Os indecisos na reta final
Por Emir Sader — Brasil 247
Um bom especialista em análises eleitorais chama a atenção para o fato de que, nas eleições de 2022, a esta altura da campanha, havia, segundo as pesquisas, apenas 10% de indecisos. Nesta, há 40%. Uma diferença muito grande.
Significa que o resultado destas eleições está totalmente aberto?
Não exatamente. O patamar de preferências por Lula é constante, regular, mas ele fica na casa dos 30%, enquanto o do filho de Bolsonaro está por volta dos 20%.
Mas as incertezas são bem maiores do que há quatro anos, quando Lula ganhou com uma margem pequena.
Um fator novo, que diferencia o cenário eleitoral do anterior, é que os jovens são a maioria dos desinteressados, que entram na proporção dos indecisos.
Mano Brown, com sua enorme sensibilidade de contato com os jovens, levanta a questão de que a continuidade de Lula, algo que não aparece como novo, mas como antigo, não desperta interesse nos jovens.
Resta saber se esse desinteresse poderia ir até o ponto de se pronunciar pelo adversário de Lula, sem levar em conta o que ele diz, que certamente o afastaria muito dos jovens, pelo caráter conservador e reacionário de suas posições.
Uma parte do caudal de preferências pelo filho de Bolsonaro está nos descontentes, de distintas preferências. Apesar da melhoria evidente nas condições de vida da maioria das pessoas, das alternativas de trabalho, sempre há descontentamentos, que terminam recaindo sobre o governo. O caso do STF, por exemplo, em que Lula não teve interferência concreta e se mostrou totalmente adepto da punição de todos os que tiverem cometido erros, sobra para o governo, porque Alexandre de Moraes apareceu vinculado a Lula, pela postura comum de defesa da democracia.
O próprio Lula reconhece o papel muito importante que Moraes teve na defesa da democracia, mesmo recordando que não foi ele, mas Temer, que o indicou para o STF. Não importa, para uma boa parte das pessoas, se o vínculo entre eles foi positivo ou não. O filho de Bolsonaro explora esse aspecto. Já se vê que o desgaste maior no caso do STF foi para o governo e não para a oposição, apesar dos vínculos escandalosos do seu candidato com Vorcaro, com diálogos e fotos que os atestam.
Para a direita, o desgaste do STF é um objetivo importante. No caso de Moraes, as acusações contra ele recaem no STF e, por esta via, produzem desgaste para Lula. Não sei que proporção dos indecisos está atenta a isto ou terminará se definindo por outras razões, já que a maioria dos jovens está desinteressada em política e o tema é muito denso e chato. Mas os ecos podem lhes chegar como mais um problema para a imagem do governo.
O certo é que a corrupção evidente que aparece nos vínculos de Flávio com Vorcaro não parece ter consequências negativas para ele. Talvez pela insistência, sem prova alguma, nas acusações reiteradas de que Lula seria corrupto. Este parece ser o objetivo dessa acusação da oposição a Lula: diminuir ou neutralizar os efeitos da evidência dos vínculos de Flávio com Vorcaro, com o destino pendente dos milionários recursos transferidos por este.
A primeira pesquisa depois da crise do STF, do Datafolha, dá empate entre os dois, com vantagem para Lula. Demonstra que, apesar dos supostos desgastes maiores para Lula nessa crise, eles não o afetam a ponto de reverter o empate favorável a ele.
Fonte: Brasil 247