‘O dinheiro era para a sobrevivência do Eduardo Bolsonaro nos EUA’, diz Lula sobre o caso Dark Horse
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O presidente Lula (PT) acusou integrantes do clã Bolsonaro de promoverem articulações internacionais e esquemas financeiros para financiar a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) em solo norte-americano. Durante entrevista concedida a um pool de comunicadores alternativos nesta quarta-feira (30), o chefe do Executivo relacionou repasses financeiros vinculados à produção do filme cinebiográfico Dark Horse a uma estratégia de apoio financeiro no exterior.
Ao analisar a atuação de opositores no cenário internacional e o uso de redes e alianças estrangeiras, o mandatário brasileiro criticou a interferência externa e as viagens internacionais promovidas pelo grupo político de Bolsonaro. “Um cara num país quer interferir nas eleições de outro país pela internet. A família Bolsonaro foi para Israel para ver como eles poderiam ajudá-los a não perder as eleições”, afirmou Lula.
Em seguida, o presidente direcionou suas críticas às investigações em curso sobre movimentações financeiras suspeitas e mirou a relação entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. “Tem um filho conspirando contra o Brasil, um [ex]deputado, que recebe dinheiro do Vorcaro. Aquele famoso dinheiro do filme [Dark Horse] é o dinheiro que ele [Flávio Bolsonaro] pegava do Vorcaro para poder mandar para a sobrevivência do Eduardo lá [nos Estados Unidos]”, declarou o chefe do governo federal.
A declaração do presidente faz referência direta ao chamado caso Dark Horse, uma apuração conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas no financiamento de um projeto audiovisual no estilo cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O pivô financeiro apontado pelas apurações é Daniel Vorcaro, investigado no âmbito da liquidação e de fraudes no Banco Master. Relatórios da Polícia Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras indicam que Vorcaro atuou como o principal financiador do filme, repassando montantes milionários por meio de fundos e estruturas de investimento no exterior, como a Havengate e a Entre Investimentos.
As investigações também detalham a participação direta dos filhos de Jair Bolsonaro presidente no circuito financeiro da produção cinematográfica. Mensagens e áudios obtidos pelos investigadores mostram que o senador Flávio Bolsonaro atuou ativamente na articulação política e operacional para a captação e liberação das verbas junto a Vorcaro. Nas conversas, o parlamentar cobrava prazos e pressionava o banqueiro para liberar parcelas financeiras destinadas à produtora norte-americana, justificando a necessidade de evitar calotes em atores e diretores estrangeiros envolvidos na obra, como o ator Jim Caviezel, além de demonstrar forte proximidade com o empresário.
Por sua vez, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro aparece citado em relatórios da Polícia Federal por sua participação em tratativas nos Estados Unidos voltadas à gestão dos recursos direcionados à produção. O foco das autoridades policiais e do Ministério Público Federal é apurar se verbas destinadas ao filme custearam despesas pessoais e o sustento de Eduardo durante sua estada em território norte-americano, mediante um circuito financeiro internacional composto por empresas de fachada e estruturas situadas em paraísos fiscais ou no exterior.
Fonte: Brasil 247