MPE aciona PF após influenciador ameaçar demitir funcionária por apoio ao PT

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Por Maiara MarinhoCarta Capital

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A corporação deverá apurar a possível prática do crime de uso de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido

O Ministério Público Eleitoral em Alagoas instaurou um procedimento investigativo após identificar a prática de coação eleitoral em um vídeo publicado nas redes sociais no último sábado 12 pelo influenciador digital Rico Melquíades.

As imagens mostram o influenciador ao lado de quatro mulheres, questionando quem paga seus salários e qual a preferência político-partidária delas.

Ao associar uma das trabalhadoras ao PT, ele afirma repetidas vezes que ela estaria demitida , ordena que pegue seus pertences e volta a citar o pagamento de sua remuneração.

O caso será encaminhado para a Polícia Federal para a apuração na esfera criminal por possível prática do crime de uso de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido.

Diante da gravidade do fato, o MPE acionará a Justiça Eleitoral. O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, classificou a atitude como uma violação inaceitável da liberdade de escolha do eleitor.

Ele ressaltou que a posição de empregador, o poder econômico e a dependência financeira do trabalhador jamais podem servir como instrumentos de pressão para impor, direcionar ou interferir nas escolhas políticas de qualquer cidadão.

O procurador enfatizou que mesmo uma eventual alegação de brincadeira não invalida a ilicitude do ato, uma vez que a ameaça de perda do emprego sob uma relação de poder constitui um constrangimento intolerável.

Por fim, o órgão enfatiza que o voto é um direito integralmente livre e secreto, protegido por garantias fundamentais do processo democrático. Nenhum funcionário possui a obrigação de revelar suas preferências políticas ao empregador, que não dispõe de meios para saber quais escolhas foram feitas na cabine de votação.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.

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Fonte: Carta Capital

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