O povo nas ruas em defesa da democracia e da soberania nacional
Por Rodrigo Martins — Carta Capital
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Manifestações em apoio a Lula resgatam o legado das lutas populares e colocam em disputa os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil
A ocupação das redes e das ruas das cidades brasileiras, iniciada pelos estudantes, em apoio à candidatura do presidente Lula, está se transformando em um grande movimento cívico nacional em defesa da democracia, da soberania e do futuro do Brasil. É a resposta do povo à ameaça representada pela candidatura de Flávio Bolsonaro, alinhada ao governo Trump e a um projeto político que subordina os interesses nacionais a uma agenda autoritária, antissocial e entreguista.
A força dessas manifestações expressa a dimensão histórica da disputa eleitoral de 2026. O povo reconhece a liderança do presidente Lula, os avanços institucionais e as políticas públicas que asseguram direitos, combatem a pobreza e reduzem as desigualdades. Ao ocupar as ruas, rompe com a tradição conservadora de setores que resistem à modernização do País e reafirma os valores democráticos, a justiça social e o respeito à Constituição.
O Brasil conhece a força transformadora da mobilização popular. A campanha pelas “Diretas Já” foi decisiva para enfraquecer a ditadura militar, ampliar a pressão pela redemocratização e criar as condições políticas para a convocação da Assembleia Nacional Constituinte e a promulgação da Constituição de 1988. A história demonstra que a democracia avança quando o povo assume seu lugar na vida política e exige respeito à sua vontade.
Lula foi eleito presidente duas vezes, assim como Dilma Rousseff, que, após sua reeleição, sofreu impeachment tramado num golpe parlamentar. Em 2022, os brasileiros elegeram novamente o presidente Lula. O candidato derrotado recusou, porém, o resultado da eleição e escalou a conspiração para o golpe de Estado culminando nos ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes. Os apoiadores do golpe de 1964 deram as caras, ameaçaram mais uma vez a democracia e continuam a ameaçar.
Mas se depararam com instituições republicanas sólidas. A responsabilização judicial dos envolvidos na trama golpista reafirmou um princípio inegociável: ninguém está acima da Constituição. O poder emana do povo, e nenhuma força política, autoridade civil ou militar tem o direito de desrespeitar a vontade popular ou tentar impor pela força um projeto derrotado nas urnas.
A defesa da democracia não pode se limitar à preservação das instituições. Exige também o enfrentamento das desigualdades, a garantia de direitos e a construção de oportunidades para todos. Não existe democracia plena onde a pobreza condena milhões de pessoas à exclusão, onde direitos sociais são tratados como privilégios e onde o desenvolvimento beneficia apenas uma minoria.
É por isso que a disputa eleitoral de 2026 ultrapassa a escolha de um presidente. Está em jogo a continuidade de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável, com inclusão social, investimentos em infraestrutura, fortalecimento da indústria, ciência e tecnologia, transição energética, emprego, educação, saúde e habitação para os mas necessitados. Está em jogo a capacidade de o Brasil avançar na redução da pobreza, ampliar direitos e garantir melhores condições de vida à população.
Democracia e soberania são inseparáveis. Um país que não pode decidir livremente seus rumos econômicos, políticos e estratégicos não exerce plenamente sua independência. A soberania brasileira pertence ao povo e se manifesta tanto no direito de escolher seus governantes quanto na capacidade de decidir como utilizar suas riquezas em benefício da nação.
A campanha “O petróleo é nosso” demonstrou essa consciência nacional e contribuiu para a criação da Petrobras, em 1953. Hoje, a mesma determinação deve orientar a proteção do petróleo, das terras raras, dos minerais estratégicos, da biodiversidade e do potencial energético brasileiro. Essas riquezas não podem servir à dependência externa nem à apropriação dos benefícios por poucos. Devem impulsionar a indústria, gerar empregos qualificados, financiar o desenvolvimento e reduzir desigualdades.
A cooperação internacional é necessária, mas não pode significar submissão aos interesses de outras potências. O Brasil tem uma política externa ativa e altiva, que defende nossos interesses, tem forte atuação na defesa do multilateralismo e reposicionou o Brasil na geopolítica global. Soberania não se negocia: é exercida com autonomia política, capacidade produtiva e compromisso com o povo.
Nesse cenário, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa uma escolha decisiva sobre os rumos do país. De um lado, está a defesa da democracia, dos direitos sociais, da independência nacional e de um projeto de desenvolvimento com inclusão. De outro, está a ameaça de retrocessos que podem comprometer conquistas históricas e subordinar os interesses brasileiros a uma agenda contrária à soberania e à justiça social.
As grandes manifestações, cada vez maiores, em apoio ao presidente Lula, expressam a disposição de milhões de brasileiras e brasileiros de defender nas ruas o que conquistamos ao longo de décadas de luta. Não se trata apenas de apoio eleitoral. Trata-se de afirmar que o futuro do Brasil não será decidido por ameaças, conspirações ou imposições externas, mas pela vontade soberana do povo.
A história brasileira ensina que nenhuma democracia está definitivamente protegida. Cada geração tem a responsabilidade de defendê-la. Em 2026, essa responsabilidade se traduz na luta por direitos, pela soberania e pela continuidade de um projeto nacional comprometido com a maioria da população.
O Brasil pertence ao povo brasileiro. É o povo que tem o direito de escolher seu futuro, decidir os destinos de suas riquezas e construir uma nação justa, democrática e independente. É essa convicção que move as ruas e transforma a mobilização popular em uma afirmação categórica: não aceitaremos retrocessos, não abriremos mão da soberania e não permitiremos que a democracia seja novamente ameaçada.
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Fonte: Carta Capital