Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?

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Por Isabella ScaramucciSeu Dinheiro

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As empresas ligadas à inteligência artificial (IA) passam por um momento delicado. Depois da euforia com o avanço da tecnologia, o clima começou a pesar, especialmente diante dos temores de que a IA poderia acabar com a humanidade.

O alerta veio de dentro do próprio setor. Enquanto CEOs das gigantes de IA defendem que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia seja reduzido para “evitar danos aos seres humanos”, os investidores parecem ter levado o aviso a sério. E as ações sentiram as consequências na pele.

Um exemplo disso é que a Nvidia, uma das queridinhas do ramo, passou a penar para apresentar múltiplos convincentes.

Para quem detém algum desses papéis, fica a dúvida: é hora de recuar, aproveitar a queda para comprar ou apenas assistir à “faca caindo”?

O caso da Nvidia

Nesta segunda-feira (21), as ações da Nvidia subiram 2,30%, cotadas a US$ 227,38, acumulando uma valorização de 22% desde o começo do ano. Mas nem tudo são flores para a companhia.

Segundo análises, como a do agregador Alpha Spread e Barchart, a Nvidia está sendo negociada a um preço sobre lucros (P/E, na sigla em inglês) de 28,3 — valor 42% menor do que a média de 49 dos últimos três anos — e a um valuation mais barato em, pelo menos, uma década.

O P/E é uma métrica referente à capacidade da companhia de gerar retornos para os investidores. Ela é calculada a partir da divisão o valor de mercado da empresa pelo seu lucro total.

Para o investidor, o P/E deve ser lido como um indicador de que a empresa está barata demais em relação aos seus lucros ou refletir expectativas de crescimento mais contidas, além de riscos maiores dos negócios e, em último caso, problemas gerenciais. E é justamente esse dilema que aparece no caso da Nvidia.

Comprar ou vender?

Quem responde essa pergunta é Marcel Zambellohead de US Equities do BTG Pactual. Para o especialista, a Nvidia continua tendo “fundamentos bastante sólidos”, e um “crescimento resiliente”, mas que está presa em uma dicotomia entre os fatores microeconômicos e macroeconômicos.

“No caso da Nvidia, o quadro operacional segue muito forte. No entanto, como o ambiente macroeconômico permanece desafiador, o mercado tende a limitar a magnitude dos movimentos de alta, mesmo diante de resultados e perspectivas bastante positivos”, afirma.

Zambello descreve os desafios do cenário macroeconômico:  juros mais altos por mais tempo, somados às discussões sobre a segurança e a sustentabilidade dos modelos de IA e ao petróleo elevado, que acabam pressionando os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro norte-americano para cima.

Com retornos maiores, esses títulos se tornam mais atraentes e reduzem o apetite por ativos de maior risco, como as ações, sobretudo de empresas de crescimento e tecnologia.

Do lado da companhia, porém, Zambello destaca que os fundamentos seguem sólidos. O crescimento permanece resiliente, enquanto os hyperscalers continuam aumentando seus planos de capex (investimentos em bens de capital), o que sustenta uma demanda robusta por infraestrutura de IA.

Por isso, o analista acredita que, no longo prazo, os fundamentos da Nvidia devem prevalecer, uma vez que o principal catalisador do preço das ações é a geração de lucros.

A história das IAs

A cautela dos investidores e a queda dos papéis das empresas se deu após a postagem, no último dia 12, de um ensaio escrito pelo presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, na plataforma X.

No texto, há um pedido às empresas de IA que diminuíssem o ritmo de avanço das capacidades dos modelos em meio a temores crescentes de uso indevido da inteligência artificial. Tanto Elon Musk, que tem sob seu guarda-chuvas a xAI, quanto Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, afirmaram concordar com Amodei.

We Must Pace the Frontier: I’ve written a new essay on why the AI industry should slow down, with a three-part plan for doing so.

Anthropic is unilaterally committing to the first of these steps. We’ll provide third-party evaluators with permanent, employee-level access to our…

— Dario Amodei (@DarioAmodei) September 12, 2026

Amodei também escreveu que, em seis a 12 meses, agentes de IA “poderiam ser capazes de assumir o controle de toda a internet, causando potencialmente centenas de bilhões de dólares em danos”.

O efeito cascata foi imediato: Altman reafirmou que a empresa não deve dar sequência na oferta pública de ações (IPO) neste ano, citando preocupações com segurança. No Japão, além do SoftBank, ações de fabricantes de chips também perderam até 9,8% no pregão da última segunda-feira (14).

Nesse mesmo dia, em Taiwan, a TSMC recuou 1,2%, enquanto na Coreia do Sul, a SK Hynix caiu 5,3% e a Samsung Electronics registrou queda de 3,7%. Em Xangai, a fabricante de chips de memória CXMT chegou a cair 3,6%, enquanto a Semiconductor Manufacturing International Corporation recuou 2,6%.

Em outras partes da Ásia também foram registradas fortes perdas de empresas do setor.

Um “banho de água fria”

O alerta de Amodei pode soar humanista, mas alguns analistas internacionais enxergam para além de uma mera preocupação com a sociedade. Para eles, trata-se de uma jogada para amenizar as expectativas do mercado em torno da própria IA.

Os analistas defendem que desde o lançamento das IAs, o mercado vem colocando dinheiro em teses cada vez mais arriscadas. As receitas e os investimentos em acompanhando o ritmo do influxo de dinheiro, com projetos multibilionários projetados para além de 2035 que, dada a dinâmica atual do setor, talvez demorem a se pagar.

Nesse contexto, esses analistas observam que os valores das ações de empresas, como AMD e Nvidia, já incorporam expectativas elevadas de crescimento futuro. Sob essa ótica, Amodei estaria “recalibrando as expectativas” em torno dos investimentos em IA para os próximos anos, diante da possibilidade de que as projeções de lucro não correspondam ao que vem sendo precificado pelo mercado.

O próprio megainvestidor Michael Burry, conhecido por ter “previsto” a crise de 2008 e por ser uma referência para teses alternativas, afirmou que OpenAI e Anthropic estariam fazendo avisos falsos sobre a IA devido ao crescimento mais lento dos modelos antes dos seus respectivos IPOs.

Burry escreveu sobre o tema em sua página no Substack após a publicação do texto de Amodei.

Breaking: Michael Burry says OpenAI and Anthropic are faking the AI warnings due to slow growth ahead of IPOs

Below are his reasonings:
1. LLMs are not AI and won’t be AGI. There is nothing AI to slow down.

2. Competition is coming up fast, slowing benefits incumbents.

3. IPOs… pic.twitter.com/alF2KRE9mK

— Michael Burry Stock Tracker ♟ (@burrytracker) September 14, 2026

*Sob supervisão de Carlina Gama.

*Com informações de Money Times.

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Fonte: Seu Dinheiro

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