“Operadora de emendas” aparece como elo de Cezinha de Madureira com o STF
Por Metrópoles — Igor Gadelha – Metrópoles
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A advogada Mariângela Fialek, apontada pela Polícia Federal (PF) como operadora na Câmara do esquema de emendas parlamentares, aparece agora como uma das peças da investigação contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).
A ligação foi detalhada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou a operação de busca e apreensão contra Cezinha e Valéria Rodrigues Linhares, esposa do parlamentar.
Cezinha de Madureira, presidente da Comissão de Viação e Transporte
Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira
Ministro André Mendonça, do STF
A apuração autorizada por Dino investiga suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Cezinha é investigado por possível tráfico de influência em tribunais superiores.
O novo braço da investigação surgiu justamente a partir do celular da advogada, conhecida na Câmara como Tuca, e que foi apreendido pela PF em dezembro de 2025 durante a Operação Transparência.
A perícia no aparelho revelou conversas entre a advogada, Cezinha e Valéria. Segundo a PF, os diálogos indicam uma divisão de tarefas entre os três. Tuca seria responsável por captar e formalizar as causas junto à Cortes superiores
Na prática, ela aparece como o elo entre os processos judiciais e a influência política que, segundo a investigação, seria exercida pelo parlamentar.
Cezinha, justamente, seria o responsável pelo contato pessoal e direto com ministros de tribunais superiores, segundo a Polícia Federal. Já a esposa do deputado cuidaria de contratos de honorários e cessões de crédito.
No relatório da PF, Fialek aparece conversando com Cezinha e enviando peças, memoriais e informações sobre processos. Em seguida, o deputado dizia ter “falado”, “despachado” ou “pedido” a ministros.
Paralelamente, a advogada firmava contratos com honorários de êxito de valores elevados condicionada ao resultado do julgamento. Um dos episódios apontados pela PF é com a então prefeita de Beberibe (CE), Michele Queiroz, que buscava junto ao STF anular uma investigação do Ministério Público cearense .
O escritório de Tuca firmou contrato de R$ 500 mil, condicionado ao resultado do julgamento. Ela chega a enviar uma mensagem para Cezinha perguntando se ele havia despachado sobre o processo, e o parlamentar respondeu que sim.
Frequência de envio: Diário
Em outro caso, Tuca encaminhou a Cezinha memoriais destinados aos ministros Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes. Nas mensagens, o deputado afirma que seria atendido por Kassio Nunes Marques e que faria um pedido diretamente ao ministro.
Como noticiou a coluna, o deputado é aliado de primeira hora de André Mendonça. Ao mesmo tempo, é muito ligado ao advogado Daniel Bialski, que entrou para a defesa de Daniel Vorcaro no início de agosto de 2026.
Para Dino, os diálogos indicam, em análise preliminar, que Cezinha não se limitava ao encaminhamento de documentos, mas se comprometia a formular pedidos pessoais aos julgadores.
A PF concluiu que Tuca e Valéria teriam estabelecido uma parceria para buscar decisões favoráveis em processos no STF, “contando com o auxílio de Cezinha de Madureira”.
Tuca já está no centro de outra frente de investigação. A servidora é apontada pela PF como responsável por centralizar e operacionalizar indicações de emendas na Câmara.
A advogada é investigada por suspeitas relacionadas ao direcionamento irregular desses recursos. A defesa de Fialek afirma que sua atuação era “estritamente técnica, apartidária e impessoal”.
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Fonte: Igor Gadelha – Metrópoles