‘Ou o Brasil se reindustrializa, ou corre o risco de morrer como nação’, adverte Elias Jabbour na TV 247
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Em uma análise profunda sobre as encruzilhadas históricas e econômicas do país, o professor, pesquisador e candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, Elias Jabbour, foi o convidado da jornalista Hildegard Angel no programa Conversas com Hildegard Angel, na TV 247. Durante o diálogo, Jabbour alertou para a urgência inadiável de um Projeto Nacional de Desenvolvimento voltado à reindustrialização radical do Brasil e defendeu a superação de dogmas neoliberais que hoje asfixiam a capacidade de investimento do Estado.
Logo na abertura do encontro, Hildegard ressaltou o caráter pedagógico e a densidade da atuação política do economista. “Você nos ensina a ver a política, você nos ensina a ver o Brasil”, pontuou a jornalista, traçando um paralelo entre a importância da candidatura de Jabbour no Rio e nomes de peso do campo progressista que colocam o pensamento estratégico e a soberania no centro da disputa pública.
Reindustrialização como questão de sobrevivência
Ao detalhar suas motivações para ingressar na arena parlamentar, Elias Jabbour enfatizou que o papel do Congresso Nacional deve ser a caixa de ressonância dos grandes dilemas estruturais do país. Segundo o pesquisador, o Brasil enfrenta hoje uma grave assimetria em relação aos países centrais e à China em ciência, inovação e tecnologia de ponta, como semicondutores, inteligência artificial e transição energética.
“Nós temos hoje 40% das pessoas em idade ativa na informalidade, submetidas a remunerações precárias e entregas precarizadas em plataformas de aplicativo. Não se enfrenta o fascismo sem que as pessoas tenham perspectiva real de mobilidade social e futuro. E isso só existe em países industriais”, cravou.
Para Jabbour, o horizonte histórico impõe um ultimato: “Ou o Brasil se reindustrializa e se transforma em uma potência industrial de fato, ou o país pode morrer enquanto nação, virando uma mera expressão geográfica subordinada, a exemplo do que vemos na Argentina atual, com o desmonte de seu parque produtivo e subserviência ao capital externo.”
Reconstrução do mundo do trabalho e dos sindicatos
Provocado por Hildegard Angel a respeito das ilusões vendidas pela retórica do “empreendedorismo” precarizado e o enfraquecimento das estruturas sindicais desde o golpe de 2016, Jabbour foi taxativo:
“Um nacionalismo de esquerda, um nacionalismo ‘high-tech’ 4.0, tem como pilar incontornável uma classe trabalhadora organizada e bem remunerada. É fundamental rever toda a reforma trabalhista operada no governo Temer, sobretudo o seu aspecto mais nocivo, que foi a tentativa de destruição financeira e política dos sindicatos.” O economista destacou que não há experiência civilizatória consistente no mundo ocidental ou oriental sem entidades sindicais e partidos operários fortes com capacidade de pressão e mediação social.
A lição chinesa e o novo socialismo
Com mais de três décadas de estudos dedicados ao desenvolvimento do Oriente e visitas contínuas ao país asiático, Elias Jabbour desfez visões colonizadas sobre a dinâmica econômica chinesa. O professor criticou os setores da esquerda ocidental que capitularam ao neoliberalismo progressista de matriz anglo-saxã, abandonando as pautas anti-imperialistas e a centralidade do trabalho.
“Onde existe hoje entrega real de futuro, planejamento de longo prazo e prosperidade compartilhada? Em países governados por partidos comunistas, com destaque para a China”, afirmou. Jabbour enumerou feitos concretos, como a construção de mais de 50 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade, a retirada de centenas de milhões de cidadãos da pobreza e a transição urbana sem favelização em larga escala, ancorada na propriedade pública da terra e no comando estatal do sistema financeiro.
Rebatendo a tese recorrente da mídia corporativa ocidental de que o crescimento chinês assentou-se em superexploração do trabalho, o especialista foi categórico: “Nenhum país se desenvolve com trabalho escravo. Nos últimos 15 anos, os salários na China subiram de forma consistente acima do PIB, da produtividade e da inflação. O compromisso do modelo chinês aponta para a entrega, até 2035, do maior Estado de bem-estar social da história humana, garantindo acesso universal e robusto a saúde, educação e previdência para 1,4 bilhão de pessoas.”
Atuação parlamentar: limites fiscais e independência programática
Indagado sobre a postura que adotará na Câmara dos Deputados diante de diferentes cenários na Presidência da República, Jabbour traçou limites claros e programáticos:
- Em um governo Lula: Garantiu que integrará a base de sustentação contra o retrocesso, mas com independência para combater aquilo que considera entraves ao desenvolvimento. “O marco zero da nossa atuação será o combate frontal ao arcabouço fiscal e às travas que impedem o país de investir. Nenhum país de renda média ou atrasado fez catching-up tecnológico submetido a camisas de força fiscais.” Além disso, propôs o questionamento das metas de inflação rígidas que sustentam as taxas de juros mais escorchantes do planeta e a retomada da diferenciação constitucional entre capital nacional e capital estrangeiro, revogada na década de 1990.
- Diante de um governo de extrema-direita/bolsonarista: Assegurou que exercerá a oposição mais intransigente e radical sob a ótica nacionalista. “Serei o pior inimigo deles no terreno onde eles mais tentam posar de defensores da pátria. Vou demonstrar diariamente que o bolsonarismo é antinacional, neocolonial e serviçal dos interesses de potências estrangeiras, promovendo a liquidação da nossa soberania.”
Ao final da entrevista, o candidato pontuou a urgência de a juventude se engajar politicamente em torno de projetos estruturais, conectando debates como a redução da jornada de trabalho (o fim da escala 6×1), a segurança pública e a industrialização para frear a expansão do crime organizado nas periferias cariocas e brasileiras.
“Sem reindustrialização, o emprego de qualidade míngua e o crime avança. A saída para o Brasil não reside em fórmulas fáceis, mas na recuperação da coragem de planejar nosso próprio destino”, concluiu. Assista:
Fonte: Brasil 247