanto a maioria dos homens está entre os 30 e os 40. A presença feminina cai de forma acentuada já na passagem dos 30 para os 40 anos, movimento que só se repete entre os personagens masculinos a partir dos 50.
“A ênfase na juventude para a maioria das personagens femininas coloca a aparência em primeiro plano, enquanto os homens conseguem envelhecer de forma crível em posições de poder pessoal e público, normalizando a percepção de que eles são naturalmente mais poderosos”, afirmou Lauzen.
Para a pesquisadora, personagens plenamente desenvolvidas como as interpretadas por Kathy Bates em “Matlock” e Jean Smart em “Hacks” ainda são exceção, não regra.
Ao longo de seus 27 anos de existência, o “Boxed In” já analisou mais de 65 mil personagens e 80 mil créditos de bastidores, consolidando-se como um dos principais indicadores anuais da presença feminina na televisão americana.
Com informações de The Hollywood Reporter, Variety e Jezebel.
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Fonte: Mídia NINJA