“O Brasil tem tudo que o Império deseja e pode se tornar vassalo com Flávio Bolsonaro”, diz Pepe Escobar
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Em transmissão ao vivo na TV 247 com o jornalista Leonardo Attuch, o analista de geopolítica internacional Pepe Escobar traçou um diagnóstico enfático sobre as consequências globais do pleito brasileiro. Direto da Tailândia, Escobar afirmou que o avanço eleitoral de Flávio Bolsonaro coloca o país em rota de colisão com a construção de uma ordem mundial multipolar e abre espaço para a submissão total de suas riquezas naturais ao eixo de poder de Washington e Wall Street.
“O Brasil tem tudo literalmente: petróleo, energia, terras raras e tudo o que o Império precisa. Com um clã avassalado e elites dependentes, o país cai de bandeja no colo deles”, resumiu Pepe Escobar.
O “Plano B” do grande capital após o revés na Ucrânia
Ao situar a eleição brasileira no tabuleiro internacional, Escobar apontou que a América do Sul tornou-se o alvo primordial de contenção geopolítica para os Estados Unidos, que enfrentam impasses estratégicos na Eurásia e no Oeste da Ásia.
De acordo com o analista, o cenário econômico internacional busca saídas financeiras imediatas:
- Compensação de perdas: Escobar citou o exemplo dos megaprojetos de reconstrução e exploração negociados por gigantes como a BlackRock na Ucrânia, cujos principais ativos minerais e de gás encontram-se travados na região do Donbass.
- O Brasil como ativo imediato: Na visão do jornalista, diante do bloqueio euroasiático, o território brasileiro surge como o “plano B” ideal para o capital transnacional, que encontraria facilidade de acesso a reservas de petróleo e minerais essenciais sob uma gestão alinhada à cartilha do Partido Republicano de Donald Trump e Marco Rubio.
O destino nos BRICS: autoisolamento e perda de protagonismo
Questionado sobre a relação com potências emergentes, Pepe Escobar explicou que uma vitória bolsonarista significaria a corrosão interna da atuação do Brasil nos BRICS. Ele advertiu que, com a liderança sino-russa acelerando acordos de governança e sistemas de pagamento alternativos, o país corre o risco de virar um membro meramente decorativo ou se autoisolar.
“Os chineses e os russos não vão parar a marcha da multipolaridade por causa de um governo vassalo em Brasília. O que vai acontecer é que o Brasil se coloca como o outsider da história, virando as costas para o desenvolvimento da Afro-Eurásia e se trancando no quintal da Doutrina Monroe”, sublinhou.
Comunicação com a juventude e a vida material
Para além do xadrez diplomático, Pepe Escobar e Leonardo Attuch debateram a dinâmica da campanha interna. Escobar defendeu que a única maneira de reverter o quadro nas semanas decisivas do segundo turno é apresentar um projeto nacional de desenvolvimento claro e comunicá-lo de forma direta.
Segundo o analista, países como Índia, China e Rússia estabeleceram metas soberanas de longo prazo, enquanto o debate eleitoral brasileiro careceu de uma narrativa de futuro capaz de engajar a juventude e trabalhadores da nova economia.
“É preciso explicar na ponta da linha para o motoboy e para a geração TikTok por que essa disputa define o custo de vida, a energia e o futuro do emprego. Sem conectar soberania e prato de comida, a geopolítica vira abstração”, concluiu Escobar.
Assista à íntegra da análise de Pepe Escobar na TV 247.
Fonte: Brasil 247