Oficinas gratuitas em Goiânia ensinam a transformar habilidades em fonte de renda

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Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Oficinas gratuitas em Goiânia ensinam a transformar habilidades em fonte de renda

A produção artesanal de chocolates, a cozinha rural e a fabricação de cerâmicas estão entre as atividades oferecidas gratuitamente pela UNIALFA, em Goiânia, nos dias 19 e 20 de outubro. A programação integra uma iniciativa da Escola de Negócios da instituição, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Goiás (Senar Goiás), para capacitar pessoas interessadas em empreender, ampliar a renda ou aprimorar pequenos negócios.

A iniciativa contará com a Carreta Gastronômica, que ficará na Unidade Perimetral da instituição. Na segunda-feira, 19, a estrutura estará aberta para exposição. Já na terça-feira, 20, a partir das 13h, serão realizadas oficinas, demonstrações e atendimentos voltados à comunidade.

A programação inclui produção artesanal de chocolates, cozinha rural, produção artesanal de cerâmicas e cozinha show, além de feira gastronômica, apresentações culturais e exposição de produtos. Paralelamente, professores e estudantes da Escola de Negócios da UNIALFA vão oferecer orientações sobre planejamento, controle de custos, formação de preços, crédito, marketing, redes sociais, comercialização e formalização de empresas.

Segundo a coordenadora da Escola de Negócios da UNIALFA, Nívea Bernardes, a proposta é atender tanto quem já tem uma ideia de negócio quanto quem ainda não sabe qual atividade poderia desenvolver para complementar a renda. “Muitas vezes, a pessoa quer empreender um novo negócio ou precisa complementar uma renda, mas não sabe por onde começar. Nesse sentido, a UNIALFA, cumprindo seu papel social por meio das atividades de extensão, desenvolve ações para auxiliar a comunidade”, afirmou ao Jornal Opção.

De acordo com Nívea, os participantes terão acesso a orientações que vão desde a escolha da atividade até os primeiros passos para estruturar o empreendimento. Quem ainda não definiu o que pretende fazer poderá conversar com as equipes para conhecer possibilidades, enquanto aqueles que já têm uma ideia receberão instruções mais específicas sobre como colocá-la em prática.

“Se eu quero comercializar bolos, por exemplo, por onde começo? Que equipamentos preciso? Qual é o valor necessário para iniciar? Preciso abrir uma empresa? Se precisar de financiamento, quais são as linhas de crédito disponíveis? Como vou divulgar meu negócio?”, explica a coordenadora. A intenção, segundo ela, é oferecer um atendimento que contemple tanto a parte prática da produção quanto os aspectos administrativos necessários para manter a atividade.

Formação de preços é um dos principais desafios

Um dos pontos centrais da orientação será a formação do preço de venda, etapa que pode determinar se um pequeno empreendimento terá lucro ou acumulará prejuízos. A dificuldade aparece quando o empreendedor estabelece o valor de um produto com base apenas no preço praticado pela concorrência, sem calcular quanto efetivamente gasta para produzi-lo.

Nívea explica que o primeiro passo é identificar todos os custos envolvidos na atividade, incluindo matéria-prima, despesas operacionais e remuneração de quem trabalha no negócio. A partir dessas informações, é possível estabelecer um preço que cubra os gastos e permita obter o retorno esperado.

“Não adianta simplesmente pensar que, porque em todo lugar um bolo é comercializado por R$ 30, eu também vou conseguir vender por esse valor e ter lucro. Precisamos demonstrar, dentro da realidade de cada pessoa, se ela realmente consegue alcançar esse resultado”, diz.

A coordenadora observa que os cálculos variam conforme a estrutura de cada empreendimento. Quem produz em casa, por exemplo, tem despesas diferentes de quem precisa alugar um espaço comercial ou contratar funcionários. A necessidade de buscar financiamento também interfere no planejamento, já que o pagamento das parcelas passa a integrar os compromissos financeiros da atividade.

Por isso, a orientação oferecida durante o evento pretende considerar as particularidades de cada participante, em vez de apresentar uma fórmula única para todos os negócios. A ideia é ajudar o empreendedor a compreender os custos reais da produção e tomar decisões com base em números.

Outro desafio enfrentado por quem começa a empreender é a organização financeira. Em pequenos negócios, especialmente aqueles administrados pelo próprio proprietário, é comum misturar o dinheiro das vendas com os recursos utilizados para pagar as despesas domésticas. Essa prática dificulta a identificação do lucro e pode comprometer a continuidade da atividade.

“Isso é importantíssimo, porque muitos negócios não vão para a frente exatamente por misturar as duas fontes de renda. Uma coisa é o lucro do negócio; outra coisa são as despesas do proprietário. Mesmo que você seja o dono, precisa entender que a empresa tem o papel de gerar renda, mas é necessário saber como administrar aquele lucro”, afirma Nívea.

Segundo ela, retirar todo o dinheiro disponível sem reservar recursos para reinvestimentos e despesas futuras pode impedir que a empresa continue funcionando. O empreendedor precisa conhecer os custos, definir quanto poderá retirar para uso pessoal e estabelecer uma remuneração compatível com o trabalho que realiza.

A coordenadora destaca que o pagamento pelo trabalho do próprio dono também deve entrar no planejamento financeiro. “Da mesma forma que calculo o custo com o pagamento de funcionários, preciso calcular o custo da remuneração do proprietário que está trabalhando. Ele tem esse direito, mas o valor precisa ser especificado e planejado”, explica.

A proposta é mostrar aos participantes que a gestão financeira não é uma etapa secundária do empreendimento. Mesmo uma atividade iniciada com poucos recursos precisa de organização para que o dinheiro das vendas seja suficiente para pagar as despesas, remunerar o trabalho e sustentar o crescimento do negócio.

Formalização pode abrir portas para o crescimento

A formalização também estará entre os assuntos abordados durante os atendimentos. Embora algumas pessoas comecem a vender produtos ou prestar serviços informalmente por receio de assumir compromissos antes de saber se a atividade dará certo, o crescimento do empreendimento pode tornar necessária a regularização.

Nívea afirma que a decisão deve considerar o estágio do negócio e as exigências específicas de cada atividade. Dependendo do empreendimento, podem ser necessários alvarás, autorizações de funcionamento e inspeções sanitárias, entre outras exigências legais. “À medida que a empresa vai crescendo, ela precisa se legalizar, se formalizar. Existem vários benefícios, além de trabalhar dentro da legalidade. Às vezes, a pessoa quer buscar uma linha de crédito com uma taxa mais atrativa ou um período de carência, mas, como pessoa física, não consegue acessar determinadas condições que poderia obter como empresa”, diz.

Durante a programação, os participantes poderão esclarecer dúvidas sobre as alternativas de formalização e os procedimentos necessários para estruturar seus negócios. O objetivo é ajudá-los a compreender quais medidas fazem sentido para a realidade de cada atividade e quais oportunidades podem surgir com a regularização.

Atendimento continua após as oficinas

Além das atividades previstas para os dias 19 e 20 de outubro, a UNIALFA oferece acompanhamento por meio do Núcleo de Práticas Empresariais (NPE) e do Núcleo de Apoio Fiscal (NAF). Conforme Nívea Bernardes, os interessados poderão procurar os núcleos posteriormente, mediante agendamento, para dar continuidade ao planejamento iniciado durante o evento.

O atendimento pode incluir orientação para estruturar o negócio, organizar as finanças, planejar a atividade e compreender procedimentos relacionados à formalização. O NAF também poderá auxiliar em questões fiscais dentro de sua área de atuação.

“Às vezes, a ideia nasce durante a oficina e a pessoa quer estruturar o negócio. Ela pode ter acompanhamento, sim. O Núcleo de Práticas Empresariais faz esse trabalho de planejamento, orientação e estruturação da empresa. Estamos preparados para atender a comunidade e ajudar as pessoas a desenvolverem seu próprio negócio e gerarem renda”, afirma.

A iniciativa também envolve estudantes dos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Logística, Marketing, Gestão Financeira e Gestão de Recursos Humanos. Sob a supervisão de professores, eles terão contato com situações concretas e poderão aplicar conhecimentos adquiridos em sala de aula.

Durante a programação, será apresentada ainda a Plataforma Talentos para Empreendedores, voltada à aproximação entre pessoas interessadas em desenvolvimento profissional, oportunidades e empresas. A ação é realizada pela Escola de Negócios da UNIALFA, por meio do NPE e do NAF, em parceria com o Senar Goiás. A participação é gratuita e aberta à comunidade.

Serviço
Carreta Gastronômica do Senar Goiás na UNIALFA
Data: 19 de outubro – Exposição da Carreta Gastronômica do Senar Goiás
Data: 20 de outubro – Oficinas, demonstrações e orientações a partir das 13h
Local: UNIALFA – Unidade Perimetral, Goiânia
Participação: gratuita e aberta à comunidade
Inscrições através do: nivea.bernardes@unialfa.com.br
Contato: 62.99695-9132
Basta informar nome completo, RG, CPF

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Fonte: Jornal Opção

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