“O caminho é ridicularizar o opressor”, dizem Edu Krieger e Natalia Voss
Por Michelle Catarine Machado — Brasil 247
A paródia sobre harmonização facial não chegou ao público. Edu Krieger e Natalia Voss queriam criticar a pressão por procedimentos estéticos, mas, ao rever a letra, perceberam que a graça estava nas pessoas submetidas a essa pressão. Desistiram da música.
“A ideia era criticar a crueldade do sistema que impõe uma ditadura da beleza, mas percebemos que, na verdade, estávamos zombando das vítimas desse sistema, que são as pessoas que exageram nos procedimentos estéticos”, contam em entrevista por escrito à coluna.
O episódio ajuda a entender o cuidado que a dupla diz ter ao fazer paródias sobre racismo, machismo e homofobia. Para Edu e Natalia, a sátira pode tratar desses assuntos sem transformar quem sofre o preconceito em motivo de riso.
O que vira música
As paródias não começam sempre na política. Casamento, criação dos filhos e trabalho também rendem letras, desde que as pessoas consigam se reconhecer nelas. “A chave principal da paródia é a identificação”, explicam.
Em “Tela”, versão de “Terra”, de Caetano Veloso, o assunto é a dependência do celular. A dupla conta que foi difícil encontrar humor no tema. No teatro, a música provoca gargalhadas.
Edu já escrevia canções antes das paródias e vê nelas uma continuação de seu trabalho como letrista. Natalia destaca a construção conjunta dos vídeos e do espetáculo: “Nosso show é uma mistura de música e teatro, e essa construção sempre foi feita em dupla”.
Entre o humor e a democracia
A parceria inclui uma música sem piada. Edu compôs “O Vento da Democracia” com Ivan Lins, a partir da letra de Carlos Rennó. Natalia é uma das intérpretes da canção. Ele a relaciona às músicas dos festivais do fim dos anos 1960, que marcaram sua formação. Ela fala da esperança “que essa polarização um dia acabe, e que possamos viver num mundo onde o respeito seja a palavra de ordem”.
Nas redes, nem todos recebem as paródias da mesma forma. Edu e Natalia dizem que pessoas que discordam das letras também procuram seus perfis e que, por vezes, a troca vira debate. Acreditam que a cultura pode abrir essas conversas, embora ressalvem a dificuldade de dialogar com extremistas.
Brasília estava nos planos desde a estreia do show, em 2024. A dupla cita tanto a política feita na capital quanto os pedidos que recebia do público brasiliense.
Fonte: Brasil 247