O futuro começa na urna
Por Bruna Ariadne — Jornal Opção

Faltam apenas dois dias. Depois de meses de pré-campanha, convenções, discursos, pesquisas, debates, alianças, divergências e uma enxurrada de informações, o Brasil chega à reta final para um dos momentos mais importantes de uma democracia: o voto.
Neste domingo, 4, milhões de brasileiros irão às urnas. É o momento em que o poder deixa os palanques, as propagandas e os discursos dos candidatos e retorna, ainda que por alguns instantes, a quem verdadeiramente o detém: o cidadão.
É fácil enxergar a votação apenas como mais uma obrigação prevista no calendário eleitoral. Não deveria ser assim.
Existe algo profundamente simbólico no ato de entrar em uma cabine e, em segredo, escolher quem receberá uma parcela do poder público pelos próximos anos. Ali, não importa o tamanho da conta bancária, o sobrenome, a profissão ou a influência de quem está diante da urna. Cada eleitor tem direito ao seu voto.
Esse talvez seja um dos significados mais importantes da democracia.
Democracia não significa concordância permanente. Pelo contrário, ela existe justamente porque pensamos diferente. Porque temos prioridades diferentes, enxergamos soluções distintas e nem sempre desejamos o mesmo caminho para o país, para o Estado ou para nossas cidades.
O espírito democrático está na possibilidade de transformar essas diferenças em participação e escolha. E a urna é um dos principais espaços para isso.
Muito além de escolher um presidente
Neste domingo, não estará em jogo apenas a escolha de quem comandará o país. Os brasileiros também irão definir representantes para diferentes cargos nos Executivos e Legislativos federal e estaduais.
São decisões que terão reflexos nos próximos anos e alcançarão áreas que fazem parte da vida cotidiana da população: saúde, educação, segurança, infraestrutura, economia, geração de empregos, impostos, políticas sociais e aplicação dos recursos públicos.
Por isso, votar não deveria ser um gesto automático. É também um exercício de responsabilidade.
Durante os últimos meses, candidatos tiveram a oportunidade de apresentar propostas, defender ideias, mostrar suas trajetórias e tentar conquistar a confiança dos eleitores. À população coube observar, comparar, questionar e formar sua própria decisão.
Agora, faltam apenas dois dias para que essa decisão deixe de ser uma intenção e seja registrada na urna.
Quando a política cansa
É compreensível que parte da população chegue à reta final cansada da política. Campanhas eleitorais são intensas. Há excesso de informação, conflitos, acusações, vídeos, mensagens, pesquisas e discussões que parecem não terminar.
Mas o desencanto com a política não faz com que ela deixe de existir. Mesmo quem prefere ignorá-la continuará vivendo sob os efeitos das decisões tomadas pelos representantes escolhidos nas urnas.
Talvez seja justamente por isso que a participação seja tão importante. A democracia não exige paixão pela política. Exige a compreensão de que as decisões coletivas continuarão sendo tomadas e de que cada cidadão tem a oportunidade de participar da escolha daqueles que terão poder para tomá-las.
No domingo, essa oportunidade estará diante de cada eleitor.
A democracia continua na segunda-feira
Há ainda outro compromisso democrático que começa quando as urnas são fechadas. Votar é fundamental, mas a democracia não acontece apenas no dia da eleição. Quem vencer terá diante de si a responsabilidade de representar uma sociedade formada também por aqueles que fizeram escolhas diferentes. Quem perder continuará tendo espaço para participar do debate público, apresentar oposição, fiscalizar e defender suas ideias. E quem votou terá a responsabilidade de acompanhar aqueles que ajudou a eleger.
Democracia pressupõe vitória e derrota. Pressupõe divergência. Pressupõe situação e oposição. Mas pressupõe, sobretudo, respeito às regras que permitem que todas essas diferenças convivam dentro de uma mesma sociedade.
Neste domingo, milhões de brasileiros entrarão individualmente diante de uma urna. Cada um levará consigo suas experiências, expectativas, preocupações e sua própria visão sobre o futuro.
Não existe democracia sem divergência. Mas também não existe democracia forte sem participação. Faltam apenas dois dias para uma escolha cujos efeitos permanecerão pelos próximos anos. No domingo, o futuro deixa de ser apenas assunto de discursos, pesquisas e campanhas. Ele passa pelas mãos de cada eleitor.
O post O futuro começa na urna apareceu primeiro em Jornal Opção.
Fonte: Jornal Opção