O ponto de partida da Longa Marcha que mudou a China — e o que ele diz sobre o mundo atual

0

Por Rafael Henrique Zerbetto — Brasil 247

Por ocasião dos 90 anos da Longa Marcha, o condado de Yudu, na província chinesa de Jiangxi, emerge como destino obrigatório para quem busca entender não apenas a história do país, mas as raízes de sua trajetória contemporânea. É lá que a Longa Marcha começou.

Em outubro de 1934, mais de 86 mil soldados do Exército Vermelho Central se concentraram na região e atravessaram o rio Yudu, dando início à lendária caminhada de 25 mil li — cerca de 12,5 mil quilômetros. Hoje o local, transformado em um parque memorial, guarda diversos espaços que preservam e interpretam esse episódio.

Museu

O Memorial da Partida da Longa Marcha é o único museu de nível nacional dedicado exclusivamente à partida do Exército Vermelho Central. Seu acervo reúne mais de 2 mil relíquias revolucionárias: cartas, documentos, chinelos de palha, vestimentas, armas e até tábuas usadas na construção das pontes flutuantes pelas quais as tropas cruzaram o rio Yudu.

O monumento e suas medidas simbólicas

O Monumento à Partida da Longa Marcha tem 19,34 metros de altura e 10,18 metros de largura na base. As medidas não são aleatórias: remetem à data em que o Exército Vermelho Central atravessou o rio Yudu — 18 de outubro de 1934. Três grandes relevos na base representam as cenas de concentração, partida e devoção, enquanto as grades ao redor trazem gravados os oito principais portos usados na travessia do rio Yudu.

O porto histórico

Nas proximidades do monumento, fica o antigo Porto de Dongmen, um dos oito usados pelo Exército Vermelho Central para cruzar o rio. Além de conhecer o sítio histórico, os visitantes podem entender como a travessia foi organizada: há exposições que mostram como os soldados usaram tábuas e barcos emprestados dos moradores locais para montar pontes flutuantes durante a noite.

A praça e o presente

A Praça da Nova Longa Marcha é o espaço mais amplo do complexo. O piso exibe uma reprodução do mapa da rota da Longa Marcha, permitindo ao visitante visualizar todo o trajeto. O espaço também abriga um modelo do foguete Longa Marcha 5, símbolo da continuidade do espírito da Longa Marcha na era espacial chinesa. Nos fins de semana, à noite, são realizados espetáculos de projeção multimídia sobre a água com temas revolucionários.

O significado da Longa Marcha para o mundo atual

A Longa Marcha é um símbolo destacado da resistência do povo chinês contra o domínio de potências estrangeiras e da determinação dos chineses de lutar para ter de volta o controle pleno de seu país, para finalmente exercer sua soberania e autodeterminação.

Ao final da Longa Marcha, toda a China estava unida contra os invasores japoneses, e após a fundação da República Popular da China, em 1949, o país recuperou sua plena soberania e pôs fim aos tratados injustos que fora forçado a assinar durante a dinastia Qing.

Atualmente, quando a soberania nacional de muitos países está em risco, é importante recordar o seguinte: a China passou um século obedecendo a potências estrangeiras como uma semi-colônia. Tais potências exploravam impiedosamente o povo chinês, roubavam as riquezas do país e deixavam a miséria como único legado.

Agora, 90 anos após o fim da Longa Marcha, a China é novamente uma potência mundial, seu povo deixou a pobreza para trás e o país lidera a competição tecnológica em vários setores. Os camponeses que marcharam 25 mil li criaram a base para que seus descendentes tivessem uma vida digna. Essa base se chama soberania.

Enquanto o Brasil, em meio a uma crescente tensão geopolítica internacional e uma enorme pressão pelo controle das nossas reservas de minerais estratégios, se prepara para eleger seus próximos governantes, a experiência chinesa nos lembra a enorme diferença entre ser um país soberano ou um país vassalo. No fim das contas, é isso que está em jogo nas urnas.

Fonte: Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *