O balde de água fria que levou a turma do ‘já ganhou’ no primeiro turno das eleições
Por Caio Barbieri — Reportagem – PlatôBR

O primeiro turno das eleições de 2026 deixou alguns personagens conhecidos da política diante de um resultado bem menos confortável do que sugeriam as apostas — e até mesmo as pesquisas. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que chegaram à reta final em disputa apertada pelo Senado em São Paulo, terminaram fora das duas vagas, conquistadas por Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). No Distrito Federal, a atual senadora Leila Barros (PDT) também ficou pelo caminho diante da dupla Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL. No Rio, Benedita da Silva (PT), que liderava a corrida nas pesquisas às vésperas da eleição, acabou derrotada por Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL), os dois do PL. Ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP) se mostrava confiante até dias atrás e também não conseguiu renovar o mandato pelo Piauí.
Nas disputas pelos governos estaduais, a lista também ganhou nomes de peso. Ciro Gomes (PSDB) perdeu no Ceará para Elmano de Freitas (PT), enquanto ACM Neto (União Brasil) voltou a ser derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia. E Eduardo Paes (PSD), que chegou ao primeiro turno como favoritíssimo na corrida fluminense, acreditando que levaria de imediato, viu Douglas Ruas (PL) terminar em primeiro, com 49,27% dos votos válidos. Com um detalhe: se o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) confirmar que os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) não valem, nem segundo turno haverá e Ruas será declarado vencedor.
O denominador comum não é exatamente a derrota de todos, mas o choque entre a expectativa e os números saídos da urna, algo marcante em todos os casos. Em diferentes estados, candidatos associados ao centro e à esquerda chegaram fortes, mas encontraram uma direita capaz de converter mobilização eleitoral em votos para governos e para o Congresso. O primeiro turno, enfim, tratou de lembrar uma velha regra da política: pesquisa pode apontar o caminho, campanha pode criar expectativa, mas o “já ganhou” só existe depois que os votos são contados, um a um.
Fonte: Reportagem – PlatôBR