O debate da Globo
Por Ediel Ribeiro — Brasil 247
Rio – Pouca gente sabe – na verdade, só nós, jornalistas – que, a poucas horas do debate da TV Globo, Flávio Bolsonaro teve uma crise de pânico.
Ainda não foi noticiado, e certamente Flávio Bolsonaro negará, mas existem informações de fontes confiáveis – compradas com algumas moedas – que provam que o Zero Um teve uma crise de choro e, soluçando, se negou a participar do último debate an tes da eleição.
A cena foi mais ou menos essa:
Na última reunião com assessores antes do debate, s em nenhum aviso prévio, Flávio Bolsonaro, com cara de choro, reuniu seus assessores e anunc iou:
– Eu não vou participar do debate da TV Globo.
Os assessores ficaram mudos. Ninguém conseguia entender nada. Todos estavam mais perdidos que cupim em serralheria.
– Mas, senador – ouviu-se uma voz tímida, no fundo da sala –, o senhor confirmou que iria ao debate, mesmo sem a presença do presidente Lula. – Que palhaçada é essa, Flávio? – gritou Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. – Cagão!
– Eu não vou! E se eles perguntarem sobre a rachadinha, a loja de chocolate, os 107 imóveis, a mansão de Brasília, a milícia, o filme Dark Horse, o dinheiro do Daniel Vorcaro? O que eu falo? – questionou o Zero Um.
– Você sabe que eu desmaio – concluiu.
Um assessor foi didát ico:
– Não se preocupe, senador. Tá tudo controlado. A Globo já montou o palco, preparou o cenário, escolheu os debatedores e estabeleceu as regras. Ninguém vai fazer esse tipo de pergunta ao senhor. Só vão estar lá os “nossos parceiros” Zema, Caiado e Augusto Cury. Eles estarão lá para servir de escada para o senhor. Serão uma espécie de padre Kelmon.
– E o Renan Santos? Ele não gosta de mim. Já me chamou de miliciano, de ladrão, de rachadinha – disse Flávio.
– O Renan está fora. Ele não vai participar do debate. A Globo já decidiu – disse Valdemar.
– Mesmo ele estando em terceiro lugar nas pesquisas? – questionou Flávio.
– Nós demos nosso jeito! – disse um assessor, franzindo de leve as sobrancelhas.
– E se eles me perguntarem sobre o meu plano de governo? – questionou o candidato.
– Meu plano é tirar Bolsonaro da cadeia, impedir que investiguem os casos da rachadinha e rastreiem o dinheiro do Vorcaro para o filme. Eu posso dizer isso?
– Não! Claro que não! A ideia não é apresentar projetos, confrontar ideias ou explicar propostas. É lacrar! – disse um assessor.
– O senhor vai fazer perguntas constrangedoras para o púlpito vazio, com o nome do presidente Lula. E, como o púlpito não vai responder, o senhor terá sempre razão. – Verdade. Quem cala consente, né? – alegrou-se o senador.
De repente, um assessor trouxe uma notícia nova:
– Senador, senador, a Justiça Eleitoral proibiu a TV Globo de exibir o púlpito vazio com o nome do presidente Lula. – E ago ra? Pra quem eu vou fazer minhas perguntas? – perguntou o senador.
Outro assessor invadiu a sala correndo:
– Senador, senador, o ministro Gilmar Mendes autorizou Renan Santos (Missão) a participar do debate.
Ouviu-se um baque surdo. O senador desmaiou .
Fonte: Brasil 247