O outono virou o novo verão: o que é “fallcation” e por que turistas estão trocando as férias de julho

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Por Sara Magalhães — Seu Dinheiro

Parece que todo mundo está tirando uma “fallcation”, como vem sendo apelidada a viagem de férias durante o outono no hemisfério norte. Em vez de concentrar as grandes viagens entre junho e agosto, turistas estão deixando para conhecer a Europa, os Estados Unidos e outros destinos do hemisfério norte entre setembro e novembro.

A mudança ganhou força a ponto de entrar no radar do setor de turismo. A Virtuoso, rede global de viagens de luxo, afirma que as viagens de outono para destinos europeus tradicionalmente associados ao verão mais que dobraram nos últimos dois anos. Na Riviera Francesa, por exemplo, as reservas cresceram 179%, nas ilhas gregas, mais de 130%, e na Puglia, na Itália, 78%.

O motivo? O outono, que acontece entre 22 de setembro de 22 de dezembro no hemisfério norte, passou a oferecer algo que o verão nem sempre consegue entregar, como temperaturas mais agradáveis, destinos menos superlotados e uma programação própria, que vai de colheitas de uvas e gastronomia sazonal à folhagem colorida.

O verão ficou quente e cheio demais

Julho e agosto ainda são praticamente sinônimos de férias na Europa. O problema é que o sucesso desses meses também trouxe alguns efeitos colaterais. As altas temperaturas, por exemplo, se tornaram um fator cada vez mais importante na escolha das datas.

A própria European Travel Commission aponta que o clima está entre os elementos que influenciam as decisões dos viajantes e recomenda que destinos desenvolvam estratégias para redistribuir o fluxo turístico para meses como outubro e novembro.

Ao mesmo tempo, viajar no auge do verão significa disputar espaço com uma enorme quantidade de turistas. Em cidades como Paris, Roma, Barcelona e Lisboa, isso pode significar atrações lotadas, filas maiores e tarifas elevadas.

Nas ilhas do Mediterrâneo, por exemplo, o problema também aparece na combinação entre demanda elevada, calor e infraestrutura pressionada. Sem falar dos preços, que sobem drasticamente na alta-temporada.

Setembro deixou de ser baixa temporada

Uma pesquisa da Deloitte com turistas norte-americanos mostrou que 23% planejavam fazer sua viagem mais longa do ano depois do Labor Day, feriado que marca o início de setembro nos Estados Unidos. Em 2022, eram apenas 12%.

Na Europa, o movimento também aparece nos indicadores oficiais. A European Travel Commission registrou crescimento da demanda durante o outono e o início do inverno de 2025. No acumulado daquele ano, as chegadas internacionais ao continente cresceram 3,2%, enquanto as diárias avançaram 3,1%, com melhora nos últimos meses do ano.

Em 2026, a procura continua forte. Segundo a ETC, 81% dos europeus pretendem viajar entre junho e novembro, quatro pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Segurança, preço e condições climáticas aparecem entre os fatores que influenciam a escolha dos destinos.

Jardim do Luxemburgo (Jardin du Luxembourg), em Paris
Jardim do Luxemburgo (Jardin du Luxembourg), em Paris – Imagem: Valeria Kodra/ Unsplash

Mais barato e mais fresco

Aqui está um dos motivos mais apontados para essa mudança: historicamente, a chamada shoulder season, ou temporada intermediária, oferece tarifas mais competitivas do que os meses de pico.

Mas o outono já não é mais sinônimo automático de viagem barata. O aumento da procura começa a pressionar preços nos destinos mais disputados. Dados da Virtuoso mostram que as reservas para a Europa cresceram mesmo com tarifas mais altas.

Na Riviera Francesa, por exemplo, o aumento das reservas veio acompanhado de uma alta de 179% nas tarifas, já nas ilhas gregas, os preços subiram mais de 130%.

Outro motivo para escolher o outono é que a estação não representa necessariamente frio. No sul da Europa, setembro e outubro ainda podem oferecer dias quentes, especialmente em destinos mediterrâneos. Ao mesmo tempo, as temperaturas costumam ser mais confortáveis para caminhar por cidades históricas, fazer trilhas e passar horas ao ar livre.

Na prática, o turista pode trocar os 35°C de uma tarde de agosto por temperaturas mais amenas em setembro ou outubro sem abrir mão de praia, restaurantes ao ar livre e atividades externas, dependendo do destino e da época.

O outono também tem atrações que o verão não oferece

Existe ainda uma questão que não aparece apenas nas planilhas de preços: o outono se consolidou como um produto turístico por si só. A estação coincide com períodos de colheita na Itália, por exemplo, e movimenta uma agenda gastronômica ligada a uvas, azeite, trufas e outros produtos sazonais. Entre eles, a famosa Sagra dell’Uva di Marino, principal festival italiano da uva, realizada anualmente no início de outubro na cidade de Marino, na região dos Castelli Romani, perto de Roma.

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Na França, a chegada da estação marca a rentrée, quando a programação cultural volta a ganhar força depois da pausa do verão europeu. Em outros países do continente, o calendário também se enche de eventos ligados à gastronomia, à cerveja e às tradições locais. É o caso do Oktoberfest, na Alemanha, realizado anualmente entre setembro e outubro.

Oktoberfest, em Munich, na Alemanha, realizado anualmente entre setembro e outubro
Oktoberfest, em Munich, na Alemanha, realizado anualmente entre setembro e outubro – Imagem: Kallerna/ Wikimedia Commons

Do outro lado do Atlântico, Estados Unidos e Canadá exploram um fenômeno praticamente associado à estação: o leaf peeping, nome dado ao turismo motivado pela mudança das cores das folhas. Regiões da Inglaterra, como Vermont e New Hampshire, ficam conhecidas pelas paisagens avermelhadas, amarelas e alaranjadas. A temporada também leva viajantes a destinos como o Hudson Valley e diferentes áreas do Meio-Oeste americano.

Festival de Luzes de Lyon, na França, acontece anualmente no início de dezembro
Festival de Luzes de Lyon, na França, acontece anualmente no início de dezembro – Imagem: Robert Photographe/Only Lyon

Com a alta temporada deixando de ser o principal critério, destinos antes menos disputados também ganham espaço. Segundo a Expedia, Luxemburgo, Estrasburgo, Annecy, Cortina d’Ampezzo, Sarandë, Budva e Ljubljana estão entre os destinos que mais cresceram nas buscas de viajantes britânicos para o outono de 2026.

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Fonte: Seu Dinheiro

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