Nunes Marques bloqueia Gilmar após troca de mensagens ríspidas
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – Uma troca de mensagens marcada por cobranças e linguagem ríspida entre os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques terminou com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) bloqueando o contato do decano do Supremo Tribunal Federal (STF) em seu celular. A discussão ocorreu durante o julgamento, na Segunda Turma do STF, do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O contexto do confronto, segundo a coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles, foi uma das principais divergências recentes dentro da Segunda Turma. Em 8 de setembro, Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam o ministro André Mendonça e formaram maioria para manter o afastamento de Andrei. Gilmar Mendes pediu vista e interrompeu a análise.
Segundo a reportagem, Gilmar estava na Itália para um casamento enquanto o julgamento ocorria. O decano considerou que Nunes Marques teria feito uma movimentação combinada com Mendonça e Fux no processo envolvendo o comando da PF.
Foi nesse contexto que enviou a Nunes Marques uma mensagem cobrando que os ministros deixassem os processos e abrissem suas contas.
“Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu Gilmar, conforme a reportagem.
Nunes Marques reagiu imediatamente e cobrou respeito do colega. “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”, respondeu.
Discussão sobe de tom
O diálogo tornou-se ainda mais ríspido na sequência. Gilmar escreveu: “Nao julguem porra. Não respeito a quem nao se daH respeito. Vc tem de sair do tse também.”
Nunes Marques afirmou que não continuaria conversando nessas condições. “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”, respondeu.
Gilmar insistiu na cobrança e voltou a relacionar as contas do ministro ao processo analisado pela Segunda Turma. “Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”, postou.
Nunes Marques respondeu que não teria dificuldade em apresentar suas informações. “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz. Tramoias ….”
Gilmar encerrou a sequência de mensagens estendendo a cobrança aos familiares do ministro: “Verdade! De sua família…”, escreveu.
Segundo o Metrópoles, essa última mensagem não chegou a ser lida por Nunes Marques. O presidente do TSE já havia bloqueado o contato do colega. O Metrópoles informou que o bloqueio ocorreu oito dias antes da publicação da reportagem e continuava ativo, segundo pessoas próximas a Nunes Marques.
Julgamento sobre Andrei acirrou divergências
O confronto ocorreu no mesmo dia em que a Segunda Turma formou maioria para manter a decisão de André Mendonça que afastou preventivamente Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.
Nunes Marques e Luiz Fux anteciparam seus votos e acompanharam Mendonça. Gilmar pediu vista, suspendendo o julgamento. O Metrópoles informou que os votos de Fux e Nunes Marques foram registrados nove minutos após a abertura do plenário virtual.
Mendonça havia determinado o afastamento preventivo de Andrei por 90 dias e também atingido o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa. O ministro afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” pela corporação por mais de 30 dias.
Gilmar, ao pedir vista, levantou questionamentos sobre a legalidade da medida, a competência da Segunda Turma para analisar o caso e a possibilidade de decisões conflitantes dentro do Supremo.
Filho de Nunes Marques entra na discussão
A menção feita por Gilmar à família do presidente do TSE ocorre em meio a informações envolvendo Kevin Nunes Marques, filho do ministro, e empresas que tiveram negócios com o Banco Master.
Nunes Marques afirmou em plenário nesta terça-feira (15) que Kevin nunca trabalhou para o Banco Master e negou a existência de relação ilegal.
Em março, o Metrópoles havia informado, com base em Relatório de Inteligência Financeira do Coaf, que o escritório de Kevin recebeu R$ 281 mil, em dez parcelas, de uma consultoria que havia sido contratada pelo Master e pela JBS. A Consult confirmou ao veículo o pagamento e afirmou que o dinheiro correspondia à remuneração por serviços técnicos e de assessoria jurídica prestados entre 2024 e 2025.
Nesta terça-feira foi revelada a existência de conversas de WhatsApp com o diretor jurídico do Master nas quais Daniel Vorcaro teria sido informado de que R$ 500 mil foram pagos a Kevin Nunes Marques.
Fonte: Brasil 247