Por João Paulo AlexandreJornal Opção

O mensalinho de Celina Leão?

Uma reportagem da jornalista Bela Megale, de O Globo, tem chamado atenção no quadrilátero conhecido como Distrito Federal. Segundo a publicação, uma empresa ligada à família da governadora e candidata à reeleição do DF, Celina Leão (PP), teria recebido R$ 1,4 milhão, entre 2025 e 2026, da Real JG Facilities, prestadora de serviços do governo distrital. Diante dos pagamentos revelados, surge uma provocação: seria uma espécie de “mensalinho” envolvendo a família de Celina Leão?

O questionamento ocorre porque, conforme a reportagem, foram realizados pagamentos mensais de R$ 100 mil até que se chegasse ao montante citado. Evidentemente, a existência de eventual irregularidade não pode ser presumida e dependeria da apuração dos órgãos competentes, como Polícia Federal e Ministério Público.

A apuração jornalística aponta que a Faceng Engenharia tem como sócios Fabrício Faleiro e Bruna Vitória, marido e filha de Celina Leão. Ainda segundo a reportagem, os pagamentos mensais de R$ 100 mil ocorreram entre maio de 2025, quando a goiana ocupava a Vice-Governadoria, e junho de 2026, quando ela já estava à frente do Palácio do Buriti, mediante a apresentação de notas fiscais.

A reportagem aponta ainda que, em julho deste ano, a empresa ligada à família de Celina Leão teria recebido mais R$ 100 mil.

Em posicionamento recente, Celina Leão rebateu os questionamentos e afirmou que não houve ilegalidade. “Quando todos se juntam querendo criar uma ilegalidade em algo que não é ilegal, eu estou muito tranquila. Eu acho que aquilo que você prestou, nota, publicou na sua Receita, e eu acho que eles partem para um debate muito baixo, atacam a família das pessoas. Isso eu acho que a população do Distrito Federal não vai tolerar”, declarou, ao atribuir as críticas aos adversários políticos.

É importante destacar que a contratação de uma empresa ligada a familiares de um agente público ou o recebimento de valores de uma prestadora de serviços do governo não caracteriza, por si só, a prática de crime. Eventuais implicações jurídicas dependem das circunstâncias, da relação entre as empresas, dos serviços efetivamente prestados e do cumprimento das regras aplicáveis.

Por isso, além da discussão sobre eventual ilegalidade, permanece uma questão que merece esclarecimento: quais serviços justificaram os pagamentos realizados à empresa ligada à família da governadora? A apresentação dessas informações é fundamental para que o caso seja analisado para além da legalidade formal. Afinal, mesmo diante da afirmação de que os pagamentos são legais, permanece outro questionamento: são também moralmente aceitáveis?

Leia também: PF e MP precisam investigar “faturamento” da família de Celina Leão no governo do DF. Seria um mensalinho?

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Fonte: Jornal Opção

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