O Brasil não sobrevive a um segundo governo de extrema direita

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Por Moisés MendesBrasil 247

O Brasil não sobrevive a um segundo governo de extrema direita

Já circula na Argentina, com chamada de capa nos jornais, a BA.3.2, a nova cepa da Covid-19. Os mais alarmistas antecipam que a variante está à espera da eleição aqui. Se Lula vencer, a nova Covid não passa a fronteira. Se acontecer o contrário, a BA.3.2 virá testar o filho de Bolsonaro.

Parece, mas não é humor fora de hora. Nas situações imagináveis, no caso de um novo governo fascista, é preciso considerar todas as hipóteses aterrorizantes. Que incluem a possibilidade de uma nova pandemia sob um governo de negacionistas.

Flávio Bolsonaro foi incluído entre os 79 nomes com pedidos de indiciamento pela CPI da Pandemia, concluída em outubro de 2021. Como todos os outros, está impune até hoje, incluindo o pai dele e os irmãos.

Foi acusado de incitação ao crime (artigo 286 do Código Penal), como “influente disseminador das fake news e teses negacionistas defendidas por seu pai”. Na autorização de Flávio Dino para abertura de inquérito pela Polícia Federal, em 18 de setembro do ano passado, Flávio Bolsonaro está entre 24 pessoas que devem ser investigadas.

Flávio é considerado pela CPI “integrante central do núcleo de poder da estrutura de fake news na pandemia”, apesar de ter anunciado que se vacinou, ao contrário do pai. O candidato da extrema direita nos põe em dúvida nem tão duvidosa: o que faria diante de uma nova pandemia?

Já se especula sobre os estragos que cometeria nas estruturas da saúde e da educação públicas, das estatais, do meio ambiente, dos servidores, da Amazônia, dos programas sociais, do salário mínimo, das terras raras e das relações internacionais, em especial com os Estados Unidos.

Mas como agiria o filho do sujeito que, ao atrasar as providências para produção de uma vacina, criou as condições para que morressem mais de 700 mil pessoas? Quantas delas poderiam ter sido salvas?

Outra pergunta: os militares seriam chamados de volta para participar do núcleo de poder num segundo governo de extrema direita? Um general poderia ser de novo o gestor de uma crise de saúde pública em caso de mais uma pandemia, como aconteceu no governo do seu pai?

Um segundo governo bolsonarista iria aperfeiçoar a perseguição a inimigos de Jair Bolsonaro. Flávio irá aparelhar o sistema de Justiça com terrivelmente evangélicos? Os garimpeiros terão autorização para invadir as áreas indígenas? Os desmatadores terão licença para destruir o que resta de florestas? E os milicianos? 

Tudo isso importa, mas o que mais interessa saber, entre as perguntas mais inquietantes, é como Flávio lidaria com uma emergência que atingisse toda a população, como aconteceu na pandemia. Flávio, que no fim tomou a vacina, garantiria vacina para todos?

Em setembro de 2020, o senador publicou nas redes sociais: “Estou curado da Covid-19, graças a Deus. Tratei, desde os primeiros sintomas, com hidroxicloroquina e azitromicina, com acompanhamento médico. Comigo, já são quase 3,3 milhões de brasileiros recuperados”.

O filho tentava ficar bem com o pai. E em março de 2021, como relembrou a Folha recentemente, quando as primeiras vacinas eram distribuídas, escreveu que “tratamento precoce (do kit da cloroquina) e vacina são totalmente complementares”.

Condenou o isolamento para evitar contágios e defendeu que as pessoas voltassem a trabalhar, quando a pandemia começava a matar em massa. Sua previsão: “Mantendo-se o isolamento total das pessoas, a previsão é de chegarmos a 40 milhões de desempregados”.

A cepa BA.3.2, que alguns consideram uma gripezinha, como consideraram o começo da pandemia em 2020, está à espreita. O Brasil sobrevive a um segundo governo negacionista e de extrema direita, com ou sem pandemia? Todos sabemos que não sobrevive.

Fonte: Brasil 247

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