O fim da escala 6×1 é uma vitória que revela a força social para enfrentar o bolsonarismo

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Por Diana Assunção — Esquerda Diário

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Derrotar a extrema-direita nas ruas. Nenhum passo atrás até a promulgação e implementação da mudança da jornada de trabalho. É preciso se apoiar nessa força para que o fim da 6×1 seja uma realidade de toda a classe: revogar a reforma trabalhista e colocar fim à terceirização e uberização, efetivando todos os trabalhadores com plenos direitos. Lutamos rumo a jornada de 30 horas sem redução salarial. Nenhum voto em Flávio Bolsonaro! Fora Trump da América Latina!

A luta pelo fim da escala 6×1 saiu como um grito entalado na garganta de milhões de trabalhadores que não aguentam mais deixar a vida no trabalho, enquanto os ricos, grandes empresários e políticos profissionais gozam de uma vida de tranquilidade. Em um país atravessado pelas eleições, a força da classe trabalhadora impôs que a extrema-direita no Senado não pudesse se opor a essa demanda com seu voto, relegando o papel de carrasco apenas para ninguém menos que o ex-vice-presidente de Jair Bolsonaro, o General Hamilton Mourão. Já vemos em todos os estados uma forte comemoração nos locais de trabalho porque se trata, efetivamente, de uma vitória muito importante da classe trabalhadora.

A votação foi um retrato da correlação de forças no país. Se por um lado a vitória de Flávio Bolsonaro no 1º turno e a eleição das maiores bancadas do Congresso indicou um importante fortalecimento da extrema-direita, que contou com todo o tipo de conciliação por parte do governo de Frente Ampla nestes 4 anos, por outro lado que 75 senadores tenham votado por uma demanda de redução da jornada de trabalho, bandeira histórica da classe trabalhadora, é expressão de que há muitas reservas para lutar e resistir contra ataques duros que iriam querer aprovar em um eventual governo Flávio Bolsonaro mas também de ajustes que possam vir em um possível novo governo Lula para garantir a “governabilidade” frente a um Senado dominado pela extrema-direita e a pressão do capital financeiro.

Esta votação pode alterar os rumos da eleição, uma vez que Lula assumiu essa bandeira. Mas o impacto subjetivo é muito maior do que a conjuntura eleitoral. É por isso que seguimos como Esquerda Diário alertando: não devemos ter nenhuma confiança nessas instituições. Nenhum passo atrás até a promulgação e a implementação da mudança de jornada. Mas somos obrigados a dizer mais: para que a redução da jornada seja uma realidade da ampla maioria da classe trabalhadora essa votação não é suficiente. São milhões de trabalhadores terceirizados, uberizados, pejotizados que tiveram ao longo dos anos e com a conivência das centrais sindicais todos os direitos completamente corroídos e que atinge em especial as mulheres trabalhadoras e as trabalhadoras negras e negros. Além disso, as reformas de Michel Temer e Jair Bolsonaro seguiram de pé durante o governo Lula e seguem de pé até hoje, como a reforma trabalhista que com suas medidas anula em partes uma mudança da jornada de trabalho.

É por isso que o dado mais importante da realidade é a força social que expressou a defesa do fim da 6×1 em uma grande mobilização de pressão popular, que conquistou a maioria da sociedade que expressava seu apoio à demanda. Essa força social vimos nas ruas nas últimas semanas em atos que tinham uma motivação vinculada à eleição, mas que combinavam a luta pelo fim da 6×1 e diversas outras demandas sentidas com a queima de bandeiras dos Estados Unidos. Essa força social que está ocupando massivamente as ruas, especialmente da classe trabalhadora e dos movimentos sociais, é a que pode derrotar Flávio Bolsonaro, e por isso viemos exigindo das centrais sindicais uma paralisação nacional contra a 6×1, Trump e a extrema direita, pois a mobilização da nossa classe com seus métodos próprios poderia mudar a correlação de forças no país. É também a força social que poderá enfrentar um eventual governo Flávio Bolsonaro que não irá retroceder apenas com o fim da escala 6×1, irá buscar aprofundar e seguir a obra de Jair Bolsonaro e Michel Temer, que ficou em grande parte mantida durante o governo Lula, como a reforma trabalhista, da previdência e outras.

É essa a força social que pode enfrentar Trump e seus aliados reacionários que estão construindo o “Escudo das Américas”, que chamamos como Corrente Revolução Permanente a uma grande campanha para combater. Se Flávio ganha, irá tentar implementar a escala 7×0, que é o que representa sua PEC que paga somente as horas trabalhadas, além de buscar retirar uma série de direitos para agradar os grandes empresários. Além disso grandes empresários começam a ameaçar com demissões, banco de horas, fim das gorjetas. Isso é uma mostra de que neste sistema capitalista sempre querem tirar os direitos que conquistamos e não existe nenhum outro caminho que não seja o da luta de classes.

O impacto em milhões de trabalhadores tem um efeito de elevação das aspirações da nossa classe e esse é de fundo o principal medo de Flávio Bolsonaro e da extrema-direita. Essas aspirações precisam superar a conciliação que quer impor a Frente Ampla e a política da moderação, que já mostrou o efeito de fortalecimento dos nossos inimigos. Neste momento estamos lado a lado para enfrentar Flávio Bolsonaro e toda a extrema-direita pró-imperialista, contra toda a ingerência de Trump e das BigTechs no Brasil e defendendo cada um dos nossos direitos. Mas a conquista que nossa classe impôs ontem permite ir por mais e organizar a luta para que nenhum trabalhador mais seja obrigado a trabalhar 6 vezes por semana e deixar a vida no trabalho. Por isso deve ser imediatamente uma bandeira de luta a revogação da Reforma trabalhista, da Reforma da previdência e da Lei da Terceirização Irrestrita, bem como do Arcabouço Fiscal que precariza a vida da população. Efetivação de todos os trabalhadores terceirizados, sem processo seletivo ou concurso público. Plenos direitos para uberizados e pejotizados, barrando o avanço da pejotização que está em trâmite no STF.

E nossa luta vai além, levantamos a bandeira histórica da redução da jornada sem redução salarial rumo às 30 horas. Essa vitória da nossa classe pode ser um passo neste sentido se superamos a conciliação e a moderação e avançamos na organização e auto-organização da classe trabalhadora preparando o único caminho que pode garantir nossas conquistas: a luta de classes.

Fonte: Esquerda Diário

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