“O Brasil pode sabotar o BRICS por dentro em um eventual governo Flávio Bolsonaro”, diz Pepe Escobar

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Por Redação Brasil 247 — Brasil 247

247 – A eventual chegada de Flávio Bolsonaro à Presidência da República trará impactos severos para a inserção internacional do país e, sobretudo, para sua permanência no bloco dos BRICS. A avaliação é do analista geopolítico e jornalista Pepe Escobar, em entrevista ao vivo concedida ao jornalista Leonardo Attuch na TV 247.

Segundo Escobar, o maior risco para o bloco fundado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul não é necessariamente uma saída formal e abrupta, mas sim um processo de corrosão e sabotagem interna orientado por Washington.

“Vão começar a destruir os BRICS por dentro, incluindo a possibilidade de se autoexpulsarem ou reduzir o papel do Brasil a um mero membro ‘pro forma’, tão ineficiente quanto outros atores que ficam em cima do muro”, alertou o analista.

A marcha sino-russa não vai parar

Durante a transmissão, Escobar contextualizou o papel decisivo que a próxima cúpula dos BRICS, sediada na China, terá na consolidação de uma governança global alternativa ao dólar e ao controle ocidental. Ele destacou que Pequim e Moscou já coordenam mecanismos multilaterais e sistemas próprios de pagamento, o que torna o avanço do Sul Global irreversível, mesmo com a desistência ou obstrução de Brasília.

“O Brasil se autoisolar nos BRICS não vai mudar a trajetória do bloco. Quem realmente comanda a agenda estratégica são Rússia e China. Eles estão construindo a arquitetura do mundo multipolar com ou sem o Brasil. O país é que corre o risco de virar o ‘outsider’ da história, desconectando-se da dinâmica da Eurásia e da África para voltar a ser mero quintal do império”, enfatizou.

Alinhamento automático e retaliações a parceiros estratégicos

Na leitura de Pepe Escobar, a submissão da política externa bolsonarista à ala mais radical do Partido Republicano nos Estados Unidos — representada por figuras como Donald Trump e Marco Rubio — exigirá do Brasil concessões que colidem frontalmente com a soberania nacional e a parceria econômica com os países do bloco.

Entre os cenários previstos, Escobar apontou a vulnerabilidade das relações bilaterais com a China, maior parceira comercial do agronegócio e da indústria brasileira:

  • Pressão sobre investimentos: Ordens vindas de Washington podem forçar o governo brasileiro a impor barreiras a gigantes industriais chinesas atuantes no país, como o setor de veículos elétricos e tecnologia.
  • Perda de peso decisório: Sem uma postura autônoma, o Itamaraty deixaria de articular posições de liderança nas negociações de reforma das Nações Unidas e das instituições financeiras internacionais.

A contradição do pragmatismo econômico

Questionado por Leonardo Attuch sobre a pressão exercida pelo setor produtivo nacional — que depende visceralmente do mercado chinês e do comércio com os países do Sul Global —, Escobar pontuou que o projeto político da extrema direita atende a interesses muito distantes das necessidades econômicas da população brasileira.

Para o jornalista, a elite associada a esse projeto prefere operar como compradora de ativos e intermediária financeira do Ocidente em vez de liderar uma potência industrial independente.

“Essa turma prefere a subserviência e o aplauso em Miami a pensar em um plano nacional de longo prazo. O resultado prático para o povo brasileiro é a perda de soberania sobre recursos vitais, como petróleo e energia, enquanto o mundo assiste à nossa autoexclusão da maior transformação geopolítica do século XXI”, concluiu.

Assista à íntegra da análise de Pepe Escobar na TV 247.

Fonte: Brasil 247

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