O que é tireoidectomia total? Entenda a cirurgia de Netinho de Paula

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A Gazeta

Netinho de Paula

Netinho de Paula passou por cirurgia
Reprodução @netinhodepaula

O cantor Netinho de Paula, de 56 anos, passou por uma cirurgia para tratar o câncer de tireoide nesta quarta-feira (7). Segundo informações divulgadas por sua equipe, o procedimento foi realizado com sucesso e o artista está em recuperação, seguindo as orientações médicas.

De acordo com o boletim médico divulgado após a cirurgia, Netinho foi submetido a uma tireoidectomia total, com monitorização dos nervos laríngeos e retirada de linfonodos da região central do pescoço. Não foram identificadas metástases.

“Segundo a equipe médica que acompanha o cantor, as características observadas levaram à realização de uma punção para investigação, e o resultado apontou um carcinoma papilífero em estágio inicial.”

O diagnóstico foi divulgado pela equipe do cantor em setembro, após exames recentes identificarem um nódulo na tireoide. A alteração foi investigada por meio de uma punção, que confirmou o carcinoma papilífero em estágio inicial. Após avaliação médica, foi indicada a realização da cirurgia.

Entenda a cirurgia

A tireoidectomia total é uma cirurgia para retirada completa da glândula tireoide. O procedimento é realizado sob anestesia geral e, em alguns casos, também pode incluir a retirada de linfonodos do pescoço, quando existe indicação para isso. A extensão da cirurgia depende do tipo de doença, das características do tumor e da avaliação individual de cada paciente.

Aline Lauda, co-líder nacional de oncologia de cabeça e pescoço da Oncoclínicas, explica que a  principal indicação é o tratamento do câncer de tireoide, mas a cirurgia também pode ser indicada em alguns casos de nódulos suspeitos ou indeterminados, bócios que provocam sintomas por compressão de estruturas do pescoço e algumas doenças benignas da tireoide, como determinados casos de hipertireoidismo. “A definição depende sempre da avaliação clínica, dos exames de imagem, da citologia da punção e das características de cada paciente”.

No câncer de tireoide, a cirurgia é a principal estratégia de tratamento na maioria dos casos em que existe indicação de intervenção. “A escolha entre uma tireoidectomia total e uma cirurgia parcial depende principalmente do tamanho e das características do tumor, se há mais de um foco na glândula, se existe comprometimento dos linfonodos ou estruturas próximas e do risco de recorrência da doença. Em tumores de baixo risco e com características favoráveis, a retirada apenas de parte da tireoide pode ser suficiente. Já em situações de maior risco ou quando a doença compromete a glândula de forma mais extensa, a tireoidectomia total pode ser recomendada”, explica a médica.

Como toda cirurgia, a tireoidectomia pode apresentar algumas complicações. Entre as principais estão sangramento, formação de hematoma, infecção e alterações temporárias ou permanentes da voz, que podem ocorrer quando há comprometimento do nervo laríngeo. “Outra possível consequência é a redução do cálcio no sangue, geralmente relacionada à alteração da função das paratireoides, que são pequenas glândulas localizadas próximas à tireoide. Além disso, quando toda a tireoide é retirada, o organismo deixa de produzir naturalmente os hormônios tireoidianos, sendo necessária a reposição hormonal”, diz  Aline Lauda .
Após a tireoidectomia total, a reposição hormonal é obrigatória. Como toda a glândula é retirada, o organismo não consegue mais produzir os hormônios tireoidianos de forma adequada. Por isso, é necessária a reposição com levotiroxina, que é um hormônio sintético semelhante ao produzido naturalmente pela tireoide. “O tratamento é, em geral, contínuo e a dose é ajustada individualmente de acordo com os exames laboratoriais, a idade, as condições clínicas e, nos casos de câncer, também conforme o risco da doença”.

Os sinais do câncer de tireoide

A tireoide é uma glândula localizada na parte anterior do pescoço e responsável pela produção de hormônios importantes para o funcionamento do organismo. O câncer ocorre quando células da glândula sofrem alterações e passam a crescer de forma descontrolada.

O carcinoma papilífero, identificado no cantor, é justamente o tipo mais frequente da doença. “O câncer de tireoide é um tumor maligno que acomete essa glândula e pode atingir tanto homens quanto mulheres, embora seja mais frequente na população feminina. O tipo mais comum é o carcinoma papilífero, seguido pelo carcinoma folicular. Existem ainda o carcinoma medular e o carcinoma anaplásico, que é mais raro e também mais agressivo”, explica  Aline Lauda.

Embora a doença seja mais frequente entre as mulheres, a especialista ressalta que ainda não há uma causa definida para essa diferença. Além do sexo feminino, estão entre os fatores de risco a exposição à radiação ionizante na região do pescoço, histórico familiar de câncer de tireoide e algumas síndromes hereditárias.

Nas fases iniciais, o câncer de tireoide pode não provocar qualquer manifestação perceptível. Conforme a doença evolui, alguns sinais podem aparecer e merecem investigação.

“Na maioria das vezes, nos estágios iniciais, o câncer de tireoide é silencioso e o paciente não percebe nenhuma alteração. Em casos mais avançados, pode surgir um nódulo na parte da frente do pescoço ou ínguas na região cervical. Rouquidão persistente e dificuldade para engolir também podem aparecer”, explica Aline.

A presença de um nódulo, no entanto, não significa necessariamente câncer. Segundo a oncologista, a maioria dos nódulos da tireoide é benigna. Diante de uma alteração suspeita, a avaliação médica é necessária para determinar se há indicação de exames complementares.

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Fonte: A Gazeta

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